São Paulo sempre foi filmada demais e, ainda assim, nunca o suficiente. Bem-Vindo a São Paulo (2007), agora disponível na FILMICCA, retorna como um registro curioso de um momento específico da cidade e do próprio cinema, quando realizadores estrangeiros foram convidados a encarar a metrópole sem manual e sem roteiro turístico.
Coordenada por Leon Cakoff, a antologia reúne 17 curtas dirigidos por cineastas de diferentes países, todos convidados pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O resultado não tenta explicar São Paulo. O filme aceita o excesso, o ruído e o desencontro, transformando isso em método.
Uma cidade vista de fora e de dentro
Os segmentos caminham entre o cotidiano banal, o choque cultural e a observação silenciosa. Há São Paulo como fluxo, como ruína, como promessa e como impasse. Em Ensaio Geral, a palestina Hanna Elias observa a cidade como espaço de trânsito constante. Já Marco Zero, de Phillip Noyce, expõe a convivência desconfortável entre camadas históricas que nunca se acomodam.
Entre os diretores estão nomes como Yoshishige Yoshida, Tsai Ming-liang, Amos Gitai, Wolfgang Becker e Mika Kaurismäki. Cineastas com repertórios distintos que revelam uma São Paulo menos óbvia justamente por não serem locais.
Caetano, concreto e memória
Caetano Veloso participa como narrador e diretor de um dos episódios, além de aparecer na trilha com Sampa. Sua presença funciona como parte do imaginário da cidade, especialmente no segmento Concreto, que conecta cinema, palavra e a história da Mostra.
Documento urbano, não cartão-postal
Produzido entre 2004 e 2007, Bem-Vindo a São Paulo hoje funciona como cápsula do tempo. Não antecipa a cidade que viria depois nem tenta fixar uma identidade definitiva. O filme observa São Paulo como processo, algo em constante reconstrução, em diálogo com o reconhecimento recente da cidade como Cidade Criativa do Cinema pela UNESCO.
Não é um filme para conhecer São Paulo. É um filme para se perder nela.
O que mais entrou no catálogo
Junto com Bem-Vindo a São Paulo, a FILMICCA também adiciona Fabiana (2018), de Brunna Laboissière, Leila e os Lobos (1984) e Salesman (1969), ampliando um catálogo que aposta mais em curadoria do que em volume.
Onde assistir
A FILMICCA está disponível em www.filmicca.com.br e em apps para Smart TVs (Samsung, LG, Android/Google TV), Apple TV, Amazon Fire TV, além de celulares e tablets Android e iOS, com suporte a Chromecast.


