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Festival Artes Vertentes 2025 | Cinema e Memória em Diálogo com as Artes

Entre 11 e 21 de setembro, Tiradentes, São João del Rei e Bichinho (MG) sediarão a 14ª edição do Festival Artes Vertentes. A programação deste ano reforça a presença do cinema como ponte entre linguagens artísticas diversas — literatura, música, artes cênicas e visuais — e como espaço de reflexão sobre memória, ancestralidade e resistência.

“Nossa curadoria buscou obras que não apenas dialogam com a programação artística do festival, mas também provocam encontros. O cinema funciona aqui como convite à escuta e à reflexão sobre quem somos e de onde viemos”, comenta Luiz Gustavo Carvalho, curador do festival.

Cinema e Ciclo de Ideias

A temporada de cinema do festival combina exibições e debates, promovendo um diálogo expandido com o público. Um destaque acontece no domingo, 14 de setembro: a exibição de A rainha Nzinga chegou (2019), de Júnia Torres e Isabel Casimira, na Casa Museu Padre Toledo, seguida pela mesa do Ciclo de Ideias “Saberes de África que ecoam, reverberam, vivos, bem aqui”, no Centro Cultural Yves Alves.

O encontro reúne Mestre Prego, capitão do Congado Nossa Senhora do Rosário, Escrava Anastácia (Tiradentes) e Isabel Casimira, Rainha Conga de Minas Gerais, com mediação de Patrick Arley, reforçando a valorização de saberes ancestrais e práticas culturais que conectam Minas Gerais à África.

A programação contempla ainda filmes contemporâneos brasileiros, como Sementes: Mulheres Pretas no Poder (2020), que acompanha a mobilização política de mulheres negras nas eleições de 2018.

Cinema como eixo de diálogos

O Festival Artes Vertentes, criado em 2012 por Luiz Gustavo Carvalho e Maria Vragova, é reconhecido por estimular conexões entre diferentes formas de expressão artística e provocar reflexões sobre temas sociais contemporâneos. Ao longo de suas 14 edições, o evento já recebeu mais de 550 artistas de 40 países e conquistou prêmios nacionais e internacionais.

Programação completa de Cinema

Conheça a programação de Cinema do Festival Artes Vertentes 2025
(Grade sujeita a alterações, atualizada em 29/08)

SEXTA-FEIRA · 12/9

  • 18h · CCYA – Sementes: Mulheres Pretas no Poder | Brasil | 2020 | Documentário | 100 min. | Falado em português | Direção: Éthel Oliveira e Julia Mariano | Classificação indicativa: 12 anos | Em resposta à execução de Marielle Franco, as eleições de 2018 se transformaram no maior levante político conduzido por mulheres negras que o Brasil já viu, com candidaturas em todos os estados. No Rio de Janeiro, Mônica Francisco, Rose Cipriano, Renata Souza, Jaqueline de Jesus, Tainá de Paula e Talíria Petrone se candidataram aos cargos de deputada estadual ou federal. O documentário acompanhou essas mulheres em suas campanhas, mostrando que é possível uma nova forma de se fazer política no Brasil, transformando o luto em luta.

DOMINGO · 14/9

  • 15h · Casa Museu Padre Toledo – A rainha Nzinga chegou | Brasil | 2019 | Documentário |74 min. | Falado em português | Direção: Júnia Torres | Classificação indicativa: 10 anos | Antigos reinos, com suas coroas, séquitos e guardas, seus cosmos singulares, (re)existem hoje nas terras alhures das Minas Gerais. Três gerações de rainhas e uma travessia de volta, em visita aos domínios da mítica rainha Nzinga, e às terras dos reis do Congo, Angola, pelos descendentes da eterna Rainha da Guarda de Moçambique e Congo Treze de Maio, Isabel Casimira, presença central deste filme.

SEGUNDA-FEIRA · 15/9

  • 20h · Casa Museu Padre Toledo – Frantz Fanon – Pele Negra, Máscara Branca |Reino Unido | 1995 | Documentário/ Drama biográfico | 73 min. | Direção: Isaac Julien | Classificação indicativa: 12 anos | O filme a vida e a obra de um dos mais importantes nomes do pensamento do século XX e cujas ideias influenciaram diversos movimentos de libertação no continente africano. Formado em psiquiatria, o revolucionário martinicano é um nome incontornável nos estudos anticoloniais e de raça. Reconstruindo sua trajetória a partir de encenações e imagens de arquivo, o documentário de Isaac Julien conta ainda com entrevistas com Stuart Hall, Françoise Vergès e Homi K Bhabha.

TERÇA-FEIRA · 16/9

  • 15h · Centro Cultural Yves Alves – Kiriku e a Feiticeira|França | 1998 | Animação | 74 min. | Direção: Michel Ocelot | Classificação indicativa: livre | Uma história que celebra a coragem, a curiosidade e a astúcia sobre uma comunidade subjugada por uma terrível feiticeira. Kiriku, um menino que nasceu para lutar e combater o mal, enfrenta o poder da Karabá, a feiticeira maldosa e seus guardiões. Kiriku aprende em sua luta que a origem de tanta maldade é o sofrimento e só a verdade, o amor, a generosidade e a tolerância, aliados à inteligência, são capazes de vencer a dor e as diferenças.

QUARTA-FEIRA · 17/9

  • 20h30 · Museu Casa Padre Toledo – Yaaba | Burkina Faso, Suíça, França e Alemanha | 1989 | 90 min. | Drama | Falado em moré, legendas em português | Direção: Idrissa Ouédraogo | Classificação indicativa: 10 anos | Em uma pequena aldeia em Burkina Faso, Bila, um menino de dez anos, faz amizade com uma idosa chamada Sana, a quem todos chamam de “Bruxa”, e que é ritualmente culpada por qualquer desastre que aconteça na comunidade. Mas o próprio garoto a chama de Yaaba, que significa “avó”, um termo carinhoso que Sana nunca tinha ouvido. Quando Nopoko, prima do garoto, fica doente, Bila recorre a Sana para que ela faça um remédio para salvar a menina. Vencedor do Prêmio da Crítica no Festival de Cannes em 1989.

QUINTA-FEIRA · 18/9

  • 19h · Casa Museu Padre Toledo – Bonnarien | França | 2023 | Ficção | 20 min. | Direção: Adiel Goliot | Classificação indicativa: 12 anos – Mauricette Bonnarien trabalha como estivadora no porto de Dégrad des Cannes, na Guiana Francesa. No resto do tempo, ela é slammer. Muito complexada com seu sobrenome, imposto a seus antepassados durante a abolição da escravidão, ela luta para concluir um processo de mudança de nome. É hora de fazer com que seu novo sobrenome seja ouvido por aqueles ao seu redor.

SEXTA-FEIRA · 19/9

  • 15h · CCYA – A capela |República do Congo | 1980 | Ficção | 84 min. | Legendado em português | Direção: Jean-Michel Tchissoukou | Classificação indicativa: 12 anos – Durante a década de 1930, em uma vila localizada a vários quilômetros de qualquer posto administrativo, homens ligados às tradições ancestrais não têm outra ambição além de viver em paz. Uma missão evangélica instala uma escola e pede à população que construa uma capela. As obras demoram, o que exaspera o padre, que conta com o sacristão e o chefe da aldeia para acelerar a construção da capela. A chegada de um jovem professor, cheio de ideias modernistas, e a atitude hostil do professor da escola permitem ao padre reforçar a sua autoridade.
  • 19h · Casa Museu Padre Toledo – A negra de… | Senegal, França | 1966 | Ficção | 59 min. | Legendado em português | Direção: Ousmane Sembène | Classificação indicativa: 12 anos – Uma senegalesa sonha com uma vida melhor no exterior. Ela aceita um emprego como governanta de uma família francesa, mas seus deveres são reduzidos aos de uma empregada após a família se mudar para o sul da França. No novo país, ela se torna consciente de sua raça ao ser maltratada por seus empregadores.

ENDEREÇOS

Centro Cultural Yves Alves (CCYA)

Rua Direita, 168

Casa Museu Padre Toledo

Rua Padre Toledo, 190

Serviço

  • Datas: 11 a 21 de setembro de 2025
  • Locais: Centro Cultural Yves Alves, Museu de Sant’Ana, Casa Museu Padre Toledo, Galeria do IPHAN, Igreja São João Evangelista, entre outros
  • Ingressos: Parte da programação é gratuita; vendas e retirada em breve pelo site oficial
  • Site e redes: www.artesvertentes.com | @artesvertentes

O Festival Artes Vertentes 2025 reafirma o cinema como espaço de encontro entre passado e presente, memória e criação, conectando histórias pessoais e coletivas por meio de múltiplas linguagens artísticas.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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