A presença da cultura asiática ganhou ainda mais força na CCXP em um momento simbólico para o evento, que anunciou a expansão da marca para a Coreia do Sul. No meio desse movimento global, o Artists’ Valley virou palco para um encontro bem mais íntimo entre referências culturais. Monge Han, quadrinista de origem coreana e trajetória construída no Brasil, marcou sua quinta participação na CCXP apresentando um trabalho que dialoga diretamente com essa mistura de mundos.
Aos 34 anos, vindo de Curitiba, o artista celebrou a chance de mostrar novidades ao público, com destaque para o volume 2 de Daruma, obra que transita entre realidade e fantasia e reforça seu estilo autoral. O quadrinho amplia o universo criado por Monge, combinando simbolismos orientais com uma narrativa acessível ao leitor brasileiro, algo que se tornou marca registrada do artista ao longo dos anos.
Amarelo, memória e processo criativo
Durante o evento, Monge Han também revisitou suas primeiras criações e falou sobre elementos recorrentes de sua arte, como o uso simbólico da cor amarela. Mais do que estética, a escolha funciona como um elo emocional entre fases distintas de sua carreira e experiências pessoais. Para ele, a CCXP segue sendo um espaço essencial justamente por permitir esse contato direto com quem acompanha seu trabalho.
Segundo o quadrinista, é no olho no olho que ele percebe o impacto real das histórias que cria. Ver como seus personagens e narrativas atravessam a vida das pessoas é parte fundamental do processo. Monge também comentou sobre os desafios para novos artistas em um cenário cada vez mais digital, defendendo a adaptação às plataformas online sem transformar o medo de errar em um freio criativo.
Fãs, redes sociais e encontros ao vivo
O estande de Monge Han recebeu fãs que acompanham sua trajetória há anos, muitos deles vindos das redes sociais. Entre eles estava Raphaela Mendes, 28, revisora de documentos, que participou da CCXP pela primeira vez e fez questão de garantir uma arte exclusiva. Admiradora antiga do artista, ela destacou a força dos traços e a identidade visual como fatores que a conectaram ao trabalho de Monge muito antes do encontro presencial.
Esse tipo de troca resume bem o clima do Artists’ Valley, onde a relação entre criador e público acontece de forma direta, sem filtros. Para Monge, esse espaço continua sendo um dos grandes diferenciais da CCXP, especialmente em um momento em que a produção artística circula cada vez mais no ambiente digital.
CCXP Korea e a expansão da cultura pop
A conexão com a cultura coreana ganha um novo peso com o anúncio da CCXP Korea, que inaugura uma nova fase para a marca. A expansão reforça o posicionamento da CCXP como um evento que pensa cultura pop de forma global, sem perder de vista as cenas locais e seus artistas.
A edição coreana será realizada no próximo ano em parceria com a EXPORUM Inc., empresa responsável pela PopCon e reconhecida pela atuação em grandes eventos no país. A chegada ao mercado sul-coreano amplia o alcance da CCXP e cria novas pontes culturais, algo que já se reflete, na prática, em trajetórias como a de Monge Han, onde Brasil e Ásia se encontram na mesma página dos quadrinhos.


