Durante a Expocine, em São Paulo, um dos temas mais urgentes da indústria audiovisual ganhou novo fôlego: o combate à pirataria. Em um anúncio conduzido por Alex Braga, diretor-presidente da ANCINE, foi revelada a parceria entre a ABRAPLEX (Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex) e a ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura). O acordo marca a união de duas pontas essenciais da cadeia — as salas de cinema e a TV paga — em defesa de um mesmo objetivo: conter o compartilhamento ilegal de obras audiovisuais no país.
O impacto nas bilheterias e no público
Segundo Marcos Barros, presidente da ABRAPLEX, o problema atinge diretamente a sobrevivência das salas de exibição. “Hoje temos filmes transmitidos pelas redes sociais no momento da estreia. Assim que um longa é lançado, links e mais links se espalham pela internet e a velocidade do combate é inferior à propagação desses materiais. O único momento em que os cinemas rentabilizam é quando o filme está em cartaz, e ter o mesmo conteúdo disponível de forma ilegal prejudica a adesão do público e traz grandes prejuízos”, destacou.
Estudos da ABTA estimam que a pirataria gera perdas superiores a R$ 15 bilhões por ano, além de expor os consumidores a riscos digitais e comprometer a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva. Quatro em cada dez internautas brasileiros assistem a vídeos piratas — um dado que mostra o tamanho do desafio.
ANCINE defende ambiente colaborativo
No painel “Cortando o Sinal: a guerra silenciosa contra a pirataria digital”, Alex Braga reforçou a importância da união entre setores. “Temos cinema, televisão e plataformas se alinhando por um tema estratégico para o desenvolvimento da indústria audiovisual brasileira. A ANCINE acredita na construção de um ambiente coletivo de combate e discussão para que possamos tomar as melhores decisões para o futuro”, afirmou o diretor-presidente.
A nova parceria também amplia a rede de cooperação já existente entre entidades públicas e privadas. Além da ANCINE e da ANATEL, o combate à fraude audiovisual conta com o envolvimento do Ministério da Justiça, do Ministério Público, do PROCON e da Receita Federal.
Um passo estratégico para o setor
Para Oscar Simões, presidente da ABTA, o acordo simboliza uma evolução na articulação do setor. “A participação de todos os stakeholders desse ecossistema é fundamental para ampliar o combate à pirataria, que prejudica toda a sociedade”, ressaltou.
A ABRAPLEX, criada em 2000, reúne as principais redes de multiplex do país — entre elas Arteplex, Cineart, Cinemark, Cinesystem, Cinépolis, GNC Cinemas, Moviecom e UCI. A associação tem atuado não apenas na defesa das exibidoras, mas também em pautas como a valorização das produções nacionais, políticas de incentivo e regulamentação do streaming.
Já a ABTA representa as empresas do setor de TV por assinatura e lidera ações e políticas públicas voltadas à proteção do conteúdo audiovisual brasileiro.
Um futuro em disputa
O acordo entre ABRAPLEX e ABTA reforça uma mensagem clara: a pirataria não é apenas um problema de tecnologia ou fiscalização, mas uma questão de sobrevivência para a indústria audiovisual. Com o avanço das plataformas digitais e o consumo multiplataforma, o desafio de garantir o valor do conteúdo se torna cada vez mais complexo — e a cooperação entre setores pode ser a chave para manter viva a experiência coletiva de assistir a um filme na sala escura.


