A indústria audiovisual brasileira encontrou na China exemplos de como infraestrutura cinematográfica, tecnologia, turismo e economia criativa podem trabalhar de forma integrada. Durante o Festival Internacional de Cinema de Xangai (SIFF), representantes do mercado nacional participaram de uma missão organizada pela Plataforma Brasil de Audiovisual, que incluiu visitas a estúdios, encontros com empresas chinesas e uma passagem pelo Hengdian World Studios, considerado o maior complexo de cidades cenográficas do mundo.
A iniciativa também levou empresas brasileiras ao Mercado Internacional de Cinema e TV de Xangai, espaço de negócios realizado durante o festival. A programação teve como objetivo aproximar produtores nacionais de potenciais parceiros internacionais e apresentar a produção brasileira ao mercado asiático.
Hengdian mostra como um polo audiovisual pode ir além do cinema
Um dos principais pontos da missão foi o complexo cinematográfico de Hengdian, fundado em 1996. Com cerca de 496 mil metros quadrados de área construída e 330 hectares, o espaço reúne estruturas capazes de reproduzir diferentes períodos históricos e ambientes, incluindo cenários futuristas.
Ao longo de sua trajetória, Hengdian recebeu mais de 300 cineastas e 5 mil produções para cinema e televisão, transformando-se em uma referência para a indústria audiovisual chinesa.
Para Leo Edde, diretor-presidente da RioFilme e integrante da delegação, a estrutura demonstra como investimentos no audiovisual podem produzir impactos em diferentes setores.
“A visita à cidade de Hengdian mostra como o audiovisual pode impulsionar o desenvolvimento ao lado da tecnologia, do turismo e de outros setores da economia.”
A experiência também dialoga com projetos em desenvolvimento no Brasil, como o Distrito Criativo da Barra Olímpica, no Rio de Janeiro. A proposta prevê a transformação do Parque Olímpico em um polo permanente de entretenimento e economia criativa, aproveitando a estrutura deixada pelos Jogos Olímpicos de 2016.
Animação brasileira também busca conexões na China
A delegação brasileira contou ainda com representantes da animação, que visitaram o Shanghai Animation Film Studio, considerado o mais antigo e tradicional estúdio de animação da China.
Fundado em 1957, o estúdio foi responsável por algumas das primeiras produções animadas do país, incluindo O Rei Macaco: O Repto ao Céu, dos irmãos Wan, nomes pioneiros da animação chinesa.
Zé Brandão, fundador do Copa Studio e conhecido pela criação de Irmão do Jorel, destacou a oportunidade de conhecer a estrutura do mercado chinês e estabelecer contato com produtores de outros países.
“Além de nos reunirmos com produtores chineses e de países como Coreia do Sul e Rússia, entendemos melhor como funciona esse mercado, que, além de ser enorme, tem características muito próprias.”
A produção brasileira também esteve representada no espaço de negócios do Festival de Xangai. O estande da Plataforma Brasil de Audiovisual apresentou materiais de projetos nacionais e serviu como ponto de encontro entre empresas brasileiras e representantes do mercado internacional.
Missão aproxima Brasil de empresas estratégicas
Além das visitas técnicas, a Plataforma Brasil de Audiovisual promoveu encontros com organizações como a UHD World Association (UWA), voltada ao desenvolvimento internacional de tecnologias de vídeo e áudio, e o Shanghai Media Group, um dos principais conglomerados de mídia da China.
A aproximação ganha relevância também pela recente parceria entre o grupo chinês e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), criando uma conexão adicional entre os mercados dos dois países.
Para Edde, essas relações podem contribuir para projetos de desenvolvimento da indústria criativa no Rio de Janeiro e para a criação de novos modelos de negócios ligados ao audiovisual.
A missão reuniu representantes de empresas e entidades de seis estados brasileiros, entre elas Vitrine Filmes, Gullane, Sato Company, ORI Imagem e Som, Otto Desenhos Animados, Flamma Produções, Copa Studio, Pinguim Content, Coração da Selva, Olhar Filmes, Estúdio Giz, Movioca, Mixer Films, Quanta Works, Moveo e FICA – Federação da Indústria e Comércio Audiovisual.
A Plataforma Brasil de Audiovisual é realizada pelo Ministério da Cultura em parceria com órgãos e instituições brasileiras, incluindo Ministério das Relações Exteriores, Ministério do Turismo, Funarte, Embratur, Sebrae, Instituto Guimarães Rosa, Consulado-Geral do Brasil em Xangai e Embaixada do Brasil em Pequim. O projeto conta com patrocínio do BNDES, Petrobras e Caixa Econômica Federal, produção executiva da Quitanda Soluções Criativas e do Instituto Ibero Culturas e cooperação da UNESCO.


