Depois de circular por festivais europeus, A Miss finalmente se apresenta ao público brasileiro com a divulgação de seu primeiro trailer oficial. Escrito e dirigido por Daniel Porto, o longa estreia nos cinemas em 26 de fevereiro, com distribuição da Olhar Filmes, e já deixa claro que sua força está no encontro entre comédia afiada, afeto familiar e questões de identidade.
O trailer funciona menos como explicação da trama e mais como convite sensorial. Entre situações absurdas, diálogos cortantes e momentos de intimidade emocional, o filme apresenta o cotidiano de uma família atravessada por expectativas herdadas e desejos que não cabem mais nos moldes tradicionais. No centro da história está Iêda, vivida por Helga Nemetik, ex-miss que insiste em projetar nos filhos um sonho que já ficou no passado.
Entre riso, cobrança e pertencimento

A dinâmica entre os irmãos Martha (Maitê Padilha) e Alan (Pedro David) é o motor emocional do filme. O trailer sugere uma inversão provocadora: enquanto a filha não se encaixa no ideal de feminilidade esperado, o filho demonstra naturalidade e talento para ocupar o espaço que a mãe idealizou. A partir disso, A Miss constrói seu humor não pela caricatura, mas pelo desconforto de situações muito reconhecíveis.
A estética chama atenção logo de cara. Cores saturadas, enquadramentos precisos e uma direção de arte que dialoga com o cinema de Pedro Almodóvar reforçam o tom de exagero emocional que, longe de afastar, aproxima o espectador dos conflitos. O riso surge como ferramenta de sobrevivência, mas nunca esconde as tensões ligadas a gênero, sexualidade e pertencimento.
Trailer
Um filme que ri, mas não foge do conflito
Daniel Porto define bem o espírito do projeto ao afirmar que o exagero é apenas a camada mais visível de algo profundamente humano. Essa ideia atravessa o trailer, que alterna leveza e acidez sem perder o afeto pelos personagens. A presença de Alexandre Lino, como o carismático “tio Athena”, amplia ainda mais esse jogo entre acolhimento e ruptura.
Antes da estreia comercial, A Miss passou por festivais como o Actrum International Film Festival, o OMOVIES – Festival Internacional de Cinema LGBTQIA+ e integra a programação do Queergestreift Film Festival Konstanz, consolidando um percurso internacional alinhado ao tema e ao tom da obra.


