O cinema brasileiro volta a disputar o principal prêmio do Festival de Cinema de Locarno, na Suíça. A Margem do Rio, primeiro longa-metragem dos diretores Enock Carvalho e Matheus Farias, foi selecionado para a Competição Internacional da 79ª edição do evento e concorre ao Leopardo de Ouro, principal reconhecimento do festival.
Realizado entre 5 e 15 de agosto, o Festival de Locarno é considerado uma das principais vitrines do cinema de autor no mundo. A última vitória brasileira na competição aconteceu em 2022, quando Regra 34, de Júlia Murat, conquistou o Leopardo de Ouro.

Drama ambientado no Recife faz estreia mundial
Produzido no Recife, A Margem do Rio acompanha Izaquiel (Caique Copque), auxiliar de serviços gerais que vive uma rotina marcada pelo trabalho e por encontros secretos nos manguezais da cidade. Sua vida muda ao conhecer Jeremias (Ítalo Martins), um pescador que o conduz por uma jornada de descobertas em meio às paisagens do mangue, enquanto uma ameaça externa transforma o território ao redor.
O longa é uma coprodução entre as brasileiras Gatopardo Filmes, Moçambique Audiovisual e Vitrine Filmes, em parceria com a alemã Tama Filmproduktion.
Filme chega a Locarno após trajetória internacional
Antes mesmo das filmagens, A Margem do Rio já vinha construindo uma trajetória em laboratórios e programas internacionais de desenvolvimento. Em 2022, o projeto recebeu apoio do Hubert Bals Fund, iniciativa ligada ao Festival de Roterdã voltada ao financiamento de novos filmes.
Os diretores também integraram a Rede Paradiso de Talentos, programa de incentivo à internacionalização do audiovisual brasileiro, que voltou a apoiar o longa para sua estreia em Locarno.
Para Enock Carvalho, participar da competição representa a oportunidade de apresentar o filme ao público internacional logo após sua conclusão.
“É uma grande honra estar na competição oficial, onde os filmes são vistos e discutidos por públicos de diferentes lugares e culturas.”
Já Matheus Farias destaca que a seleção marca o encerramento de um longo processo de criação.
“Para mim, esse momento representa a conclusão de quase dez anos de trabalho em ‘A Margem do Rio’, desde as primeiras ideias do roteiro até sua estreia mundial.”


