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Exposições imersivas de Van Gogh e Frida Kahlo em São Paulo terão audiodescrição para pessoas cegas

Festival Fronteiras aposta em acessibilidade para ampliar a experiência das mostras no Parque da Água Branca

As exposições imersivas dedicadas a Vincent van Gogh e Frida Kahlo, que fazem parte da programação do Festival Fronteiras São Paulo, vão contar com recursos de acessibilidade para pessoas cegas ou com baixa visão. A iniciativa inclui audiodescrição nas experiências exibidas no Parque da Água Branca.

O trabalho será conduzido pela ALL DUB Estúdio, especializada em acessibilidade audiovisual. A empresa ficará responsável por adaptar o conteúdo visual das exposições para uma narrativa sonora que permita acompanhar detalhes das obras e do ambiente.

Na prática, a audiodescrição traduz elementos visuais em palavras. Cores, cenários, gestos e composições passam a ser descritos em áudio, criando uma espécie de guia narrado que ajuda o visitante a construir mentalmente a experiência artística.

Arte imersiva também precisa ser acessível

Eventos imersivos costumam apostar em imagens gigantes, projeções e cenários sensoriais. O problema é que, sem adaptação, boa parte dessa experiência fica inacessível para quem tem deficiência visual.

A audiodescritora Ana Lúcia Motta, CEO da All Dub Estúdio e responsável pelo projeto de acessibilidade das exposições, explica que a proposta vai além de simplesmente explicar uma imagem.

Segundo ela, a audiodescrição permite que pessoas cegas construam mentalmente a cena e participem da experiência artística de forma mais completa. A ideia é transformar o que seria apenas visual em algo que também possa ser imaginado e interpretado.

Desafio de inclusão cultural no Brasil

A iniciativa também dialoga com um cenário maior de acesso à cultura no país. Dados do IBGE indicam que o Brasil tem cerca de 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3 por cento da população.

Entre elas, 7,9 milhões têm algum grau de dificuldade para enxergar, o que torna a deficiência visual uma das limitações mais comuns no país.

Mesmo com avanços em legislação e políticas de inclusão, o acesso à educação e à cultura ainda apresenta desigualdades. Entre pessoas com deficiência com 25 anos ou mais, 63,1 por cento não concluíram o ensino fundamental, e apenas 7,4 por cento chegaram ao ensino superior, segundo dados oficiais do governo federal.

Festival chega pela primeira vez a São Paulo

Inspirado no projeto Fronteiras do Pensamento, o Festival Fronteiras chega pela primeira vez à capital paulista reunindo intelectuais, escritores e artistas em debates sobre criatividade, identidade, espiritualidade e os desafios do mundo contemporâneo.

O evento acontece nos dias 7 e 8 de março, período que coincide com o Dia Internacional da Mulher. Por isso, parte da programação destaca o protagonismo feminino, com encontros conduzidos por pesquisadoras, escritoras e pensadoras brasileiras.

Além das exposições imersivas dedicadas a Van Gogh e Frida Kahlo, o festival também terá debates, apresentações artísticas, feira de livros e outras experiências sensoriais abertas ao público.

Serviço

Festival Fronteiras São Paulo
7 e 8 de março de 2026
Parque da Água Branca
Av. Francisco Matarazzo, 455 – São Paulo

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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