Poético, inquietante e cheio de ideias. O Estranho Caso de Angélica, de Manoel de Oliveira, acaba de entrar no catálogo da FILMICCA e convida o espectador a um encontro delicado entre cinema, fotografia e sentimento.
Coproduzido entre Portugal, Brasil e França, o longa é protagonizado por Ricardo Trêpa, presença constante na fase final da filmografia do diretor, ao lado de Leonor Silveira e Pilar López de Ayala.
Quando a fotografia deixa de ser registro
A história acompanha Isaac, um jovem fotógrafo chamado para fazer o último retrato de Angélica, morta logo após o casamento. No ambiente silencioso da casa em luto, o ato de fotografar ganha outro significado. Pela lente, Angélica parece despertar apenas para ele.
Esse instante desloca o filme para um território onde o amor nasce da ausência. O que se segue não é um romance convencional, mas uma relação construída entre imagens, memória e desejo, conduzida com sutileza e estranhamento calculado.
Cinema que pensa o tempo
Em O Estranho Caso de Angélica, Manoel de Oliveira usa o encontro entre cinema e fotografia para refletir sobre tempo, memória e morte. A narrativa cruza passado e presente, explorando a ideia de que imagens não apenas registram, mas também insistem em permanecer.
A encenação precisa, os planos longos e o ritmo contemplativo não buscam impacto imediato. Eles criam espaço para que o espectador observe, sinta e conecte as camadas simbólicas do filme.
Um destaque da fase final de Manoel de Oliveira
Exibido como filme de abertura da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes em 2010, o longa percorreu um circuito internacional consistente, passando pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, além de festivais em Toronto, Nova Iorque, Alemanha, Hong Kong e Portugal.
É um trabalho que sintetiza temas recorrentes do diretor sem soar repetitivo, reafirmando sua capacidade de experimentar até o fim da carreira.


