Durante a LG World Premiere, evento que antecede a CES 2026 em Las Vegas, a LG Electronics apresentou de forma mais concreta sua visão de “IA em ação”. A ideia é simples de explicar e ambiciosa de executar: uma inteligência artificial que não fica restrita a comandos de voz ou interfaces, mas que atua de forma ativa no dia a dia, conectando casa, veículos e espaços comerciais em um ecossistema contínuo.
A estratégia se apoia em três frentes bem definidas. A primeira é a evolução da chamada Inteligência Afetiva, conceito que a LG vem desenvolvendo nos últimos anos e que agora ganha um papel mais prático. A segunda é a excelência em dispositivos, com produtos pensados desde o hardware para operar com IA. A terceira é um ecossistema integrado, capaz de fazer tudo isso conversar entre si sem exigir esforço constante do usuário.
Zero Labor Home e o tempo como bem mais valioso
O ponto central dessa visão é o conceito de Zero Labor Home, ou lar sem esforço. A proposta é que os dispositivos deixem de ser apenas inteligentes de forma isolada e passem a atuar como agentes coordenados, tomando decisões e executando tarefas em conjunto. Não se trata apenas de automação, mas de antecipação de necessidades com base em contexto, hábitos e ambiente.
Na abertura do evento, o CEO da LG Electronics, Lyu Jae-cheol, resumiu a provocação que orienta esse movimento ao questionar se a IA não poderia finalmente sair da tela e começar a trabalhar no mundo real. A resposta da empresa passa menos por discursos futuristas e mais por exemplos práticos de uso.
LG CLOiD e o robô doméstico que aprende a rotina da casa
A materialização mais direta dessa ideia é o LG CLOiD, robô doméstico apresentado como parte central do Zero Labor Home. Com dois braços e mãos de cinco dedos, o CLOiD foi projetado para ambientes reais, considerando segurança, mobilidade e interação com pessoas, crianças e até animais de estimação.
O robô é capaz de aprender a rotina da casa, executar tarefas como organizar objetos e dobrar roupas, além de ajustar o ambiente de acordo com o contexto. Em uma simulação apresentada no evento, o CLOiD sugere mudanças na rotina de exercícios com base na previsão do tempo, prepara o ambiente antes da chegada do usuário e coordena ações com outros dispositivos da casa.
Curiosidade que chama atenção é o foco da LG em movimentos suaves e previsíveis. A empresa deixou claro que o desafio não é apenas técnico, mas também comportamental, já que um robô doméstico precisa ser aceito como parte do ambiente e não como um elemento intrusivo.
Dispositivos pensados para IA desde a origem
A visão de IA em ação também passa por produtos que já fazem parte da casa. A nova geração de TVs OLED, liderada pela LG OLED evo W6 Wallpaper TV, aposta em um design ultrafino de apenas 9 mm, viabilizado por uma reengenharia completa dos componentes internos. O modelo combina tecnologia Hyper Radiant Color, que melhora brilho e precisão de cores, com um sistema True Wireless que elimina a necessidade de conexões físicas visíveis.
Na linha LG SIGNATURE, a inteligência artificial aparece de forma mais funcional. A geladeira com IA conversacional entende linguagem natural e ajusta automaticamente modos de conservação, além de reconhecer ingredientes e sugerir receitas. Já o forno com Gourmet AI identifica alimentos e orienta o preparo entre dezenas de receitas pré-curadas, transformando a cozinha em um espaço mais guiado e menos manual.
IA além da casa: carros, data centers e espaços comerciais
Outro ponto relevante da apresentação foi deixar claro que essa inteligência não termina na porta de casa. A LG mostrou como sua plataforma de IA generativa multimodal está sendo aplicada em veículos, transformando o carro em um espaço conectado ao restante do ecossistema digital do usuário. Recursos como rastreamento de olhar, displays adaptativos e integração de entretenimento entre casa e veículo fazem parte dessa abordagem.
No campo corporativo e de infraestrutura, a empresa destacou soluções de HVAC com IA voltadas para data centers, um tema cada vez mais estratégico com o crescimento da computação intensiva em inteligência artificial. Projetos governamentais no Oriente Médio e parcerias focadas em resfriamento por imersão e infraestrutura reforçam esse movimento.
Tecnologia que some para fazer sentido
Ao encerrar o evento, a LG reforçou uma ideia que atravessou toda a apresentação: a melhor tecnologia é aquela que quase desaparece. A proposta de “IA em ação” não é impressionar pela complexidade, mas apoiar as pessoas de forma silenciosa, reduzindo esforço físico e mental.
Se a promessa vai se cumprir no ritmo apresentado, ainda é algo que o mercado vai observar com atenção. Mas a mensagem ficou clara na CES 2026: para a LG, o futuro da inteligência artificial não está apenas em responder perguntas, e sim em agir de forma integrada no cotidiano.

