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Cine Curta POA estreia em Porto Alegre com narrativas sociais e diversidade cultural

A primeira edição do Cine Curta POA, realizada de 25 a 28 de setembro em Porto Alegre, reuniu filmes que exploraram temas indígenas, sociais e identitários, movimentando público de diferentes cidades e fomentando debates sobre políticas culturais. O evento destacou o audiovisual como ferramenta de reflexão e diálogo, ao mesmo tempo em que impulsionou a economia criativa local.

Narrativas plurais ganham tela

David Pires 1ª Edição Cine Curta POA

Entre os destaques da programação estiveram “Vozes do Território – Terra Indígena Piaçaguera”, “O Despertar de Aiyra” e “Mutirão Payayá”, que retrataram a força e a resistência das comunidades originárias. Produções como “Lixo se Transforma” e “Como se Faz um Homem” trouxeram questões sociais à tona, enquanto “Eu Também Não Gozei” abriu espaço para debates identitários.

A diretora Jo Nobre, mulher trans e responsável por “Como se Faz um Homem”, ressaltou a importância da representatividade em sua obra.

“Quem sustenta a narrativa são as drags com suas cores, e queríamos destacar esse cenário extraordinário. A ideia era provocar riso e reflexão sobre até que ponto existe esse ‘outro mundo’ da cultura LGBT”, afirmou.

Intercâmbio cultural e engajamento do público

O festival também foi espaço de troca e aprendizado. A turista paraibana Tereza Queiroz destacou a relevância de assistir a histórias indígenas contadas por suas próprias comunidades:

“É fundamental termos acesso a essas narrativas, mostrando a complexidade da luta e a violência que enfrentam. A exibição desses conteúdos é extremamente importante.”

O cinéfilo Júlio Mota, de Caxias do Sul, veio especialmente para acompanhar a programação:

“Tomei conhecimento do festival pelas redes sociais e estar aqui é uma experiência muito legal.”

Para o produtor cultural Felipe Gomes, idealizador do evento, o Cine Curta POA cumpre um papel central:

“Nossa intenção é que o público veja no festival um espaço de encontro com realidades diversas, reconhecendo no cinema brasileiro uma ferramenta de diálogo e transformação social.”

Cinema que movimenta a economia

Além do impacto cultural, o festival reforça a importância do audiovisual como setor econômico. Parcerias, público de fora e patrocínios contribuem para gerar emprego e investimentos. O painel Dificuldades e Progressos no Cinema Gaúcho reuniu especialistas para discutir os desafios do setor.

O cineasta Luiz Alberto Cassol destacou a relevância econômica do cinema:

“O cinema precisa ser visto como parte da indústria e do comércio. O festival já faz parte desse ecossistema, movimentando trabalho e estabelecendo parcerias.”

A produtora cultural Fernanda Etzberger ressaltou a necessidade de políticas públicas mais consistentes:

“Muitos de nós tiramos recursos do próprio bolso, e isso limita o alcance das produções.”

O roteirista Flávio Barboza acrescentou a importância da sustentabilidade:

“As ferramentas para produzir existem, mas ainda faltam caminhos de distribuição e comercialização para garantir que os cineastas possam continuar criando.”

Encerramento e legado

Com filmes premiados, debates e público engajado, o Cine Curta POA mostrou que o cinema vai além da tela, impactando a sociedade e fortalecendo a economia criativa de Porto Alegre.

Mais informações sobre o festival estão disponíveis em www.cinecurtapoa.com.br.

Com informações de: Juliana Neves e Marcelo Matusiak 

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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