O drama Depois do Fogo chega aos cinemas brasileiros no dia 5 de março, com distribuição da Synapse Distribution. Dirigido por Max Walker-Silverman, o filme foi apresentado no Festival de Sundance de 2025 e marca mais um passo na consolidação do cineasta como um nome atento a histórias pequenas, humanas e atravessadas pelo tempo.
Ambientado nas paisagens áridas do oeste americano, o longa acompanha Dusty, vivido por Josh O’Connor, um caubói solitário que vê sua vida virar cinzas após um incêndio florestal destruir seu rancho, seu gado e tudo o que definia sua rotina.
Um drama sobre perdas que não cabem no incêndio
Sem casa, Dusty passa a viver em um acampamento provisório mantido pelo governo, dividindo espaço com outros desalojados. É ali que o filme encontra seu verdadeiro eixo: menos sobre o desastre em si e mais sobre o que sobra depois dele. Entre vizinhos que tentam se manter de pé, o personagem começa a reconstruir algo que não é material.
O incêndio também abre espaço para uma reaproximação delicada com a filha pequena, Callie-Rose (Lily LaTorre), e obriga Dusty a encarar feridas antigas no relacionamento com a ex-mulher Ruby, interpretada por Meghan Fahy, além da relação tensa com a ex-sogra Bess (Amy Madigan).
Cinema de observação e afeto contido
Conhecido por um estilo discreto e observacional, Walker-Silverman evita grandes viradas dramáticas. Em vez disso, constrói o filme a partir de gestos mínimos, silêncios e encontros cotidianos. A paisagem não surge como cartão-postal, mas como extensão emocional de um personagem que tenta entender se ainda existe futuro depois da perda total.
A origem do projeto é pessoal. O diretor se inspirou na história da própria irmã, que precisou abandonar às pressas a casa da família durante um incêndio. A pergunta que atravessa o filme é simples e incômoda: como um lugar que queimou por completo ainda pode ser chamado de lar?
Reconhecimento internacional e passagem pelo Brasil
Além de Sundance, Depois do Fogo circulou por festivais como Deauville, Seattle e Valladolid. Nos Estados Unidos, foi incluído pela National Board of Review na lista dos dez melhores filmes independentes de 2025. No Brasil, passou pelo Festival do Rio, na Mostra Expectativas, dedicada a novos realizadores.
Mais do que um drama sobre sobrevivência, Depois do Fogo é um filme sobre permanência emocional, sobre o que insiste em ficar mesmo quando tudo ao redor desaparece. Um cinema de reconstrução lenta, sem pressa e sem respostas fáceis.

