A Cinemateca Brasileira fecha o ano com uma programação que tem tudo para mobilizar quem acompanha o cinema independente: de 4 a 14 de dezembro, a Mostra Cinema de Periferia reúne duas décadas e meia de narrativas criadas nas margens urbanas do país. São 35 filmes entre curtas, longas, ficções e documentários que retratam a força, a imaginação e a crítica social da produção periférica brasileira, em um recorte que dialoga diretamente com o presente.
O evento celebra os 20 anos de Rap, o canto da Ceilândia, curta de Adirley Queirós lançado em 2005 e considerado um marco por abrir caminho para cineastas que filmam suas próprias comunidades. A partir dos anos 2010, esse movimento se expandiu com produtoras independentes, estéticas próprias e narrativas que confrontam a lógica hegemônica de representação do Brasil urbano.
O impacto cultural do cinema periférico
A mostra, com curadoria do pesquisador Wilq Vicente e do coletivo Quilombarte, de Paraisópolis, destaca como filmar se tornou um gesto de autonomia e participação política. Os filmes selecionados abordam o cotidiano, as lutas e as possibilidades de fabulação de suas comunidades, construindo identidades que desafiam discursos dominantes e ocupam espaços cada vez mais sólidos em festivais, salas de cinema e pesquisas acadêmicas.
Além das sessões, o evento marca o lançamento do livro “Cinema de Periferia: Narrativas do Século 21”, escrito por Wilq Vicente e publicado pela Editora Funilaria. A publicação dialoga diretamente com a programação ao mapear trajetórias, estilos e transformações do cinema periférico contemporâneo.
Destaques da programação
PROGRAMAÇÃO
04/12, quinta-feira (20h – 21h50)
Fluxo, o filme (Filipe Barbosa, 2023, 14 min)
Branco sai, preto fica (Adirley Queirós, 2014, 93 min)
05/12, sexta-feira (17h – 19h)
Marte um (Gabriel Martins, 2022, 115 min)
05/12, sexta-feira (19h30 – 21h20)
5x favela, agora por nós mesmos (Cacau Amaral, Cadu Barcellos, Luciana Bezerra, Manaira Carneiro, Rodrigo Felha, Wagner Novais, Luciano Vidigal, 2010, 96 min)
06/12, sábado (15h – 16h)
A ilusão viaja de baú e a liberdade de bike (Movimento do Vídeo Popular, 2008, 11 min)
Fuji (Kauê André, 2024, 11 min)
Da ponte pra cá (Isabela Alves, 2022, 23 min)
Eu não ganhei esse edital (Júlio Pecly, 2009, 7 min)
06/12, sábado (17h – 19h)
Debate “Formação de cinema na periferia”
Priscila Machado (Instituto Criar), Eliana Fonseca (É Nóis na Fita), Marina Zaslawski Baião (SPCine), Tammy Weiss (Instituto Querô) / Mediação: Elissandro dos Santos
06/12, sábado (19h30 – 20h50)
Perifericu (Nay Mendl, Vita Pereira, Stheffany Fernanda, Rosa Caldeira, 2019, 20 min)
Videolência (Núcleo de Comunicação Alternativa, 2009, 60 min)
07/12, domingo (14h – 15h10)
Modesto (Flávia Dantas, 5 min)
Santo ofício (Gustavo Paixão, 2024, 10 min)
Engole o choro (Fabio Rodrigo, 2023, 11 min)
Ruim é ter que trabalhar (Lincoln Péricles, 2015, 9 min)
Vivência011: cotidiano e modas periféricas (Wesley Xavier, 2022, 30 min)
07/12, domingo (15h30 – 16h40)
Menina mulher da pele preta – parte 1 (Renato Candido, 70 min)
07/12, domingo (17h – 19h)
Mutirão: o filme (Lincoln Péricles, 2022, 10 min)
Não existe almoço grátis (Marcos Nepomuceno, Pedro Charbel, 2023, 74 min)
Sessão seguida de lançamento do livro “Cinema de Periferia: Narrativas do Século 21”, de Wilq Vicente
07/12, domingo (19h30 – 21h45)
Racionais: das ruas de São Paulo pro mundo (Juliana Vicente, 2022, 116 min)
10/12, quarta-feira (20h – 22h)
Quarto de desejo (Adaylton José, Felipe Cavalcanti França, Helder Lopes, Ingá, Jefferson Silva e Paloma Luna, 2025, 25 min)
Kasa branca (Luciano Vidigal, 2025, 96 min)*
*O filme Kasa branca terá uma sessão no dia 18/12 na Ocupação Elza Soares, realizada pelo Cinema Sem Teto, com o apoio da Cinemateca Brasileira e da Vitrine Filmes
11/12, quinta-feira (20h – 21h40)
Rap, o canto da Ceilândia (Adirley Queirós, 2005, 15 min)
A vizinhança do tigre (Affonso Uchôa, 2014, 94 min)
12/12, sexta-feira (17h30 – 18h35)
Mancha (Bruno Maciel, 2025, 8 min)
Quase trap (Filipe Barbosa, 2024, 23 min)
Mas eu não sou alguém? (Daniel Eduardo, Gabriel Duarte, 2021, 13 min)
Com você, eu vou (Ellie Sasi, 2024, 19 min)
13/12, sábado (17h30 – 19h30)
Debate “O mercado para o cinema periférico”
Renato Cândido (Menina mulher da pele preta – parte 1), Rosa Caldeira (Perifericu), Quézia Lopes (Corpos invisíveis) / Mediação: Wilq Vicente
13/12, sábado (20h – 21h40)
Kbela (Yasmin Thayná, 2015, 22 min)
Corpos invisíveis (Quézia Lopes, 2023, 76 min)
14/12, domingo (15h – 16h50)
Café com canela (Ary Rosa, Glenda Nicácio, 2017, 102 min)
14/12, domingo (17h30 – 19h30)
Qual centro? (Coletivo Nossa Tela, 2010, 15 min)
Tijolo por tijolo (Victória Álvares, Quentin Delaroche,2024, 103 min)
A Cinemateca como espaço de preservação e encontro
A Mostra Cinema de Periferia acontece em um dos locais mais simbólicos do audiovisual brasileiro. Com mais de 40 mil títulos preservados e acesso público a preciosidades como coleções da Vera Cruz, Atlântida e do período silencioso, a Cinemateca Brasileira reforça seu papel de memória e de circulação cultural ao abrir suas salas para produções que ampliam a visão de Brasil.
A instituição funciona diariamente para visitação de espaços públicos e recebe o público das sessões conforme a grade da programação. Os ingressos são gratuitos e distribuídos uma hora antes de cada atividade. As sessões acontecem na Sala Grande Otelo, Sala Oscarito e na área externa.
Serviço
Mostra Cinema de Periferia – Cinemateca Brasileira
De 4 a 14 de dezembro
Endereço: Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana, São Paulo
Ingressos: gratuitos, retirados 1h antes de cada sessão
Salas: Grande Otelo, Oscarito e área externa

