O 16º Festival de Cinema Francês do Brasil começa hoje em mais de cinquenta salas espalhadas pelo país, reforçando seu título de maior evento nacional dedicado ao cinema da França. Até 10 de dezembro, o público confere 20 longas inéditos no circuito brasileiro, além de um clássico, em uma seleção que reúne vencedores de Cannes, Veneza e produções que movimentam debates na crítica internacional.
Desde sua criação, o festival já acumulou mais de dois milhões de espectadores e mantém sua proposta de levar filmes franceses para cidades grandes e pequenas. Com gêneros que vão do drama ao suspense, passando pela comédia e pela animação, a programação promete atrair desde quem acompanha cinema de autor até quem gosta de descobrir novas perspectivas narrativas.
Isabelle Huppert e Pierre Richard brilham na delegação artística
Um dos grandes atrativos do festival é a presença de uma delegação artística que visita São Paulo e Rio de Janeiro para debates e encontros com o público. O destaque absoluto é Isabelle Huppert, convidada de honra, que apresenta seu novo filme A Mulher Mais Rica do Mundo, exibido em Cannes e inspirado na história real de uma herdeira envolvida em disputas familiares e gestos filantrópicos monumentais.
Outro nome aguardado é Pierre Richard, lenda da comédia francesa e homenageado desta edição. Além de lançar Sonho, Logo Existo, seu retorno à direção, ele ganha uma retrospectiva com quatro títulos clássicos da carreira, incluindo A Cabra e O Brinquedo.
A delegação ainda conta com Bastien Bouillon, Salif Cissé, Valérie Donzelli, Fabienne Godet, Victor Rodenbach e Jean Claude Barny, ampliando o diálogo entre público e criadores.
Destaques da seleção 2025
Premiados em Cannes e Veneza
Entre os mais esperados está Mãos à Obra, de Valérie Donzelli, vencedor de Melhor Roteiro no Festival de Veneza 2025. O longa acompanha um fotógrafo que abandona a carreira de sucesso para se dedicar à escrita.
Outro título de peso é Jovens Mães, dos irmãos Dardenne, premiado em Cannes. O filme retrata a rotina de cinco adolescentes e seus filhos em um abrigo, seguindo a linha social e emocional que o duo domina há décadas.
Clássicos contemporâneos e novas vozes
François Ozon chega com O Estrangeiro, adaptação ousada do romance de Albert Camus em uma estética preto e branco que evoca o cinema europeu dos anos 60. Já Julie Delpy assina a comédia Vizinhos Bárbaros, que explora o impacto da chegada de refugiados em uma pequena comunidade.
A nova geração também tem espaço com O Segredo da Chef, de Amélie Bonnin, que abriu Cannes e reforça o interesse atual do cinema francês por histórias humanas no limite entre humor e drama.
Suspenses, dramas e narrativas reais
O festival também traz produções que mergulham em fatos recentes. 13 Dias 13 Noites, de Martin Bourboulon, reconstrói a corrida para evacuar civis afegãos durante a retomada do Talibã em 2021. Já Fanon, de Jean Claude Barny, revisita a vida do psiquiatra e pensador Frantz Fanon, figura-chave nos debates sobre colonialismo.
Para quem busca emoção familiar, Era Uma Vez Minha Mãe adapta o livro autobiográfico de Roland Perez em uma história sobre superação e afeto incondicional.
Comédias, animações e esportes no cinema
O humor francês também ocupa espaço importante na programação. Voz de Aluguel, de Fabienne Godet, acompanha um imitador que vira atendente de chamadas, e Os Bastidores do Amor, de Victor Rodenbach, brinca com rivalidades artísticas dentro de um casal do teatro.
A animação Maya Me Dê Um Título, de Michel Gondry, aparece como opção para toda a família, enquanto o thriller Mercato os donos da bola mergulha nos bastidores do futebol profissional.
Onde assistir
O festival ocupa salas em mais de cinquenta cidades, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília, Manaus e muitas outras. O valor do ingresso segue o preço habitual de cada exibidor.
A lista completa e sempre atualizada está disponível no site oficial do festival.
Cinema como espaço de resistência
Para os diretores e curadores do evento, Christian e Emmanuelle Boudier, o festival ganha ainda mais sentido no momento político mundial. Eles destacam o cinema como ferramenta de reflexão e de encontro, capaz de abrir diálogos que ultrapassam fronteiras e tensões.
Bastidores, fotos e materiais
O festival disponibilizou cartaz, vinheta, galeria de fotos dos filmes e da delegação, além de sinopses detalhadas, todos acessíveis no site oficial.
Vinheta
Um festival que virou tradição no Brasil

Realizado pela Bonfilm, o Festival de Cinema Francês do Brasil evoluiu de uma mostra para um dos eventos cinematográficos mais aguardados do ano. A produtora também organiza o festival Ópera na Tela e coordena o Espaço Cultural CNP de Realidade Virtual, reforçando sua atuação na difusão audiovisual.


