Se você tem mais de 30 anos ou gosta de um jogo mais retrô quando o tema é survivor horror, provavelmente já jogou títulos como Resident Evil, lá no PlayStation 1. Com câmera travada e de uma época em que os bits ainda eram importantes, Ground Zero é o novo jogo da Malformation Games, distribuído pela Kwalee (que também recentemente lançou Town to City).
Aqui, o cenário é a Coreia do Sul, onde o caos se instalou depois que um meteoro atingiu a região. Tentando descobrir o que aconteceu, estranhos seres começaram a surgir, revelando uma contaminação presente em todos os lugares, algo que lembra os fungos de The Last of Us.
É nesse contexto que uma agente de elite, junto com seu parceiro de missão, segue para Busan a fim de averiguar o que ocorreu. Eles exploram cenários estranhos, tentando remontar fatos e juntar as peças de um quebra-cabeça recém-iniciado.
Com legendas em português brasileiro, tivemos a oportunidade de jogar Ground Zero e sentir a nostalgia em uma das surpresas deste ano.
A história

Conhecemos a agente Seo-Yeon e seu parceiro Evan, que percorrem o que restou de Busan. Eles estão ali tentando entender a situação enquanto decidem o melhor trajeto a seguir. Ground Zero apresenta dois caminhos: um mais fácil e outro mais difícil, deixando a escolha nas mãos do jogador.
Não vou negar que, ao reparar no tom retrô, optei pelo caminho mais fácil para entender o nível de dificuldade do jogo. Jogos antigos por natureza são mais desafiadores, então segui pelo parque de diversões para sentir o tom que o jogo iria oferecer.
Com cenários vazios, Ground Zero te pega no susto, podendo surgir um inimigo a qualquer momento. É no silêncio que vemos os primeiros zumbis deste mundo, humanos e até cachorros deformados, todos com um único objetivo: você.
Jogabilidade

Mesmo jogando no Steam Deck, a sensação raiz de estar em um console como o PlayStation 1 ou o Sega Saturn foi reproduzida com sucesso. Com câmera fixa, no estilo clássico de Resident Evil 2, cabe ao jogador mover-se pelo cenário para trocar o ângulo de visão, o que pode incomodar jogadores mais atuais, acostumados à liberdade de uma câmera personalizada.
Quanto ao controle, ele é natural para quem já jogou títulos do gênero. É possível carregar armas, montar equipamentos e encontrar itens de cura pelo cenário. Em alguns pontos, o jogo salva automaticamente, tornando tudo reconhecível e acessível.
Quando surge um zumbi, você escolhe sua arma, equipada com um laser para apontar onde deseja atirar. Pela câmera fixa, a experiência pode ser desafiadora no início, mas logo se torna instintiva.
Localização em português

Com cenas dubladas em inglês e coreano, o jogo pode ser apreciado com legendas em português brasileiro. Jogar em nosso idioma é um diferencial que eleva a imersão.
Com cutscenes em CG e exploração, tudo está bem localizado, incluindo menus, itens e descrições, o que facilita a experiência e mantém o jogador dentro do universo do jogo. Ponto positivo para a equipe de localização, que fez um ótimo trabalho.
Experiência no Steam Deck

Mesmo que o jogo não esteja oficialmente otimizado para o portátil da Valve, testamos Ground Zero no Steam Deck e a experiência foi excelente. Sendo um preview, era esperado que algo pudesse falhar fora do ambiente de PC, mas o jogo rodou 100% estável, mostrando-se totalmente compatível com o console.
A jogabilidade em modo portátil se adapta muito bem, sem dever nada à experiência em dock com controle tradicional. É claro que o tamanho do aparelho pode limitar um pouco a imersão para alguns, mas isso não prejudica o desempenho nem o prazer de jogar.
Opinião

Ground Zero é uma bela homenagem ao passado e prova que, às vezes, olhar para trás ainda pode render jogos tão interessantes quanto este. Apostando no que funcionou há quase 30 anos, a Kwalee pode reacender a chama do gênero.
É fato que jogar Ground Zero traz uma sensação próxima de Resident Evil, seja pelo estilo ou pela agente Seo-Yeon, que em alguns momentos lembra Claire Redfield com seu visual de agente. O que poderia soar negativo para alguns, para mim é um ponto positivo, um empurrão para se sentir “em casa”, com referências da cultura pop que ajudam na ambientação e evitam rodeios.
Sem data de lançamento anunciada, Ground Zero faz sua lição de casa ao entregar boa jogabilidade e uma narrativa envolvente. Agora, cabe ao jogador mergulhar nessa experiência e se divertir com o próximo lançamento da Kwalee.

Ground Zero
Desenvolvedor: Malformation Games
Distribuidora: Kwalee
Gêneros: Terror de Sobrevivência, Zumbis, Ação, Aventura e Tiro em Terceira Pessoa
Plataformas: PC via Steam
Data de lançamento: A ser anunciada
Agradecimentos a Malformation Games, Kwalee e a Masamune pela oportunidade de testar o jogo para produção deste conteúdo

