O 33º Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade encerrou mais uma edição em clima de celebração, e “Apolo”, dirigido por Tainá Müller e Isis Broken, foi um dos destaques da noite. O documentário emocionou público e júri, levando o Coelho de Prata de Melhor Longa Nacional e uma Menção Honrosa em Melhor Longa-Metragem. Para quem acompanha cinema brasileiro e narrativas LGBTQIAPN+, o reconhecimento consolida o impacto do filme, que já havia brilhado no Festival do Rio.
Exibido na Biblioteca Mário de Andrade, o longa conquistou o público pela força de sua história e pela maneira honesta com que retrata uma família transcentrada. A Menção Honrosa destacou exatamente essa urgência emocional: um filme que denuncia violências institucionais enquanto exalta amor, cuidado e resistência.
Para o júri, “Apolo” funciona como uma carta para o futuro, imaginando um país onde famílias LGBTQIAPN+, especialmente pessoas trans, existam com dignidade e celebração.
Durante a cerimônia, Tainá Müller comentou: “Foi uma batalha fazer ‘Apolo’, principalmente para Isis Broken e Lourenzo Gabriel. Ver essa família tão linda e fortalecida hoje é nossa maior recompensa.”
Depois do Festival do Rio, mais um ciclo de prestígio
A passagem de “Apolo” pelo MixBrasil acontece logo após sua premiada première nacional no Festival do Rio, onde venceu Melhor Documentário e Melhor Trilha Sonora Original, composta por Plínio Profeta.
O longa ainda ganha uma sessão extra no IMS Paulista nesta sexta-feira, 21/11, às 19h.
A estreia comercial está marcada para 27 de novembro de 2025, pela Biônica Filmes.
Uma história real sobre amor, resistência e novas formas de família
O documentário acompanha Isis Broken e Lourenzo Gabriel, um casal trans que vive a gestação do filho Apolo, enfrentando o choque dos preconceitos sociais e a beleza de construir uma família fora dos modelos tradicionais.
“O pai está dando à luz e a sociedade não está preparada para isso” — uma síntese que mostra a força da narrativa e a capacidade do cinema de expandir horizontes.
Tainá Müller estreia na direção de longas
Conhecida por personagens marcantes no cinema e na TV, Tainá revisita seu lado autoral ao assumir a direção. Ela conta que o impulso criativo renasceu durante a pandemia: “Eu buscava poesia até nas reportagens da MTV. ‘Apolo’ foi a chance de retomar essa inquietação, agora com minha experiência de artista e mãe.”
Isis Broken leva sua trajetória para trás das câmeras
Atriz, cantora e figura fundamental para a representatividade trans, Isis se lança na direção de longa pela primeira vez. Ela descreve o processo como intenso: “Expor nossa família em meio a tanto preconceito foi difícil, mas tínhamos apoio, coragem e amor.”
Além da direção, Isis reforça a relevância das discussões sobre famílias transcentradas e parentalidades trans: “É resistência, mas também construção de futuro.”
Um documentário que questiona o conceito de família
Para Tainá, o debate vai além do caso particular. Ela destaca que o conceito de “família” tem sido apropriado politicamente, mas que “Apolo” evidencia a diversidade real das formas de existir e criar vínculos.
O filme reforça que modelos familiares diferentes não só existem, como merecem respeito.
Sinopse
Acompanhamos a gestação de Apolo e os desafios de Isis Broken e Lourenzo Gabriel em uma sociedade que ainda não compreende a complexidade e a beleza de uma família transcentrada.
Ficha técnica (resumo)
- Direção: Tainá Müller e Isis Broken
- Roteiro: Tainá Müller, Tatiana Lohmann, Isis Broken e Lourenzo Duvale
- Produção: Capuri, Puro Corazón e Biônica Filmes
- Música original: Plínio Profeta
- Duração: 82 minutos
- Ano: 2025
- Gênero: Documentário
As produtoras por trás de “Apolo”
Capuri
Produtora independente reconhecida por documentários premiados e coproduções internacionais.
Biônica Filmes
Responsável por alguns dos maiores sucessos recentes do cinema nacional, combinando alcance comercial e força artística.
Puro Corazón
Criada por Tainá Müller e Henrique Sauer, une audiovisual e impacto social. “Apolo” é seu primeiro longa.
“Apolo” chega aos cinemas em 27 de novembro de 2025, trazendo não apenas prêmios, mas uma narrativa que ecoa com força no debate sobre diversidade, afeto e futuro.


