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Coward | Filme de Lukas Dhont leva amor e teatro para as trincheiras da Primeira Guerra

Premiado em Cannes, longa acompanha dois jovens soldados que encontram no palco uma forma de escapar da brutalidade do conflito

A guerra costuma ser retratada pelo cinema a partir de seus grandes acontecimentos: batalhas, mortes, estratégias e consequências políticas. Coward, novo filme do diretor belga Lukas Dhont, escolhe outro caminho. Em vez de transformar a Primeira Guerra Mundial em espetáculo, o longa olha para os jovens que foram colocados dentro dela — e para as relações que conseguem construir em meio ao caos.

A história acompanha Pierre, um jovem soldado enviado para a linha de frente. Em meio às trincheiras belgas, ele conhece Francis, um homem que rapidamente se torna alguém importante em sua vida. A aproximação entre os dois surge em um ambiente no qual quase tudo parece impedir qualquer possibilidade de intimidade.

A situação muda quando Francis propõe a criação de uma peça de teatro no front. O que começa como uma tentativa de escapar temporariamente da realidade da guerra acaba criando um espaço próprio para os dois personagens.

O palco como refúgio

Cortesia MUBI

É justamente nessa relação entre guerra, arte e afeto que o filme encontra sua identidade.

O teatro funciona como uma espécie de refúgio dentro das trincheiras. Enquanto o conflito transforma os soldados em peças de uma máquina de guerra, a encenação permite que eles voltem a ser indivíduos, capazes de criar, imaginar e estabelecer vínculos.

Para Pierre, a experiência também representa uma descoberta. O contato com Francis abre uma possibilidade de vida que parecia inexistente naquele ambiente dominado pela violência.

A relação entre os dois protagonistas se desenvolve, portanto, não como uma história de amor isolada da guerra, mas como uma resposta à própria brutalidade dela. Quanto mais hostil é o mundo ao redor, maior se torna a importância daquele pequeno espaço de liberdade criado pelos personagens.

Lukas Dhont volta ao tema da juventude

Depois de Girl e Close, Dhont novamente concentra seu olhar em personagens jovens que tentam compreender quem são enquanto enfrentam as expectativas impostas pelo ambiente ao redor.

Em Coward, essa descoberta acontece em circunstâncias ainda mais extremas. Pierre e Francis não estão apenas lidando com sentimentos e identidade, mas também com a possibilidade concreta de não sobreviverem ao conflito.

O filme utiliza essa situação para falar sobre vulnerabilidade, amizade, desejo e sobrevivência, sem abandonar a dimensão humana de seus personagens.

O resultado é uma história que encontra na intimidade uma maneira de falar sobre a guerra. Em vez de mostrar apenas aquilo que o conflito destrói, Coward se interessa pelo que seus personagens ainda conseguem construir.

Destaque em Cannes

A atuação de Emmanuel Macchia e Valentin Campagne foi um dos principais destaques da estreia do longa no Festival de Cannes 2026. Os dois dividiram o prêmio de Melhor Ator pela interpretação de Pierre e Francis.

A produção também reúne Dhont novamente com o corroteirista Angelo Tijssens e o produtor Michiel Dhont, colaboradores de seus trabalhos anteriores.

Coward será exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto, em setembro, e estreia nos cinemas norte-americanos em 25 de dezembro de 2026. A data de lançamento no Brasil ainda não foi anunciada.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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