Depois de conquistar o público e o júri no Festival de Brasília, o longa “Assalto à Brasileira”, dirigido por José Eduardo Belmonte (“Alemão”), chega à 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Vencedor de três prêmios, incluindo o de Melhor Filme pelo Júri Popular, o longa promete levar à tela um retrato provocativo de um dos episódios mais curiosos da crônica policial brasileira.
Na trama, Murilo Benício vive Paulo, um jornalista recém-demitido que vai ao banco descontar seu último cheque — e acaba preso em meio a um assalto liderado por Moreno (Christian Malheiros) e Barba (Robson Nunes). O que parece um grande azar logo se transforma em uma oportunidade: Paulo decide transformar o caos em pauta e passa a atuar como mediador entre os assaltantes e a polícia, representada pelo personagem Fonseca, vivido por Paulo Miklos.
Um retrato do Brasil dos anos 80
Inspirado no roubo à agência do Banestado em Londrina, em 1987, o filme mistura ação, sátira e crítica social para revisitar o caso que parou o país. Naquele episódio real, um grupo de sete homens manteve mais de 300 reféns e exigiu 30 milhões de cruzados, mas acabou conquistando a simpatia popular por sua conduta pacífica — reflexo da crise econômica e do descontentamento com as instituições na época. Belmonte transforma esse pano de fundo em um comentário afiado sobre o país, explorando as fronteiras entre moral, sobrevivência e espetáculo midiático.
Elenco e bastidores
Além do quarteto principal, o elenco conta com Matheus Macena, Vertin Moura, Vinicius Marinho, Fernanda de Freitas, Augusto Madeira, Luiz Thunderbird, Hugo Possolo, entre outros nomes. O roteiro é assinado por L.G. Bayão (“Aumenta que é Rock and Roll”), e a produção é da +Galeria, Santa Rita Filmes e Grupo Telefilms, com distribuição da +Galeria.
A força do cinema de gênero brasileiro
Com seu humor ácido e olhar social, “Assalto à Brasileira” reafirma a trajetória de José Eduardo Belmonte como um dos diretores mais inquietos do cinema nacional, transitando entre gêneros sem perder o pulso político. A exibição na Mostra de São Paulo consolida o filme como um dos destaques do ano — uma narrativa que transforma um assalto em alegoria sobre o país e sua eterna negociação entre esperança e desilusão.


