O curta-metragem “Amarela”, escrito e dirigido por André Hayato Saito, venceu o Prêmio Grande Otelo 2026 na categoria Melhor Curta-Metragem de Ficção. A premiação, promovida pela Academia Brasileira de Cinema, foi realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O filme está disponível no Globoplay.
Produzido pela MyMama Entertainment, o longa é protagonizado por Melissa Uehara, em sua estreia como atriz aos 14 anos, e integra uma trilogia de curtas que servirá de base para “Crisântemo Amarelo”, primeiro longa-metragem de ficção de Saito.
Trajetória internacional antes da conquista
Antes do Grande Otelo, “Amarela” acumulou uma extensa trajetória em festivais ao redor do mundo. O curta participou de mais de 100 festivais em 35 países, foi pré-indicado ao Oscar 2026 e disputou a Palma de Ouro de Melhor Curta-Metragem no Festival de Cannes 2024.
A produção também recebeu prêmios em eventos como o Festival de Havana, Hollywood Shortsfest, Festival Tous Courts, na França, e o Prêmio Canal Brasil de Curtas, concedido durante o Kinoforum – Festival Internacional de Curtas de São Paulo.
Uma história sobre identidade e pertencimento
Ambientado em São Paulo, durante a final da Copa do Mundo de 1998, o filme acompanha Erika Oguihara (Melissa Uehara), uma adolescente nipo-brasileira de 14 anos que enfrenta conflitos relacionados à própria identidade enquanto acompanha a decisão entre Brasil e França.
Segundo André Hayato Saito, a obra nasceu de uma experiência pessoal.
“Cresci como um garoto nipo-brasileiro em São Paulo, num país que muitas vezes nos enxerga como estrangeiros, mesmo quando essa é a nossa única casa. A ideia do filme surgiu da vontade de olhar para um episódio ‘bem brasileiro’ e revelar o impacto do racismo na formação da identidade de uma adolescente.”
O diretor afirma que o reconhecimento representa também um gesto simbólico para novas gerações.
“Ver um filme como ‘Amarela’ voar tão longe e vencer o Prêmio Grande Otelo é como um gesto de cura para nós, nossas famílias, nossos ancestrais e, principalmente, para as próximas gerações.”
Produção destaca representatividade
As produtoras Mayra Faour Auad, Gabrielle Auad e Ilda Santiago, da MyMama Entertainment, comemoraram o prêmio e destacaram o trabalho desenvolvido ao lado do cineasta.
Segundo Mayra, apoiar o cinema de André Hayato Saito também significa ampliar discussões sobre identidade, ancestralidade e pertencimento.
Curta abre caminho para “Crisântemo Amarelo”
“Amarela” encerra a trilogia iniciada por “Kokoro to Kokoro” e “Vento Dourado”, obras nas quais André Hayato Saito investiga sua ancestralidade japonesa sob uma perspectiva autobiográfica.
O universo construído nos três curtas servirá de base para “Crisântemo Amarelo”, primeiro longa-metragem de ficção do diretor. O projeto é uma coprodução entre Brasil, Alemanha, Japão e França, foi selecionado pelo Torino Feature Lab 2024, participou do TIFF Filmmaker Lab, do Festival de Toronto, e segue em desenvolvimento para sua futura produção.


