InícioGamesHands-on | Marvel Cosmic Invasion traz de volta o beat ‘em up...

Hands-on | Marvel Cosmic Invasion traz de volta o beat ‘em up ‘raiz’

Nos anos 1990, ligar a TV era entrar num mundo onde X-Men, Homem-Aranha, Hulk e Quarteto Fantástico dominavam as manhãs na Globo ou na Fox Kids. Ao mesmo tempo, nas bancas, os quadrinhos entregavam encontros grandiosos como Guerras Secretas. E quem cresceu nessa época sabe a frustração: por que os jogos não acompanhavam essa festa? Cada título vinha isolado, focando em apenas um herói ou uma equipe, sem nunca arriscar um grande crossover. Parecia que aquele sonho de juntar todo o universo Marvel num só jogo ia ficar só na imaginação.

É aqui que Marvel Cosmic Invasion entra em cena. Produzido pela Tribute Games, a mesma que reacendeu a chama dos beat ‘em ups com Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge, e publicado pela Dotemu, que já virou sinônimo de “ressurreição retrô bem feita”, o jogo chega em 2025 com a missão de entregar um fliperama moderno com alma dos anos 90. Ele não é só uma carta de amor ao gênero, mas também uma tentativa de finalmente realizar o sonho de infância de muitos jogadores: ver vários heróis da Marvel lado a lado enfrentando uma ameaça cósmica.

Um beat ‘em up com DNA Marvel

Elenco da demo – Giuliano Peccilli

De cara, o que chama a atenção é a jogabilidade em duplas. Diferente dos beat ‘em ups tradicionais, aqui você não está preso a um único herói. É possível escolher dois personagens, alternar entre eles em tempo real e até usar golpes combinados. Essa mecânica, além de dar variedade, traz lembranças dos jogos versus da Marvel, como Marvel vs. Capcom, que sempre destacaram ataques espetaculares em equipe.

A demo coloca nas nossas mãos um elenco bem variado. Do lado dos clássicos, temos Homem-Aranha, Capitão América, Wolverine e Tempestade, todos com movimentos que remetem diretamente às HQs e animações. Mas a surpresa fica por conta de escolhas menos óbvias como She-Hulk e Phyla-Vell. É legal ver como cada personagem tem seu próprio estilo de luta: Rocket Raccoon, por exemplo, transforma o campo de batalha num verdadeiro festival de tiros, enquanto a Tempestade solta raios que parecem arrancados diretamente da série animada dos X-Men.

Essa variedade deixa claro que o jogo não quer se limitar ao básico. A sensação é de que o time da Tribute pensou tanto em agradar os fãs mais casuais, que vão se divertir com nomes populares, quanto em dar presentes para os leitores de quadrinhos que conhecem até os personagens mais obscuros.

Cenários que respiram nostalgia

Normam Osborn, Clarim e outras referências do Homem-Aranha – Giuliano Peccilli

Os dois estágios disponíveis na demo já dão uma boa amostra do clima do jogo. Nova York aparece como um palco cheio de referências ao universo do Homem-Aranha, enquanto o Helicarrier da S.H.I.E.L.D. carrega aquela imponência que tanto marcou sua estreia nos cinemas em Vingadores (2012).

Explorar esses cenários vai além de derrotar inimigos. É como revisitar lugares que já conhecemos em outros formatos, mas agora com a liberdade de interagir e caçar easter eggs espalhados por todo canto. A sensação é parecida com folhear um gibi antigo e encontrar pequenos detalhes que só os fãs mais atentos vão perceber.

A jogabilidade ajuda nessa imersão. Os movimentos são fluidos e respondem bem, cada herói tem ataques que parecem fiéis às suas histórias e os especiais conjuntos dão espetáculo à parte. Ver a She-Hulk esmagando o chão, o Capitão América lançando seu escudo em círculo ou o Homem-Aranha enchendo a tela com suas teias é o tipo de fan service que funciona, porque não está lá apenas para agradar, mas sim porque realmente faz sentido na mecânica do jogo.

Som que ecoa os fliperamas

Se tem algo que não pode faltar num bom beat ‘em up, é trilha sonora que empolgue. Aqui a responsabilidade caiu nas mãos de Tee Lopes, conhecido por dar nova vida a sons retrô sem perder a pegada moderna. Mesmo com apenas duas músicas disponíveis, já deu para perceber que o jogo está no caminho certo. As faixas grudam na cabeça, são cheias de energia e combinam perfeitamente com a ação. É aquele tipo de música que você continua assobiando mesmo depois de fechar o jogo, como acontecia nos fliperamas.

Pensado para o presente, com sabor do passado

Outro ponto que merece destaque é como o jogo já chega bem adaptado ao Steam Deck. A demo mostra que não se trata apenas de portar controles: até o posicionamento das legendas foi pensado para o formato portátil. Isso significa que você pode jogar tanto na telinha do console quanto ligado na TV, e em ambos os casos a experiência é natural.

Localização que abraça o fã brasileiro

Giuliano Peccilli

A versão em português também chama a atenção. Além de traduzida com cuidado, ela brinca com detalhes visuais, como o uso de uma fonte que lembra os antigos formatinhos da Editora Abril. Para quem cresceu lendo essas HQs no Brasil, o impacto é imediato. É como se o jogo quisesse conversar diretamente com essa memória afetiva, entregando não apenas a jogabilidade, mas também a sensação de estar dentro de um gibi da infância.

Primeiras impressões

Giuliano Peccilli

Ainda estamos falando de uma demo, mas já dá para sentir o potencial. O elenco é diverso, a jogabilidade encontra o equilíbrio entre raiz e inovação, os cenários carregam charme e referências, e a trilha sonora prende. Rocket Raccoon já desponta como um dos mais apelativos e divertidos de jogar, enquanto Tempestade traz aquele impacto visual que remete diretamente aos jogos de luta.

Mais do que isso, Marvel Cosmic Invasion consegue algo raro: resgatar a emoção de gastar ficha atrás de ficha nos arcades, mas sem parecer apenas uma cópia do passado. O jogo sabe brincar com a nostalgia ao mesmo tempo em que se sustenta como uma experiência nova.

Conhecendo o histórico da Tribute Games e da Dotemu, não é exagero esperar que o título seja um dos grandes destaques de 2025. Afinal, se Shredder’s Revenge já foi um sucesso em transformar lembrança em diversão, aqui a promessa é ainda maior, porque envolve um universo que há décadas pede um beat ‘em up à altura.

Ficha Técnica – Marvel Cosmic Invasion

Desenvolvedora: Tribute Games

Publicadora: Dotemu

Compositor: Tee Lopes

Plataformas: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 4, PlayStation 5, Windows, Xbox One, Xbox Series X/S

Lançamento: 2025

Gênero: Beat ‘em up

Modos de jogo: Um jogador, Multijogador

Agradecimentos a Tribute Games, Dotemu e a Masamune por nos enviar a demo no Steam Deck para produção deste conteúdo.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

Últimas