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Kim Ji Young, nascida em 1982 | Produção chega ao Brasil pela Rakuten Viki e reacende o debate sobre o papel da mulher na sociedade

Baseado no romance best-seller de Cho Nam-Joo, Kim Ji Young, nascida em 1982 acaba de estrear no Brasil pela Rakuten Viki. Estrelado por Jung Yu Mi e Gong Yoo, o longa é uma das adaptações mais intensas do cinema sul-coreano recente, retratando com sensibilidade o cotidiano de uma mulher que representa uma geração inteira.

A história acompanha Kim Ji Young, uma mulher que sonhava em viajar o mundo e ter uma carreira de sucesso em marketing. Depois de casar com Dae Hyeon e dar à luz a uma filha, seus planos são deixados de lado diante das pressões da maternidade e das expectativas sociais. Enfrentando depressão pós-parto, Ji Young começa a manifestar personalidades de outras mulheres, vivas e mortas, como sua mãe e avó. O marido, assustado, a convence a procurar ajuda médica, iniciando uma jornada de autodescoberta que expõe as feridas silenciosas da desigualdade de gênero.

Entre o cotidiano e a crítica social

Mais do que um drama psicológico, Kim Ji Young, nascida em 1982 é um retrato honesto do que significa ser mulher em uma sociedade moderna ainda marcada pelo machismo. O filme questiona o lugar da mulher na Coreia do Sul, um país que se tornou símbolo de desenvolvimento econômico e tecnológico, mas que ainda enfrenta uma forte desigualdade de gênero.

Pequenas injustiças atravessam a vida de Ji Young: o favoritismo pelo irmão homem, o assédio velado na escola e no trabalho, a pressão para abandonar a carreira e o julgamento social por ser mãe em tempo integral. Tudo é mostrado de forma realista, sem melodrama, revelando a estrutura que aprisiona gerações inteiras.

Do livro ao movimento social

O filme é inspirado no romance “Kim Jiyoung, nascida em 1982”, publicado em 2016 pela editora Minumsa, que se tornou um fenômeno cultural. Escrita por Cho Nam-Joo, a obra vendeu mais de um milhão de cópias e deu voz a uma geração de mulheres que se sentiram invisíveis.

A autora, ex-roteirista de televisão, afirmou que Ji Young é “um recipiente que carrega as experiências de todas as mulheres coreanas”. Sua intenção era provocar debate, e conseguiu. O livro foi rapidamente associado ao movimento feminista contemporâneo sul-coreano, ganhando força em meio ao #MeToo e ao Escape the Corset, que contestava os padrões de beleza e comportamento impostos às mulheres.

A Coreia de 1982 e a Coreia de hoje

O título não é aleatório. Kim Ji Young nasceu em 1982, ano que marca o início de uma nova geração de mulheres coreanas, criadas durante a transição do país para uma economia moderna, mas ainda presas a valores patriarcais.

Durante os anos 80 e 90, políticas de planejamento familiar priorizavam o nascimento de meninos, e as mulheres enfrentavam discriminação em escolas e empregos. Mesmo com leis recentes contra o assédio e a desigualdade, a Coreia do Sul ainda figura entre os países com maior disparidade salarial entre homens e mulheres entre as nações desenvolvidas.

Nesse contexto, a trajetória de Ji Young se torna simbólica: ela é a mulher comum que tenta existir entre o avanço social e a herança conservadora.

Repercussão e impacto cultural

O livro gerou debates acalorados e até polêmicas. Quando a cantora Irene (Red Velvet) revelou ter lido Kim Jiyoung, e alguns fãs não reagindo bem, até queimando seu photocard. O episódio evidenciou como o feminismo ainda é um tema sensível na Coreia. Por outro lado, artistas como RM (BTS) e Soo-young (Girls’ Generation) declararam apoio público à obra, ajudando a ampliar a discussão.

A história também alcançou o Ocidente: em 2020, o romance foi indicado ao National Book Award de Literatura Traduzida nos Estados Unidos e ao Prêmio Émile Guimet na França. No Brasil, o livro chegou pela Editora Intrínseca, conquistando novos leitores com sua prosa simples e contundente.

Um filme necessário e atual

Com direção de Kim Do-Young e roteiro de Yoo Young Ah, Kim Ji Young, nascida em 1982 não é um filme de respostas, mas de reflexões. Ele convida o público a observar o invisível, os gestos diários, as concessões silenciosas e o peso de ser mulher em uma sociedade que ainda cobra perfeição.

A estreia na Rakuten Viki permite que o público brasileiro conheça uma das obras mais marcantes da recente cinematografia coreana, uma produção que fala sobre feminismo, maternidade e identidade de forma universal.

Ficha técnica

Título: Kim Ji Young, nascida em 1982 (82년생 김지영)
Direção: Kim Do-Young
Elenco: Jung Yu Mi, Gong Yoo, Kim Mi Kyung, Kim Sun Young, Gong Min Jung
Roteiro: Yoo Young Ah, baseado no romance de Cho Nam-Joo
Gênero: Drama / Social
Origem: Coreia do Sul
Lançamento no Brasil: Disponível na Rakuten Viki
Editora do livro no Brasil: Intrínseca

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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