O palco Thunder by Claro tv+ recebeu um dos encontros mais aguardados da CCXP25. No terceiro painel do dia, os apresentadores Marcelo Forlani e Mari Viana conduziram uma conversa afiada com Bilquis Evely, quadrinista brasileira que se tornou referência mundial e vencedora do Prêmio Eisner de Melhor Desenhista. Com casa cheia, o bate-papo percorreu desde os primeiros passos da artista até seus trabalhos mais recentes para a DC Comics, sempre com foco no fazer artístico e na relação entre técnica, emoção e narrativa.
Bilquis relembrou como sua trajetória foi construída página por página, conciliando estudo, experimentação e uma busca constante por identidade visual. Ao longo da conversa, ficou claro que seu sucesso não veio de fórmulas prontas, mas de um processo atento ao detalhe e ao significado de cada escolha gráfica.
Processo criativo, técnica e escolhas artísticas

Um dos momentos mais comentados do painel foi quando a artista falou abertamente sobre seu processo criativo. Bilquis explicou que prefere métodos mais tradicionais de desenho, valorizando o contato direto com o papel e o pincel. Segundo ela, esse caminho permite explorar texturas, linhas e imperfeições que ajudam a dar vida às páginas.
“Cada página é um desafio muito grande. Com um pincel eu consigo fazer uma linha fina, testar texturas. Então, gosto do modelo mais tradicional”, comentou, ao detalhar como constrói ritmo e emoção em suas HQs. A fala rendeu identificação imediata com estudantes de arte e quadrinistas iniciantes que acompanhavam o painel atentos, muitos anotando dicas e observações.
Personagens icônicos e narrativas sensíveis
Ao revisitar sua carreira, Bilquis destacou trabalhos que marcaram sua evolução artística e a projeção internacional. Entre eles, suas passagens por Mulher-Maravilha, a aclamada releitura do universo de Sonhar e, mais recentemente, sua versão de Supergirl, que conquistou leitores pela combinação de delicadeza visual e força emocional.
Para a artista, o que une esses projetos é a possibilidade de trabalhar personagens fantásticos sem perder o olhar humano. Ela reforçou a importância da representação e da empatia nas histórias em quadrinhos, defendendo narrativas que dialoguem com sentimentos reais mesmo quando ambientadas em mundos imaginários.
Parcerias e expectativas para o futuro
O painel também contou com a participação de Matheus Lopes, colorista e parceiro frequente de Bilquis Evely. Ele comentou sobre o trabalho em conjunto, explicando como a cor atua como extensão do traço e da narrativa. Matheus ainda compartilhou sua empolgação com o novo filme da Supergirl, destacando como diferentes mídias ajudam a ampliar o alcance dos personagens e das histórias.
Encerrando o encontro, Bilquis deixou uma mensagem direta para quem sonha em seguir carreira nos quadrinhos. Persistência, estudo constante e respeito ao próprio ritmo foram alguns dos pontos destacados, reforçando que não existe um único caminho para chegar lá.
A passagem de Bilquis Evely pela CCXP25 não foi apenas um painel sobre carreira, mas uma aula aberta sobre arte, sensibilidade e construção de histórias. Um daqueles momentos que seguem reverberando bem depois que as luzes do palco se apagam.


