Um novo marco para o cinema brasileiro contemporâneo
O longa “Manas”, dirigido por Marianna Brennand, segue acumulando conquistas e reconhecimento pelo mundo. Encerrando o Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF) nesta quinta-feira (16), o filme saiu como grande vencedor da edição, levando Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro.
A vitória soma-se à impressionante lista de 39 prêmios que o longa já conquistou desde sua estreia no Festival de Veneza, consolidando sua posição como uma das produções brasileiras mais premiadas da temporada.
Do Marajó ao mundo
Além da recente consagração em Los Angeles, “Manas” representará o Brasil na disputa por uma vaga ao Prêmio Goya, o “Oscar espanhol”. Poucos dias antes, em 13 de outubro, o longa foi exibido no Festival Lumière, em Lyon, em uma sessão apresentada pelo ator e cineasta Sean Penn, que também assina a produção executiva ao lado dos Irmãos Dardenne, Walter Salles e Maria Carlota Bruno.
O filme também tem lançamento confirmado nos Estados Unidos, pela distribuidora KimStim, com exibições previstas em cerca de 20 cidades, incluindo o tradicional Film Forum, em Nova York.
Um retrato sensível e necessário
Mais do que o sucesso nos festivais, “Manas” chama atenção pela força de seu tema: um olhar profundo e empático sobre a experiência de meninas e mulheres em contextos de vulnerabilidade. A diretora Marianna Brennand aposta em uma abordagem que mistura realismo e imersão sensorial para retratar uma violência estrutural que atravessa gerações.
“Era inaceitável colocar à frente da câmera pessoas reais para reviver situações de abuso. A ficção me permitiu tratar desse tema com o cuidado e a densidade que ele exige”, comenta a cineasta sobre o processo criativo.
A origem da história
A inspiração para o longa veio de reportagens sobre exploração sexual infantil nas balsas do Rio Tajapuru, na Ilha do Marajó (PA). O projeto começou em 2014, após Marianna vencer um edital de desenvolvimento de roteiro da Ancine, e foi resultado de anos de pesquisa de campo. Inicialmente pensada como um documentário, a obra evoluiu para uma ficção com forte base realista.
Elenco entre revelações e veteranos
Filmado na Amazônia, o longa traz a estreante Jamilli Correa como a protagonista Marcielle/Tielle, uma adolescente de 13 anos que começa a questionar o ciclo de violência que envolve sua família. O elenco ainda conta com Dira Paes, Fátima Macedo, Rômulo Braga e atores locais da região amazônica.
A personagem Aretha, vivida por Dira Paes, foi inspirada em figuras reais que atuam no combate à exploração infantil na região. “A Dira sempre foi um farol para mim, uma mulher que me inspira pelo seu ativismo e pela conexão com o Pará”, diz Marianna.
Jamilli Correa, sem experiência prévia em atuação, foi uma das grandes surpresas do projeto. “Ela tem uma força silenciosa e uma inteligência cênica raras”, resume a diretora.
Uma equipe de peso
O roteiro, vencedor do Sam Spiegel International Film Lab, foi assinado por Felipe Sholl, Marcelo Grabowsky, Marianna Brennand, Antonia Pellegrino, Camila Agustini e Carolina Benevides. A equipe técnica reúne nomes como o diretor de fotografia Pierre de Kerchove (“Paloma”, “Pico da Neblina”), o diretor de arte Marcos Pedroso (“Bicho de Sete Cabeças”, “Motel Destino”), a montadora Isabela Monteiro de Castro (“O Céu de Suely”, “Cidade Baixa”) e a figurinista Kika Lopes (“O Palhaço”, “Simonal”).
Sinopse
Na Ilha do Marajó, Marcielle, de 13 anos, vive com os pais e irmãos em um ambiente marcado pela precariedade e pela violência cotidiana. Admiradora da irmã mais velha, Claudinha, que teria “arrumado um homem bom” e ido embora, ela começa a perceber o peso das ilusões e decide enfrentar o ciclo de abuso que aprisiona as mulheres à sua volta.


