O Unlock CCXP abriu espaço para uma conversa que foi direto ao coração da cultura pop brasileira ao receber o painel “Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa – Do Sítio ao Cinema”. O encontro jogou luz sobre o processo criativo por trás da adaptação do personagem criado por Mauricio de Sousa e mostrou como o universo simples, rural e afetivo do Chico conseguiu atravessar décadas até chegar ao cinema em 2025, dialogando tanto com o público das salas de exibição quanto com quem descobriu a história pelo streaming.
Fernando Fraiha, diretor, roteirista e produtor da Biônica Filmes, destacou que a construção do longa passou longe de um caminho linear. Segundo ele, o roteiro foi tratado como um organismo vivo, que precisou de tempo para amadurecer. A equipe se permitiu errar, testar abordagens e reescrever inúmeras vezes até encontrar o tom certo, sempre equilibrando fidelidade ao personagem com as exigências da linguagem cinematográfica. Fraiha reforçou que esse processo só funcionou porque houve abertura para revisões profundas e para a escuta constante.


Mauricio de Sousa como bússola criativa
Um ponto central da conversa foi a participação direta de Mauricio de Sousa ao longo do desenvolvimento. Fraiha relembrou que o criador de Chico Bento acompanhou o projeto de perto, aprovando etapas e fazendo observações que ajudaram a manter a identidade do personagem intacta. Essa troca foi fundamental para garantir que o filme respeitasse o imaginário construído nos quadrinhos, ao mesmo tempo em que encontrava novas formas de contar a história no audiovisual.
Políticas públicas e o fortalecimento do audiovisual
A secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, Marilia Marton, trouxe para o debate o papel das políticas públicas no viabilizar de projetos como esse. Ela explicou que a reformulação de editais e a ampliação de parcerias com produtoras têm sido decisivas para fortalecer o setor. No caso de Chico Bento, a distribuição contou com recursos da Lei Paulo Gustavo, mostrando como o apoio institucional pode ampliar o alcance de obras nacionais e populares.
Entre responsabilidade e futuro da franquia

Encerrando o painel, Fraiha falou sobre o peso de adaptar um personagem tão querido por gerações e como a equipe buscou equilibrar expectativa do público com liberdade criativa. O cuidado deu resultado e abriu caminho para a continuidade da jornada do Chico nas telas. O segundo filme já está em desenvolvimento, sinalizando que o garoto do interior ainda tem muitas histórias para contar no cinema brasileiro.


