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Dias e Dias transforma o cotidiano em cinema e revela desigualdades que atravessam São Paulo

Entre o relógio que corre e o desejo de desacelerar, Dias e Dias nasce como um retrato sensível da juventude periférica em São Paulo. O média-metragem acompanha rotinas que se repetem, deslocamentos longos e escolhas que pesam, mas também encontra espaço para esperança e imaginação. A estreia está prevista para 2026, e o trailer já indica um filme interessado menos em respostas fáceis e mais em observar o tempo de quem trabalha, espera e sonha.

A cidade como percurso e símbolo

A narrativa acompanha Caíque, jovem fotógrafo dividido entre a estabilidade do emprego e a vontade de viver de arte. No trajeto entre a periferia da Zona Sul e o Centro, a mobilidade urbana deixa de ser apenas deslocamento e passa a revelar desigualdades sociais, cansaço e pequenas pausas de contemplação. São Paulo surge como cenário vivo, filmado entre extremos que dialogam o tempo todo.

Cinema feito por quem vive a história

Dirigido pela dupla 2Vilão, formada por Mary Abrantes e Peri, Dias e Dias é fruto direto da experiência de jovens profissionais da periferia. A produção reúne talentos formados pelo Instituto Criar, ONG que atua desde 2003 na formação audiovisual de jovens de territórios periféricos. Quase toda a equipe vem desses espaços, o que se reflete no olhar atento aos detalhes do cotidiano e na forma como o filme se aproxima dos dias comuns.

Segundo os diretores, o projeto nasce do desejo de observar o tempo que costuma passar despercebido. Os dias que parecem iguais, mas carregam pequenas transformações. A câmera funciona como um diário visual que acompanha o movimento de continuar, mesmo quando tudo parece estagnado.

Elenco e personagens em sintonia com a proposta

O elenco principal reúne Bias, Larissa Diaz, Nando Bárá, Elias Cardoso e Felipe Paraguassu. Bias interpreta Caíque, enquanto Larissa Diaz vive Nara. Nando Bárá, Elias Cardoso e Felipe Paraguassu completam o núcleo central com personagens que atravessam esse cotidiano marcado por escolhas difíceis e afetos silenciosos.

Produção, apoios e contexto

Dias e Dias foi realizado por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da Petrogal Brasil, parceria JV Galp e Sinopec. A produção é da Fílmica, com apoio institucional do Instituto Criar e realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal. O projeto reforça a importância de políticas de incentivo para que novas vozes consigam transformar vivência em linguagem cinematográfica.

Ficha técnica do filme

Título: Dias e Dias
Direção: 2Vilão, Mary Abrantes e Peri
Roteiro: Guilherme Candido
Produção: Fílmica
Produção executiva: Ana Inez Eurico
Elenco: Bias como Caíque, Larissa Diaz como Nara, Nando Bárá como Raimundo, Elias Cardoso como Inácio, Felipe Paraguassu como Sérgio
Direção de fotografia: Pedro Viana
Direção de arte: Marghe Pennacchi
Consultoria de projeto: Dani Godoy, DG Produções
Ano de produção: 2025
Ano de lançamento: 2026
Gênero: Drama
Duração: 20 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
País de origem: Brasil
Idioma: Português

Trailer

Pôsteres

Um filme sobre seguir em frente

Mais do que um recorte social, Dias e Dias observa o gesto de continuar. Entre a urgência de sobreviver e o desejo de existir de forma plena, o média-metragem aposta no cotidiano como espaço de resistência e criação. Um filme que conversa com quem cruza a cidade todos os dias e ainda insiste em sonhar, um dia de cada vez.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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