Depois da parceria com Jackie Chan em Ride On, em 2023, Larry Yang está de volta com Operação Sombra, filme de tirar o fôlego que marca a segunda parceria entre o diretor e o ator.
E se por um lado conhecemos Jackie Chan por filmes que misturam comédia e artes marciais, o ator também é lembrado principalmente por sagas como Police Story, que tem muito a ver com Operação Sombra, em que ele também interpreta um policial.
O filme nasceu como um remake de Eye in the Sky (2007), sendo um projeto de Larry Yang que demorou anos para ganhar forma justamente por atualizar a trama. A ideia era deixar os roubos tradicionais de lado e trazer a inteligência artificial como um dos pilares da nova história.
E aqui temos Jackie Chan com 71 anos, voltando a fazer o que sabe de melhor. Ao mesmo tempo, temos uma nova geração brilhando, como a atriz Zhang Zifeng, que interpreta uma jovem policial que divide o caso com o veterano Wong.
Ainda do lado dos veteranos, temos Tony Leung Ka-fai, que atuou em Eye in the Sky (2007) e retorna no remake interpretando novamente o antagonista. Quase 20 anos depois, ele volta a dividir a tela com uma história que mantém a conexão com o filme original.
Para os fãs de K-pop, Wen Junhui, do grupo Seventeen, também está no filme. Do lado dos vilões, o cantor e ator chinês Ci Sha também marca presença na produção.
Juntando estes ingredientes, Operação Sombra é uma mistura dos clássicos da antiga Sessão Kickboxer da Band, com uma roupagem atual de IA e K-pop para as novas gerações.
Mas vamos falar da história?
A trama
A polícia de Macau tenta acompanhar uma quadrilha especializada em grandes roubos, capaz de manipular sistemas de vigilância e desaparecer sem deixar pistas. Depois de um assalto envolvendo chaves de criptomoedas, no qual os criminosos fazem os policiais de tolos, a polícia se vê sem respostas e precisa olhar para o próprio passado.
É aqui que o policial aposentado Wong, vivido por Jackie Chan, acaba convocado para resolver um crime que conseguiu enganar a inteligência artificial da polícia.
Aposentado e cuidando de cachorros, Wong aceita a missão, volta à polícia e identifica os criminosos em poucos segundos pelas câmeras de segurança.
Descobrindo que os novos tempos trouxeram economia e comodismo para a polícia, Wong sugere montar sua própria equipe para investigar o caso em campo. É algo que a polícia já não faz, apostando cada vez mais na identificação dos criminosos por meio das câmeras e da tecnologia.
É aqui que nasce uma amizade e um respeito mútuo com He Qiuguo (Zhang Zifeng). Querendo atuar nas ruas, ela acaba colocando seu disfarce em risco, o que traz de volta lembranças de um caso do passado de Wong, quando o pai dela morreu justamente ao revelar que era policial.
Adotando um tom paternal, Wong quer o melhor para He Qiuguo e a ensina a ter paciência e confiar nos próprios instintos, em uma época em que apostamos mais nos filtros da IA do que no nosso próprio feeling.
Os vilões e o passado com o próprio Wong
Tony Leung Ka-fai interpreta Fu Lung-sang, um antagonista que não é apenas um vilão, mas um grande ladrão que desapareceu por 20 anos. Intitulado O Sombra, Fu Lung-sang era um criminoso que Wong perdeu de vista no passado e que agora está de volta com uma nova geração, executando crimes digitais, mas usando artifícios do passado.
É justamente isso que engana a polícia atual, despreparada e sem o histórico necessário para entender os métodos utilizados por Fu.
Se o crime agora envolve chaves de criptomoedas e invasões a lugares que executam grandes operações financeiras, Fu Lung-sang traz técnicas nas quais é mestre, como os inúmeros disfarces que fazem a polícia perder seu rastro.
Enquanto isso, temos Ci Sha interpretando os irmãos gêmeos Xi Wang e Xi Meng, que tratam Fu Lung-sang como um pai. Os dois são mestres em hackear e roubar criptomoedas, o que combina perfeitamente com seu “pai” adotivo em uma combinação explosiva.
Jackie Chan continua sendo o grande destaque
Quando Operação Sombra parte para a ação, é quando vemos Jackie Chan em sua melhor forma.
Com Wong percebendo que está diante de um bandido do passado, ele não precisa apenas investigar, mas também lutar para manter seu disfarce convincente diante de Fu Lung-sang.
É aqui que talvez o filme se torne levemente cansativo, com os dois atores tentando enganar um ao outro sobre suas identidades civis, enquanto temos a sensação de que ambos já sabem quem o outro realmente é.
Mas, sem a paciência dos mais experientes, Xi Wang e Xi Meng logo mandam atacar Wong, enganando as câmeras da polícia. É durante essa briga que Jackie Chan mostra que ainda consegue lutar de igual para igual com a geração mais nova.
Enquanto isso, a pressa para pegar o dinheiro digital faz com que atacar a polícia de Macau vire uma recompensa no mercado negro, despertando a atenção de diferentes criminosos.
Mas será que Wong conseguirá finalmente capturar Fu Lung-sang?
Veredito
Ver Jackie Chan onde ele realmente brilha, que é nos filmes de ação e artes marciais, acaba sempre sendo um show à parte. Porém, não dá para negar que, com tantos plot twists, o roteiro não só acaba pesando a mão, como suas reviravoltas trazem um ritmo bem irregular, dando uma sensação de barriga à trama.
Porém, o carisma de Wong, aliado à trama em que os veteranos dão as cartas, é o que realmente rouba a atenção e faz com que você não tire os olhos do filme.
Seja por Fu Lung-sang, que cuida do lado dos bandidos e consegue respeito mesmo sem entender de tecnologia, ou por Wong, do lado da polícia, mostrando que algumas técnicas e estratégias são atemporais, Operação Sombra encontra sua melhor ideia justamente nesse conflito entre experiência e modernidade.
É como se o filme dissesse que, enquanto a tecnologia facilita o trabalho da polícia, também pode fazer com que ela esqueça algo importante: a experiência de quem já esteve nas ruas.
O filme ainda surpreende com uma cena pós-créditos digna de homenagem a Alvo Duplo. Ao revelar que Xi Wang e Xi Meng têm um outro irmão trigêmeo, chamado Xi Tai, a produção abre espaço para uma possível continuação, enquanto ele tenta reunir as palavras-chave necessárias para conseguir transferir as criptomoedas.
Zhang Zifeng também brilha como a policial que aprende as técnicas de Wong e ajuda a manter vivo esse jeito antigo de capturar bandidos.
Jackie Chan e Tony Leung Ka-fai conseguem surpreender ao entregar personagens que funcionam muito bem em lados opostos. Um é o policial e o outro, o bandido, mas ambos entregam personagens ricos e, quando precisam lutar, mostram que a idade não os impede de dar o melhor em cena.
Em tempo, com a trama se passando em Macau, que foi uma colônia portuguesa no passado e ainda mantém viva a influência do idioma português, podemos ver escritos em português pela cidade e, em especial, nos prédios da polícia. Para o público brasileiro, isso pode gerar um certo estranhamento, mas funciona como uma curiosidade interessante da influência portuguesa na região.
No fim, Operação Sombra é um thriller de ação competente e que agrada em cheio aos fãs de Jackie Chan. Traz um elenco que segura a trama e entrega boas cenas de ação, muito além de somente artes marciais. Com uma história cheia de reviravoltas e um policial saindo da aposentadoria atrás de um bandido das antigas, Operação Sombra tem tudo para agradar aos fãs do gênero.
Ficha técnica

Nota: 4,5 (de 5)
- Título original: The Shadow’s Edge (捕风追影)
- Direção e Roteiro: Larry Yang
- Baseado em: Eye in the Sky (2007), de Yau Nai-hoi
- Produção: Victoria Hon e Zhang Chao
- Elenco: Jackie Chan, Zhang Zifeng, Tony Leung Ka-fai e Ci Sha
- Direção de fotografia: Qian Tiantian
- Montagem: Zhang Yibo
- Trilha sonora: Nicolas Errèra
- Produtoras: Hairun Pictures e iQIYI Pictures
- Distribuição: A2 Filmes
- Duração: 142 minutos
- Países: China e Hong Kong
- Idioma: Mandarim

