InícioMangáCity Hunter chega oficialmente ao Brasil em 2026 pela Pipoca e Nanquim

City Hunter chega oficialmente ao Brasil em 2026 pela Pipoca e Nanquim

City Hunter, um dos mangás mais emblemáticos da era de ouro da Weekly Shōnen Jump, finalmente tem lançamento confirmado no Brasil. O anúncio foi feito no dia 6 de dezembro, durante o Palco Blast da CCXP25, quando a editora Pipoca e Nanquim revelou que publicará a obra de Tsukasa Hojo a partir de 2026. O plano é ambicioso e já chama atenção dos fãs: a edição brasileira será organizada em 12 volumes, com quatro deles previstos ainda para 2026, adaptando o conteúdo original dos 35 tankōbon japoneses.

Criado por Tsukasa Hojo, City Hunter foi serializado entre 1985 e 1991 e rapidamente se consolidou como um dos títulos mais populares da Shonen Jump, misturando ação urbana, comédia adulta, romance mal resolvido e personagens carismáticos. É também uma obra que ajuda a entender a transição do mangá de ação dos anos 80 para narrativas mais cinematográficas, algo que influenciaria gerações seguintes.

Anúncio na CCXP25

Ryo Saeba e o submundo de Shinjuku

A história acompanha Ryo Saeba, um “sweeper” que atua nas sombras de Tóquio resolvendo problemas que a polícia não consegue ou não quer enfrentar. Detetive particular, guarda-costas ocasional e atirador de elite, Ryo atende seus clientes por meio de um código simples escrito em quadros negros da estação de Shinjuku: XYZ. Apesar da fama como profissional impecável, sua maior fraqueza é o comportamento exageradamente mulherengo, que rende tanto situações cômicas quanto conflitos emocionais ao longo da série.

Após a morte de seu parceiro Hideyuki Makimura, Ryo passa a trabalhar ao lado de Kaori Makimura, irmã adotiva de Hideyuki. Kaori assume o papel de mediadora com os clientes e rapidamente se torna o contraponto emocional da série. Entre marteladas gigantes, ciúmes, silêncios e gestos não ditos, City Hunter constrói uma das dinâmicas românticas mais icônicas do mangá shonen.

Personagens que definiram uma era

Além de Ryo e Kaori, o universo de City Hunter é povoado por figuras marcantes. Hideyuki Makimura, cuja morte dá início à formação definitiva da dupla principal, representa o senso de justiça que move a série. Umibōzu, também conhecido como Falcon, começa como inimigo e se torna aliado fiel, trazendo força bruta, humor inesperado e uma humanidade que cresce ao longo da trama. Miki, órfã de guerra criada por Umibōzu, adiciona novas camadas ao grupo, especialmente com o café Cat’s Eye, que se torna ponto central de encontros, conflitos e alianças.

Do mangá para o mundo

O sucesso de City Hunter extrapolou rapidamente as páginas da Jump. Entre 1987 e 1991, a obra ganhou quatro séries de animê produzidas pela Sunrise, totalizando mais de 140 episódios, além de especiais de TV, OVAs e diversos filmes animados, incluindo um longa lançado em 2019 que reacendeu o interesse global pela franquia.

De Jackie Chan à Netflix

A força de City Hunter fora do mangá também se reflete em suas adaptações live-action, que atravessam décadas e estilos bem diferentes entre si. A primeira delas chegou aos cinemas em 1993, em uma produção de Hong Kong dirigida por Wong Jing e estrelada por Jackie Chan. O filme, lançado no Ano Novo Chinês, apostou em uma abordagem escancaradamente cômica e exagerada, transformando Ryo Saeba em um protagonista mais próximo do humor físico característico de Chan. Mesmo se afastando do tom original do mangá, a adaptação se tornou cult, especialmente por suas cenas de ação absurdas e pela icônica sequência inspirada em Street Fighter II, que marcou a memória de uma geração.

Já em 2024, City Hunter ganhou sua adaptação live-action japonesa, produzida pela Netflix, em um projeto que buscou maior fidelidade ao material original de Tsukasa Hojo. Dirigido por Yūichi Satō, o filme traz Ryohei Suzuki no papel de Ryo Saeba e Misato Morita como Kaori Makimura, apostando em uma combinação mais equilibrada entre ação, comédia e drama. Diferente da versão dos anos 90, o longa japonês se aproxima do clima urbano do mangá e reforça a dinâmica emocional entre Ryo e Kaori, sem abrir mão do humor característico da obra. A trilha sonora também dialoga diretamente com os fãs de longa data, com “Get Wild Continual”, da TM Network, atualizando um dos temas mais emblemáticos da franquia.

Spin-offs e universos paralelos

O mundo criado por Tsukasa Hojo também se expandiu por caminhos inesperados. Angel Heart, iniciado em 2001, apresenta uma realidade alternativa em que Kaori está morta e seu coração é transplantado para uma nova protagonista. Já Kyō Kara City Hunter aposta no isekai ao colocar uma fã adulta de Ryo Saeba reencarnando dentro do universo da série. Há ainda derivados focados em personagens específicos, como Umibōzu, mostrando a força duradoura da franquia.

Um lançamento aguardado há décadas

A chegada de City Hunter ao Brasil pela Pipoca e Nanquim preenche uma lacuna histórica no mercado nacional de mangás. Mesmo com anime exibido na TV e filmes amplamente conhecidos, a obra original nunca havia recebido uma publicação oficial por aqui. O anúncio na CCXP25 não apenas empolgou fãs antigos, como também abre espaço para que novos leitores descubram um dos títulos mais influentes dos anos 80.

Com uma edição planejada, publicação contínua e um nome de peso no catálogo, City Hunter tem tudo para se tornar um dos lançamentos mais comentados de 2026. Agora, resta acompanhar como Ryo Saeba e Kaori Makimura vão conquistar, oficialmente, as estantes brasileiras.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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