O primeiro festival dedicado exclusivamente a filmes produzidos com inteligência artificial começa nesta sexta-feira (27), em São Paulo. O WAIFF 2026 ocupa a FAAP até sábado (28) e marca a estreia brasileira do evento internacional que discute o impacto real da IA no cinema, na publicidade e no streaming, sem fetiche tecnológico e com foco em criação, linguagem e indústria.
IA como ferramenta, não como atalho
A proposta do festival é clara: tratar a inteligência artificial como mais uma ferramenta criativa, e não como substituta do olhar humano. Ao longo de dois dias, o WAIFF reúne diretores, produtores, artistas visuais, executivos e pesquisadores para discutir como algoritmos já estão mudando processos de roteiro, imagem, som e pós-produção.
A abertura acontece às 9h30 de sexta-feira, no Auditório CloudWalk, com a presença do fundador do festival, Marco Landi, do diretor da edição brasileira, Carlos Guedes, do CEO da FAAP, Luis Sobral, e de Jacqueline Sato, presidente do júri da mostra competitiva.
Debates que atravessam cinema, publicidade e streaming
A programação se divide entre dois auditórios. No palco principal, temas como criatividade, narrativa, dados, publicidade e cinema de larga escala dominam os painéis. A Globo participa com o debate “Entre Dados e Narrativas”, enquanto nomes como Kris Krüg, Nizan Guanaes, Fabiano Gullane e Tata Amaral ampliam a discussão para diferentes áreas do audiovisual.
No Auditório CaisRoom, o foco é mais técnico e crítico. Direitos autorais, ética, ferramentas de IA, ficção e processos criativos são debatidos por profissionais do mercado, pesquisadores e artistas visuais. Workshops e mesas redondas abordam desde produção prática até os limites legais da tecnologia.
Mostra competitiva e filmes finalistas
Além do conteúdo teórico, o WAIFF também funciona como festival de cinema. A Mostra Competitiva reúne obras produzidas com inteligência artificial em categorias como longa-metragem, publicidade, animação, documentário, séries verticais e direção.
Os filmes finalistas passaram por curadoria e avaliação de um júri formado por nomes como Fabiano Gullane, Heitor Dhalia, Lyara Oliveira, Paulo Aguiar e Tadeu Jungle. A premiação acontece no sábado, a partir das 15h, encerrando a primeira edição do evento.
Confira abaixo os filmes finalistas em cada categoria:
MELHOR LONGA-METRAGEM
- MAGNO BRASIL – “Iva Delta 7”
- TONI MARQUES – “Magda and the Female Police”
- NYKO OLIVER – “Die in Peace”
SÉRIE VERTICAL
- JOÃO AMORIM – “A Roda das Crianças”
- CHRISTIAN SCHNUR – “The Sound of Hiding”
- EDUARDO PARDELL – “Sinapses”
- PAULO AGUIAR – “Precautions”
PUBLICIDADE
- ROD CAUHIL – “Alma Rio”
- FABIO SHIMIZU – “Ete”
- FELIPE VALÉRIO – “Grippy”
- ANDRÉ D’ERRICO – “Insider”
- MARCELO PRESOTTO – “Health”
CURTA-METRAGEM: ANIMAÇÃO
- MILTON MONTENEGRO – “Hallucination”
- VINICIUS PINHEIRO – “O Peso do Silêncio”
- GUIGO GERBER – “O Homem e o Mar”
- GUILHERME NUNES – “Revive”
- FABIO BOLA – “Burn”
CURTA-METRAGEM: DOCUMENTÁRIO
- LEOPOLDO NAKATA – “Outlier”
- MARCELO PRESOTTO – “Oda Iya”
- PEDRO BAYEUX – “Warpped Memories”
- FELIPE VALÉRIO – “Cortex Blue”
CURTA-METRAGEM: FANTASIA
- GUILHERME VALENTE – “Saci”
- MARCELO PRESOTTO – “I Am Different”
- RICARDO MURALHA – “The Hunter with a single arrow”
- RODOLFO ROTH – “True”
CURTA-METRAGEM: AÇÃO
- RODRIGO CHEVAS / MARCELO PRESOTTO – “Maya”
- MARCELO PRESOTTO – “MadPress”
- LEOPOLDO NAKATA – “The Cosmic Judge”
CURTA-METRAGEM: DRAMA
- MARCELO PRESOTTO – “Cold”
- MARCOS JUNIOR – “The Gardner of Ashes”
- LEOPOLDO NAKATA – “Midnight Serenade”
- LEOPOLDO NAKATA – “Empresário de Mim”
- ANDERSON FREITAS – “Naia”
MELHOR DIRETORA
- TALI AMANDA – “Entre Forças”
- ELIZA GUERRA – “Agranel”
- ADRIANA PELIANO – “Blue Bird”
- NATALI TOLEDO – “Silver Nightgale”
MENÇÃO HONROSA
- DAN MORAES E RICARDO MORDOCH – “Arnaldo teve uma Idéia”
Networking e circulação de ideias
Ao longo dos dois dias, espaços paralelos como o CapCut Hub e o SPCine Space recebem atividades de networking, maratonas criativas e exibição contínua dos filmes finalistas. A ideia é estimular encontros diretos entre criadores, produtores e empresas interessadas em novas linguagens audiovisuais.
Mais do que apresentar respostas prontas, o WAIFF chega ao Brasil para colocar perguntas urgentes na mesa: quem cria quando a máquina cria junto? Onde termina a ferramenta e começa a autoria? E como o audiovisual brasileiro pode se posicionar nesse novo cenário?
Serviço – WAIFF 2026
Data: 27 e 28 de fevereiro de 2026
Local: FAAP – Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo
Ingressos: à venda no Sympla (presencial e online)

