A série Os Anos Novos chega ao seu sétimo episódio aprofundando o que sempre foi seu maior trunfo: observar o tempo agir sobre as pessoas sem pressa e sem concessões fáceis. Disponível na MUBI, o novo capítulo desloca Ana para um momento de vida em que amadurecer deixou de ser escolha e virou urgência.
Agora morando em Lyon, Ana tenta manter o controle de um novo negócio de catering aberto em parceria com a amiga Silvia, enquanto recebe a visita das irmãs e da mãe, ainda lidando com o luto. O episódio se passa em 31 de dezembro de 2021, data simbólica que combina com o estado emocional da personagem. Tudo parece transitório, inclusive a estabilidade que ela tenta sustentar.
O segredo que Ana carrega não é tratado como um gancho artificial. Ele pesa nos diálogos, nas pausas e até nas tarefas práticas do dia a dia. Entre entregas de última hora e clientes difíceis, a personagem vai sendo empurrada para um limite que a série constrói com paciência, sem trilhas grandiosas ou viradas espetaculares.
Rodrigo Sorogoyen e o drama do cotidiano
Dirigida por Rodrigo Sorogoyen, também conhecido pelo impacto de As Bestas, a série mantém o olhar atento ao desconforto cotidiano. Aqui, o conflito não explode, ele se infiltra. A câmera observa Ana tentando agradar, evitar discussões e seguir em frente, mesmo quando tudo indica que o acúmulo emocional vai cobrar seu preço.
Esse episódio deixa claro como Sorogoyen se interessa menos por resoluções e mais pelo processo. A sensação é a de acompanhar alguém que já não consegue empurrar as questões para depois.
Iria Del Río sustenta o peso do silêncio
Interpretada por Iria Del Río, Ana se apoia muito mais no não dito do que em grandes discursos. A atriz já conhecida por Apocalipse Z – O Princípio do Fim entrega uma performance contida, cheia de microgestos e olhares que dizem mais do que qualquer explicação direta.
Enquanto isso, Óscar, vivido por Francesco Carril, segue como uma presença que ecoa mesmo quando não está em cena. A dinâmica entre os dois continua sendo construída por ausências, memórias e escolhas passadas, reforçando a ideia de que o relacionamento da série nunca existe isolado do tempo.
Curiosidade que conecta o episódio ao todo
Cada episódio de Os Anos Novos acontece sempre em uma virada de ano, o que transforma o Réveillon em algo menos festivo e mais reflexivo. No sétimo capítulo, essa estrutura ganha força extra ao colocar Ana em um país diferente, cercada pela família, mas emocionalmente distante. A virada do calendário funciona quase como um espelho da virada interna da personagem.
Com episódios inéditos lançados todas as quartas na MUBI, a série segue firme em sua proposta de acompanhar o amor e suas consequências ao longo de uma década. O episódio 7 não busca agradar, mas aprofundar, e é justamente aí que Os Anos Novos continua encontrando sua identidade.


