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Andrea Pinheiro é reeleita e mantém ciclo de transformação à frente da Fundação Bienal de São Paulo

Nova gestão aposta em governança, educação e projeção internacional após recorde de público e avanços institucionais históricos

O Conselho de Administração da Fundação Bienal de São Paulo reelegeu Andrea Pinheiro para a presidência da Diretoria Executiva no biênio 2026–2027. A decisão consolida a continuidade de um projeto iniciado em 2024, marcado por reformas de governança, ampliação do acesso à arte e fortalecimento do papel público da Bienal no Brasil e no exterior.

Andrea segue acompanhada da mesma chapa do último mandato, preservando estabilidade administrativa em um período de expansão institucional.

Um mandato que entrou para a história

Ao assumir em janeiro de 2024, Andrea Pinheiro tornou-se a primeira mulher a entregar uma edição da Bienal de São Paulo, um marco simbólico em uma das mais relevantes exposições de arte do mundo. O gesto foi acompanhado por mudanças estruturais, como a criação de um comitê colegiado para a escolha curatorial, modelo adotado na 36ª edição e já confirmado para a 37ª Bienal.

Outro movimento decisivo foi a ampliação da duração da mostra em um mês, garantindo abertura em dezembro e início de janeiro. A estratégia se refletiu nos números: a 36ª Bienal recebeu 784.399 visitantes, cerca de 20% a mais que a edição anterior.

Educação como eixo central da Bienal

A ênfase em ações educativas se tornou uma marca da gestão. Na 36ª Bienal, o programa educativo cresceu cerca de 40% em relação a 2023, com 113 mil atendimentos, sendo mais de 90 mil destinados a crianças e adolescentes. Além disso, 25 mil professores participaram de ações formativas conduzidas pela instituição.

Parcerias com escolas, universidades, ONGs e órgãos públicos permitiram que os conteúdos da Bienal extrapolassem o espaço expositivo e alcançassem novos territórios e públicos, reforçando o papel social da Fundação.

Tecnologia e mediação digital inéditas

Outro destaque foi o lançamento do aplicativo web Bienal Prática, que combinou inteligência artificial, reconhecimento de imagem, realidade aumentada e recursos de acessibilidade em uma única plataforma. A ferramenta apresentou a avatar IARA, capaz de interagir com o público em português, inglês e espanhol, mediando a visita a partir de obras selecionadas.

A iniciativa posicionou a Bienal de São Paulo como referência internacional na integração entre tecnologia, arte e experiência do visitante.

Sustentabilidade financeira e novos modelos de captação

A gestão também avançou na consolidação financeira da Fundação, reforçando práticas de governança e autonomia operacional. Um dos pontos altos foi o leilão de cartazes históricos realizado em parceria com a Rolex, que arrecadou mais de R$ 5 milhões, fortalecendo o modelo de captação e apoio à instituição.

Projeção internacional e Bienal de Veneza

Para o próximo ciclo, a atuação internacional ganha ainda mais peso. Em março, a 36ª Bienal inicia seu programa de itinerâncias, alcançando mais de dez cidades no Brasil e no exterior. No cenário global, a Fundação prepara a participação brasileira na Bienal de Veneza de número 61, com curadoria de Diane Lima e obras de Adriana Varejão e Rosana Paulino.

A participação dá sequência ao projeto de recuperação arquitetônica do Pavilhão do Brasil em Veneza, iniciado em 2024, com conclusão prevista para abril, devolvendo ao edifício características alinhadas ao desenho original.

Um projeto validado para o futuro

Para Andrea Pinheiro, a reeleição confirma um trabalho coletivo e de longo prazo. A nova gestão mira aprofundar a governança, expandir o alcance educativo e consolidar a presença internacional da Bienal, mantendo a arte como espaço de diálogo e escuta.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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