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La Chimera | Carol Duarte fala sobre a estreia do filme na Filmicca

A Filmicca encerra 2025 com uma aposta forte no cinema de autor contemporâneo. La Chimera, de Alice Rohrwacher, chega à plataforma em 26 de dezembro trazendo Carol Duarte dividindo a cena com Josh O Connor e Isabella Rossellini. A presença da atriz brasileira, que já havia conquistado público e crítica com A Vida Invisível, abre uma nova camada de leitura dentro da filmografia da diretora italiana, conhecida por costurar realismo, mito e fabulação.

Um encontro entre Itália, Brasil e Toscana

Atriz brasileira Carol Duarte, protagonista de ‘La Chimera’ (2023)

Carol Duarte vive Itália, uma imigrante brasileira que trabalha como doméstica na casa de Flora, personagem de Isabella Rossellini. O núcleo se expande quando Itália cruza o caminho de Arthur, interpretado por Josh O Connor, um ex-arqueólogo recém saído da prisão e carregado por uma busca quase metafísica por sua “quimera”. É um universo marcado por luto, objetos arqueológicos e personagens em trânsito, onde cada gesto revela a tensão entre passado e futuro.

A atriz comenta que a parceria com Rossellini foi decisiva para construir o tom da personagem, ressaltando a troca em cena e o prazer de trabalhar com alguém que ela considera “uma das atrizes mais interessantes de se contracenar”. Sobre Josh O Connor, Carol destaca a potência do colega: “Ele faz um personagem introspectivo, ligado a um passado que o assombra. Minha personagem está conectada com o futuro, então criamos um equilíbrio bonito. Ele foi um parceiro incrível, um amigo que levo para a vida.”

A química do elenco rendeu a La Chimera o prêmio de Melhor Performance do Elenco no Festival Internacional de Cinema de Chicago, reforçando o prestígio que o longa já havia conquistado após sua passagem por Cannes, onde venceu o Prêmio AFCAE e concorreu à Palma de Ouro.

A construção da personagem e o olhar de Alice Rohrwacher

Carol Duarte descreve o processo de criação como desafiador e guiado pela poesia particular da diretora. Para ela, Rohrwacher trabalha em uma fronteira delicada entre realidade e fantasia, com ecos de Fellini e Pasolini. Essa mistura de sutileza e estranhamento exigiu referências específicas. Giulietta Masina, por exemplo, foi uma inspiração central para encontrar a fina linha em que a personagem se equilibra, sem cair no drama absoluto ou na comédia aberta.

“É um filme com uma poesia muito própria”, afirma a atriz, destacando que La Chimera exige um olhar atento para perceber as sutilezas que movem cada personagem. A obra passou ainda pelos festivais de Telluride e Valladolid antes de chegar ao catálogo brasileiro.

A trajetória de Carol Duarte antes de La Chimera

A atuação em produções nacionais como A Vida Invisível e Malu moldou a presença da atriz no cinema contemporâneo. No longa de Karim Aïnouz, Carol recebeu reconhecimento internacional ao vencer o Prêmio Platino de Melhor Atriz. Em Malu, de Pedro Freire, conquistou o Troféu Redentor como Melhor Atriz Coadjuvante e chegou novamente ao Grande Otelo. Na televisão, sua interpretação como Ivan Garcia em A Força do Querer a consolidou como uma voz relevante dentro das discussões LGBTQIAPN+.

La Chimera marca mais um capítulo desse percurso, ampliando a presença brasileira em produções internacionais e reforçando a versatilidade da atriz.

O que esperar de La Chimera

A narrativa gira em torno das buscas individuais que movem seus personagens. Para alguns, a quimera é lucro fácil; para Arthur, é a sombra de um amor perdido. A jornada atravessa cidades, florestas e celebrações, sempre com a sensação de que o invisível habita cada detalhe do cenário. É um filme que dialoga com memória, perda e desejo de transcendência, temas recorrentes na filmografia de Rohrwacher.

Como assistir na Filmicca

O longa estará disponível a partir de 26 de dezembro no site da Filmicca e nos apps para Smart TVs, Apple TV, Amazon Fire TV e dispositivos Android e iOS, com opções de assinatura mensal ou anual e modalidades de acesso via Pix.

A Filmicca como espaço de cinema autoral

Criada por Gracielly Pinto, a Filmicca se firma como um catálogo dedicado ao cinema cult e autoral, valorizando obras dirigidas por mulheres, narrativas LGBTQIAPN+, produções negras e novos realizadores. O acervo reúne cerca de 500 títulos, indo de Chantal Akerman a Kiyoshi Kurosawa, passando por Cronenberg, Mia Hansen Løve e André Novais Oliveira.

Com La Chimera, a plataforma fecha o ano destacando a presença brasileira em uma produção que atravessa fronteiras e reafirma o espaço do cinema poético e inventivo no streaming.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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