O novo longa de Fellipe Barbosa, diretor de Casa Grande e Gabriel e a Montanha, concluiu suas filmagens no Marrocos. “Leila e a Noite” é uma coprodução internacional que reúne França, Brasil e Marrocos e se inspira em fatos reais para retratar o impacto íntimo e cultural da perda da fotógrafa franco-marroquina Leila Alaoui, morta aos 33 anos em um atentado terrorista na África, em 2016.
A história acompanha a família Alaoui, dividida entre diferentes crenças e formas de lidar com o luto, enquanto enfrenta a ausência repentina de Leila. O ponto de partida é o livro escrito por seu pai, Aziz Alaoui, e o filme se constrói a partir de perspectivas contrastantes: a da mãe e da avó católicas e a do pai muçulmano, propondo um olhar sensível sobre fé, memória e identidade.
Para Fellipe Barbosa, o projeto tem um significado pessoal profundo. O diretor conheceu Leila durante os anos de faculdade em Nova York, onde os dois vivenciaram de perto o impacto do 11 de Setembro. Anos depois, a morte da amiga em outro atentado transformou o filme em uma espécie de missão íntima. Segundo o cineasta, a obra também aborda a luta de Aziz Alaoui contra o obscurantismo religioso, enquanto outras figuras da família se aproximam do Islã como forma de elaborar a perda.
O elenco reúne nomes de peso do cinema francês, como Roschdy Zem e Marina Foïs, que interpretam os pais de Leila. A produção conta ainda com a participação dos brasileiros João Pedro Zappa e Felipe Frazão, além de atores como Sayyid El Alami, Oulaya Amamra, Françoise Lebrun e Nina Zem. A direção de fotografia é assinada por Caroline Champetier, conhecida por trabalhos marcantes no cinema europeu.
“Leila e a Noite” é produzido pela Damned Films, Migdal Filmes e Lions Productions, com coprodução de Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, pela Cinemascópio. A distribuição no Brasil ficará a cargo da Imovision, enquanto a francesa Condor Films lança o filme na Europa. As vendas internacionais são representadas pela Lucky Number.
Ambientado entre o Marrocos e a África Ocidental, o longa se propõe menos a reconstituir o atentado e mais a observar o que fica depois dele: o vazio, as tentativas de seguir em frente e a preservação da memória de uma mulher cuja obra fotográfica celebrava diversidade, imigração e resistência.


