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Angel’s Egg | Clássico do Mamoru Oshii e Yoshitaka Amano tem estreia em novembro

Antes de revolucionar o gênero cyberpunk com Ghost in the Shell, Mamoru Oshii mergulhou nas profundezas do inconsciente em Angel’s Egg (Tenshi no Tamago), um projeto que uniu sua mente filosófica ao traço etéreo de Yoshitaka Amano. Lançado em 1985 e incompreendido em sua estreia, o filme se tornou um marco cult da animação experimental japonesa. Quatro décadas depois, retorna aos cinemas do mundo em sua estreia mundial em 20 de novembro da sua versão remasterizada em 4K, exibida pela primeira vez no Festival de Cannes 2025, na mostra Cinéma de la Plage.

Uma fábula pós-apocalíptica e simbólica

Ambientado em um mundo desolado, o filme acompanha uma menina que protege um misterioso ovo, sua fé sendo posta à prova ao cruzar o caminho de um rapaz que carrega uma cruz. A história é contada quase sem palavras e um poema visual que combina o silêncio contemplativo de Andrei Tarkovsky com a densidade simbólica da literatura cristã e do surrealismo europeu.

Oshii constrói um universo de ruínas e ecos espirituais, enquanto Amano transforma cada quadro em pintura: traços fluidos, sombras sutis e personagens de aparência quase divina. O resultado é uma experiência que transcende o anime como entretenimento, aproximando-o de uma obra de arte em movimento.

A estética de Yoshitaka Amano, a filosofia de Mamoru Oshii

A colaboração entre Oshii e Amano é o coração de Angel’s Egg. Se Oshii trouxe a introspecção e o questionamento existencial que marcariam toda a sua carreira, Amano ofereceu uma estética que mistura o sagrado e o onírico, algo que fãs de suas artes em Final Fantasy e Vampire Hunter D reconhecerão de imediato.

Segundo o próprio Oshii, o projeto nasceu de um desejo de “retirar a narrativa o máximo possível” e deixar que a animação comunicasse por sensações e símbolos. Essa decisão fez de Angel’s Egg um filme singular, com menos de 400 cortes, o que é um terço do habitual para produções da época e quase sem diálogos, mas com uma força visual que inspiraria gerações de criadores.

Da rejeição ao status de culto

Lançado originalmente direto para vídeo, Angel’s Egg confundiu o público e prejudicou temporariamente a carreira de Oshii, mas foi reverenciado por artistas e animadores japoneses. Nomes como Shoji Kawamori (Macross), Shunji Iwai (Love Letter) e Takashi Murakami exaltaram sua ousadia estética e filosófica. Com o tempo, o longa se tornou um rito de passagem para quem busca entender a animação como forma de expressão autoral.

Angel’s Egg estreia em 20 de novembro da sua versão remasterizada em 4K nos cinemas.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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