Adotando a visão em primeira pessoa e usando as câmeras dos policiais para contar sua história, o novo longa dirigido por Brandon Christensen aposta no found footage para construir um terror mais realista e claustrofóbico, formato que dialoga muito bem com o gênero.
A história começa em uma cidade aparentemente comum, quando dois policiais recebem um chamado de socorro e seguem para um bairro marginalizado, tomado por moradores de rua. Bryce (Sean Rogerson) e Jackson (Jaime M Callica) investigam o local e encontram duas pessoas claramente atormentadas.
Infelizmente o homem não segue os pedidos de calma de Bryce, que acaba atirando. Só depois ele descobre que, sem querer, matou um bebê que estava escondido entre o cobertor nas mãos daquele estranho.
Um acidente fatal que pode custar a carreira de Bryce, que já vive sob pressão. Casado, ele acompanha constantemente sua esposa grávida, sabendo que a qualquer momento ela pode entrar em trabalho de parto. Agora, esse erro pode destruir não só sua carreira, mas também sua vida pessoal.

Jackson tenta evitar que as coisas piorem e pede para Bryce voltar com ele para a central. No entanto, ao acompanharem uma estranha mulher nos fundos da casa, ela corta o próprio pescoço, jorrando sangue e deixando claro que aquela ocorrência escondia algo muito mais perturbador.
Tanto Jackson quanto Bryce sabem que tudo ali está registrado nas câmeras que carregam. Mesmo assim, Bryce se recusa a ser honesto sobre o que aconteceu. Ele decide sair da cena e seguir até uma loja de armas, onde uma conhecida poderia ajudá-los a apagar o que foi registrado.
Chegando ao local, ela consegue acessar as imagens. Jackson então decide assistir ao que realmente aconteceu naquela casa. O que eles veem deixa claro que existe algo muito errado acontecendo. Assustada, a mulher diz que não quer se envolver naquilo e foge às pressas.
Enquanto isso, Bryce começa a ser atormentado por diferentes viciados nas ruas, todos dizendo a mesma coisa: ele roubou algo deles e agora eles irão roubar algo dele.
Segredos

Conforme a madrugada avança, Jackson começa a perceber que existe algo por trás da concentração de pessoas naquela região. Algo pode estar diretamente ligado ao que aconteceu naquela casa.
Ao visitar sua mãe, que tem certo conhecimento sobre o que acontece no bairro, ele descobre que as pessoas dali não gostam de policiais e que sua própria irmã acabou sucumbindo a algo misterioso que os afastou.
POV: Presença Oculta vai adicionando novos elementos pouco a pouco, sempre deixando uma pulga atrás da orelha. Aos poucos fica claro que Bryce deveria se preocupar não apenas consigo mesmo, mas também com sua esposa e com o futuro de seu filho.
Vale a pena

Ao adotar o formato found footage, POV: Presença Oculta pode causar estranhamento em um primeiro momento por apresentar toda a narrativa através das câmeras dos policiais. Porém, conforme a história avança, a forma natural com que os acontecimentos se desenrolam faz com que o público se acostume com os personagens e suas jornadas.
A escolha por ambientes fechados também reforça a sensação de claustrofobia. A casa do início, o carro da polícia e até a casa da mãe de Jackson criam uma atmosfera sufocante, em que a única coisa que o espectador deseja é que o amanhecer chegue logo para aqueles personagens.
Mas estamos diante de um filme de terror. Quanto mais a história avança, mais entendemos que existe algo muito maior acontecendo naquele bairro. As pessoas acumuladas nas ruas, a estranha casa e até os pressentimentos da mãe de Jackson parecem estar ligados a uma mesma origem.
Com câmeras tremidas e perseguições intensas, POV: Presença Oculta vai revelando seu verdadeiro vilão, transformando o erro inicial de Bryce em algo muito maior do que apenas um acidente.
E aqui entra um ponto que pode dividir o público. Mostrar exatamente o que está por trás de tudo pode agradar alguns espectadores e decepcionar outros.
O fato é que existe uma entidade que parece controlar tudo e todos naquele lugar. O filme entrega pistas e respostas, mas ainda assim deixa espaço suficiente para que o espectador tente entender exatamente o que aconteceu naquela noite.
No fim, POV: Presença Oculta, com seus cortes secos e uma construção narrativa quase crua, entrega uma história que prende a atenção pela curiosidade. É o tipo de filme que faz você querer entender cada detalhe do que está acontecendo.
Viciante a ponto de você não conseguir sair da cadeira. E quando as luzes do cinema se acendem, a sensação que fica é clara: o filme cumpriu seu papel, deixando o público pensando e criando teorias sobre o que realmente aconteceu naquela madrugada.
Entre tensão moral, paranoia e elementos sobrenaturais, POV: Presença Oculta transforma uma simples ocorrência policial em uma madrugada cada vez mais perturbadora.
Ficha Técnica

Nota: 4,5 (de 5)
POV: Presença Oculta
Direção: Brandon Christensen
Roteiro: Brandon Christensen, Ryan Christensen
Elenco: Jaime M. Callica, Sean Rogerson, Catherine Lough Haggquist, Angel Prater, Keegan Connor Tracy
Produção: Chris Ball, Brandon Christensen, Kurtis David Harder
Fotografia: Clayton Moore
Montagem: Brandon Christensen, Rob Grant
Supervisão Musical: Justin A. Martell

