InícioFilmesO Trono chega ao Viki no Brasil e revisita um dos capítulos...

O Trono chega ao Viki no Brasil e revisita um dos capítulos mais sombrios da história coreana

O catálogo do Viki no Brasil acaba de receber O Trono, drama histórico sul-coreano de 2015 que transforma um episódio real da dinastia Joseon em um retrato duro sobre autoridade, expectativas e violência simbólica dentro da realeza. Dirigido por Lee Joon Ik, o filme acompanha o reinado do rei Yeongjo, vivido por Song Kang Ho, e a relação cada vez mais insustentável com seu filho, o Príncipe Herdeiro Sado, interpretado por Yoo Ah In.

Ambientada ao longo de décadas, a narrativa parte do esforço de Yeongjo para se firmar como um governante exemplar, tentando apagar rumores sobre sua origem humilde e a morte do próprio irmão. Esse peso recai diretamente sobre Sado, educado desde cedo para corresponder a um ideal rígido de rei, mesmo demonstrando inclinação para a arte, a pintura e a esgrima. O conflito entre pai e filho cresce em silêncio até atingir um ponto sem retorno dentro do palácio.

O baú de arroz que virou símbolo histórico

O momento mais conhecido da história de Sado estrutura o filme. Acusado de conspiração após 35 anos de reinado de Yeongjo, o príncipe recebe a ordem de tirar a própria vida. Ao se recusar, acaba trancado pelo próprio pai em um grande baú de madeira no pátio do palácio, condenado a morrer lentamente ao longo de oito dias. A partir desse ponto, O Trono alterna entre o presente da prisão e flashbacks que revelam como a relação entre os dois chegou a esse desfecho.

Lee Joon Ik constrói essa dinâmica sem simplificações. Yeongjo surge como um pai controlador, marcado por traumas e pela lógica cruel da política palaciana. Sado, por sua vez, é apresentado como sensível, inteligente e progressivamente esmagado por expectativas impossíveis. O filme também destaca o papel das intrigas da corte, das disputas entre facções e da solidão estrutural do poder.

Religião, culpa e loucura como consequência

Com o passar dos anos, o desgaste emocional transforma Sado. O personagem mergulha em episódios de instabilidade, alcoolismo e fanatismo religioso, enquanto o rei intensifica sua humilhação pública. A presença da Rainha Viúva como figura protetora do príncipe adiciona outra camada trágica à narrativa, sobretudo quando decisões políticas levam a consequências irreversíveis para toda a família real.

A história não busca absolver nem demonizar totalmente seus personagens. O foco está na engrenagem que transforma afeto em rivalidade e sangue em ferramenta de governo, reforçando a ideia de que, dentro do palácio, laços familiares raramente sobrevivem ao trono.

Elenco de peso e reconhecimento internacional

Além de Song Kang Ho e Yoo Ah In, o elenco reúne nomes importantes do cinema e da televisão sul-coreana. Moon Geun Young interpreta Lady Hyegyeong, esposa de Sado, em seu retorno ao cinema após oito anos. O filme também conta com Jeon Hye Jin, Kim Hae Sook, Park Won Sang, Seo Yea Ji, Park So Dam e uma participação especial de So Ji Sub como o futuro rei Jeongjo.

Lançado em 2015, O Trono venceu três prêmios no Korean Association of Film Critics Awards, incluindo Melhor Filme, e foi a escolha da Coreia do Sul para representar o país no Oscar de Filme Internacional. Com orçamento estimado em 8,3 milhões de dólares, a produção arrecadou cerca de 45,9 milhões nas bilheteiras.

Um clássico moderno agora acessível ao público brasileiro

A chegada de O Trono ao Viki amplia o acesso do público brasileiro a um dos dramas históricos mais impactantes do cinema sul-coreano recente. Mais do que uma aula de história, o filme funciona como um estudo sobre poder, memória e violência emocional, temas que continuam ressoando muito além dos muros do palácio de Joseon.

Para fãs de produções coreanas que buscam narrativas densas, atuações memoráveis e histórias baseadas em fatos reais, esse é um título que merece ser revisitado e debatido.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

Últimas