A quarta edição do Bonito CineSur – Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito terminou com números que mostram o crescimento do evento no circuito audiovisual. Realizado entre 24 de julho e 1º de agosto, em Bonito, Mato Grosso do Sul, o festival recebeu cerca de 10 mil pessoas e mais de 150 convidados entre cineastas, atores, produtores, curadores, jurados e jornalistas.
O evento também registrou um recorde de 905 filmes inscritos, vindos de diferentes países da América do Sul. Ao todo, 48 produções de Brasil, Argentina, Peru, Paraguai, Colômbia, Venezuela, Uruguai, Bolívia, Equador e Chile foram selecionadas para as mostras competitivas e paralelas.
Com entrada gratuita, o CineSur buscou aproximar a produção cinematográfica do público local e dos visitantes, enquanto transformava Bonito em ponto de encontro para profissionais do audiovisual do continente.
Cinema, formação e debate
A programação contou com 52 exibições, distribuídas entre as competições de longas e curtas sul-americanos, filmes de temática ambiental e produções de Mato Grosso do Sul. O festival também promoveu sessões voltadas ao público infantojuvenil, filmes realizados pela comunidade e exibições especiais.
A agenda foi além das sessões. Entre os encontros realizados esteve a aula magna “O Problema do Documentário”, conduzida pelo cineasta João Moreira Salles, além da mesa “Voces Femeninas Sudamericanas: Protagonismo y Resistencia en el Cine”.
O debate reuniu profissionais como a atriz chilena Paulina García e a produtora argentina Cecília Diez para discutir a presença e a atuação das mulheres no cinema sul-americano.
A formação também ocupou espaço importante por meio do Bonito CineSur EDUCA, com oficinas de realização de documentários, animação para crianças, roteiro e projeto audiovisual, além de atividades voltadas ao mercado para profissionais, estudantes e moradores da região.
Produção regional ganhou espaço
Uma das frentes do festival foi a Mostra Competitiva Sul-Mato-Grossense, criada para colocar a produção do estado em diálogo com o restante do cinema sul-americano.
Entre os premiados estiveram Natasha, escolhido pelo Júri Oficial, e Higa Ke – Olho por Olho, vencedor pelo Júri Popular.
Já na competição sul-americana, o prêmio principal ficou com “¿Quién Mató a Narciso?”, filme que aborda um crime ocorrido durante a ditadura paraguaia. A seleção também colocou em evidência temas recorrentes na produção do continente, como memória, conflitos sociais e familiares, resistência indígena e diferentes processos históricos.
O festival ainda homenageou Paulina García, o cineasta argentino Luis Puenzo e o documentarista franco-brasileiro Vincent Carelli.
Meio ambiente também esteve no centro
A relação entre cinema e preservação ambiental apareceu tanto na programação quanto nas ações realizadas durante o evento.
A mostra ambiental reuniu produções como “Páramos II: El Origen”, da Colômbia, e “Buen Vivir – Ñutse Canseye”, ampliando o debate sobre sustentabilidade e relação com o território.
O próprio festival adotou medidas relacionadas à gestão de resíduos. Materiais orgânicos foram separados para compostagem, com o composto destinado posteriormente à produção de mudas, arborização e recuperação de matas ciliares e rios de Bonito.
A organização também informou que parte das emissões de carbono geradas pelo evento será neutralizada por meio de créditos de carbono.
Festival movimentou economia de Bonito
O impacto do CineSur não ficou restrito ao setor cultural. Segundo os dados divulgados pela organização, o festival contratou 100 empresas e gerou mais de 240 empregos diretos, contribuindo para movimentar segmentos ligados ao comércio, serviços e turismo.
A presença de profissionais e visitantes de diferentes países também ampliou a exposição de Bonito como destino turístico associado ao audiovisual. O evento registrou repercussão em veículos do Brasil, Chile, Argentina e Paraguai.
Ao combinar cinema, formação, turismo e discussões ambientais, o Bonito CineSur encerrou sua quarta edição ampliando a dimensão do festival dentro do calendário cultural de Mato Grosso do Sul e fortalecendo sua proposta de aproximar a produção cinematográfica dos países sul-americanos.
A próxima edição ainda não teve detalhes divulgados pela organização.


