O documentário YANUNI, coproduzido pela cacica e ativista ambiental Juma Xipaia e pelo ator Leonardo DiCaprio, sob direção de Richard Ladkani (Perseguição em Alto Mar, O Extermínio do Marfim), foi eleito pelo público como Melhor Documentário na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A premiação, uma das mais respeitadas do país, reforça a trajetória do filme em festivais internacionais e consolida sua candidatura a uma vaga no Oscar 2026.
O longa acompanha a vivência das comunidades indígenas amazônicas na luta contra o garimpo ilegal e a mineração industrial, transformando a defesa dos territórios em uma batalha profundamente pessoal de Juma Xipaia, cacica da aldeia Kaarimã, e de seu marido, o agente do Ibama Hugo Loss.
“Este filme é a prova de que conseguimos transmitir nossa mensagem de forma profunda, capaz de gerar conexões. Esta não é apenas uma luta indígena; é uma luta pela própria existência da humanidade e do planeta”, afirma Juma.
Percurso internacional e reconhecimento

YANUNI estreou mundialmente no Festival de Tribeca, em junho, e desde então acumula prêmios e indicações: conquistou destaque no Montrose LandXSea Film Festival, recebeu o Grand Teton do Jackson Wild Media Award — considerado o Oscar do cinema de natureza — e venceu como melhor documentário no Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF).
O filme foi indicado pelo público da Mostra de São Paulo como Melhor Documentário, sinalizando o impacto que gera não apenas entre críticos, mas também entre espectadores. A narrativa da liderança de Juma, aliada à atuação de Hugo Loss no combate ao garimpo, constrói um retrato íntimo e urgente sobre os efeitos da exploração da Amazônia.
Entre maternidade, ativismo e resistência
A história de Juma Xipaia se entrelaça com sua maternidade e com a pressão de liderar sua comunidade em meio a ameaças constantes. Enquanto Juma enfrenta tentativas de assassinato por sua resistência contra garimpeiros e corporações multinacionais, Hugo Loss coordena operações de fiscalização do Ibama, expondo os impactos da mineração ilegal sobre os povos indígenas.
O documentário apresenta, ainda, vozes das artistas indígenas Katu Mirim e Djuena Tikuna, responsáveis pela trilha sonora, garantindo que a estética sonora seja tão representativa quanto a narrativa cinematográfica.
Próximos passos na corrida pelo Oscar
Juma Xipaia será uma das vozes de lideranças indígenas no palco do Global Citizen Festival: Amazônia, em Belém, no dia 1º de novembro, evento que reúne ativistas e artistas para ampliar campanhas de ação climática às vésperas da COP30.
Na sequência, a cacica embarca para os Estados Unidos, onde YANUNI seguirá em festivais internacionais como parte da corrida pela indicação ao Oscar, figurando entre os candidatos segundo o site Deadline, referência no mercado audiovisual global.
Sobre YANUNI
Produzido pela Malaika Pictures em associação com Appian Way, Nia Tero, Age of Union e Tellux Group, o documentário é uma co-produção entre Áustria, Brasil, Estados Unidos, Canadá e Alemanha, reunindo um elenco e equipe que combinam liderança indígena, ativismo ambiental e cinema de alto impacto.
Ficha Técnica

Direção: Richard Ladkani
Produção: Juma Xipaia, Leonardo DiCaprio, Anita Ladkani, Richard Ladkani, Jennifer Davisson, Phillip Watson
Produção Executiva: Dax Dasilva, Joanna Natasegara, Laura Nix, Erick Terena, Martin Choroba, Philipp Schall
Roteiro e Cinegrafia: Richard Ladkani
Editor: Georg Michael Fischer, bfs
Trilha sonora: Katú Mirim
Vocais: Djuena Tikuna
Elenco: Juma Xipaia, Hugo Loss
Liderança indígena em evidência
Juma Xipaia tornou-se em 2016 a primeira mulher cacica do povo Xipaia. Sua trajetória combina defesa de direitos humanos e ambientais, resistência contra invasões e mineração, e a promoção da cultura e autodeterminação indígena. Sobreviveu a seis tentativas de assassinato e continua lutando pela proteção de territórios ancestrais e pela preservação da Amazônia.
Hugo Loss, com mais de dez anos de atuação no Ibama, é referência na fiscalização ambiental e na proteção de terras indígenas, tendo enfrentado perseguições políticas durante governos passados. Juntos, Juma e Hugo transformam YANUNI em um retrato do ativismo indígena contemporâneo, íntimo e global.

