O documentário A Voz de Deus, dirigido por Miguel Antunes Ramos, segue em cartaz em diversas cidades brasileiras e tem gerado novos debates ao abordar fé, identidade e pertencimento sob uma perspectiva íntima e observacional.
A produção acompanha, ao longo de cinco anos, as trajetórias de dois jovens pregadores evangélicos em momentos opostos. Daniel Pentecoste vive as consequências de uma fama precoce construída ainda na infância, enquanto João Vitor Ota representa uma geração moldada pelas redes sociais, alcançando grande visibilidade como pregador mirim no presente.
Ao cruzar essas histórias, o filme constrói um contraste direto entre passado e presente, evidenciando como mudaram os mecanismos de exposição religiosa no Brasil, dos programas de auditório à lógica digital. O resultado é um retrato que não se limita ao fenômeno religioso, mas observa como família, pressão social e expectativas moldam esses jovens ao longo do tempo.
A abordagem evita julgamentos e aposta na proximidade com os personagens. A câmera acompanha o cotidiano, revelando conflitos internos, silêncios e processos de transformação, enquanto política e religião aparecem integradas às relações pessoais.
Desde a estreia em festivais, o longa vem sendo reconhecido pela crítica. Participou da Competitiva Brasileira do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, onde venceu o prêmio de Melhor Montagem, além de passar por eventos como o CineBH – Festival Internacional de Cinema de Belo Horizonte e a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Mais recentemente, conquistou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Málaga.
Com estreia nacional iniciada em 16 de abril, A Voz de Deus mantém sessões em cidades como São Paulo, Recife e Salvador, além de chegar a novas praças como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, frequentemente acompanhado de debates com o público após as exibições.
Sinopse
Duas crianças pregadoras buscam um caminho por meio da fé. Daniel Pentecoste foi o pregador infantil mais famoso do país, mas enfrenta um futuro incerto ao crescer. João Vitor vive o auge da popularidade nas redes sociais. Entre passado e presente, o filme revela as infâncias por trás dessas figuras públicas e propõe uma reflexão sobre um Brasil em transformação.
Ficha técnica

Direção: Miguel Antunes Ramos
Roteiro: Miguel Antunes Ramos e Alice Riff
Duração: 85 minutos
País: Brasil / Espanha
Distribuição: Embaúba Filmes
Sessões especiais
O filme terá exibições com debate nos próximos dias, incluindo sessões em São Paulo e uma estreia especial no Rio de Janeiro com bate-papo após a exibição.
A permanência em cartaz e a agenda de encontros com o público reforçam o papel do documentário como um ponto de discussão sobre fé e exposição na sociedade brasileira contemporânea.


