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Crítica | Divertido e sincero, Era Uma Vez Minha 1ª Vez fala sobre respeito e anseios da adolescência

Adaptação do livro de Thalita Rebouças acompanha quatro amigas em uma jornada de descobertas, numa trama que já vimos muitas vezes pelo olhar masculino, mas que agora é a vez delas.

Já vimos muitas vezes histórias de amigos querendo perder a virgindade antes de se formar na escola. Seja nos anos 80, com Porky’s, ou no final dos anos 90, com American Pie, essa é uma história recorrente no universo masculino. Mas, em Era Uma Vez Minha 1ª Vez, o filme traz a visão feminina, mostrando que as garotas não só pensam sobre o assunto como também têm suas próprias experiências e desejos.

É justamente nesse tom que o filme, baseado no livro de Thalita Rebouças, consegue desenvolver sua história, ao acompanhar quatro amigas que decidem fazer um pacto para perder a virgindade até a formatura.

Deixando os tabus de lado e tratando o assunto com naturalidade, o filme é dirigido por Claudia Castro, com roteiro de Thalita Rebouças e João Paulo Horta. O elenco conta com rostos conhecidos do público, como Letícia Braga, Castorine, Lívia Silva e Duda Matte como protagonistas, além de Cauã Martins, Pedro Ogata, Caian Zattar e JP Rufino.

Mas será que conversar sobre virgindade ainda faz sentido nos dias de hoje?

A história

Crédito: Helena Barreto

Em busca de uma experiência única, somos apresentados a Teresa (Letícia Braga), Clara (Castorine), Tuca (Lívia Silva) e Patty (Duda Matte), quatro jovens inseparáveis que mantêm uma amizade de longa data e dividem inúmeros momentos juntas. E é nessa relação que até a virgindade entra em questão.

Como amigas, cada uma delas tem suas próprias particularidades. Teresa não quer nada sério com ninguém, enquanto Clara tem namorado, mas coloca muita pressão sobre si mesma na hora H. Já Tuca namora um modelo mais velho que a objetifica, enquanto Patty é a única do grupo que já perdeu a virgindade.

Aproveitando uma viagem dos pais, Clara sugere uma festinha em sua casa, que seria o momento ideal para as amigas cumprirem o pacto.

É nesse momento que entram os personagens masculinos, como Gaspar (Cauã Martins), Cabelo (JP Rufino) e Suzano (Caian Zattar). Gaspar acaba de voltar de um intercâmbio, aparentemente muito mais maduro, despertando a atenção de Teresa, enquanto Clara deseja perder a virgindade com seu namorado, Cabelo. Já Suzano é um rapaz que trabalha como modelo e parece se considerar superior aos demais.

Mais do que perder a virgindade, o filme procura mostrar que essa experiência não é tão simples assim e que, mesmo sendo um momento importante de nossas vidas, pode trazer frustrações quando criamos expectativas demais.

O que torna Era Uma Vez Minha 1ª Vez diferente dos filmes protagonizados por personagens masculinos é justamente sua construção em diferentes arcos, levando as protagonistas para um segundo momento, quando a amizade entre elas fica por um fio e a preparação para o baile de formatura se torna fundamental para uma possível reconciliação.

É nessa etapa que personagens como Tavinho (Pedro Ogata) e a professora Beta (Cintia Rosa) ganham espaço, justamente quando as quatro amigas começam a questionar suas próprias escolhas.

O pacto, no fim das contas, torna-se apenas um ponto de partida, mas não é o foco principal da história, que se concentra muito mais no amadurecimento das protagonistas e nos questionamentos sobre suas escolhas e decisões.

Muito além da primeira vez

Crédito: Helena Barreto

Por mais que o título sugira que a trama seja apenas sobre a primeira vez das protagonistas, Era Uma Vez Minha 1ª Vez pode ser definido como um filme sobre a amizade dessas quatro garotas, numa relação tão sincera que torna divertido torcer por elas.

Ao trazer protagonistas femininas para discutir esse tipo de assunto, chega a ser curioso como sua construção apresenta personagens muito mais maduras que os garotos do filme. É uma diferença que pode até parecer natural nessa fase da vida, mas que nem sempre recebe tanto desenvolvimento em filmes e séries adolescentes.

Quando temos personagens como Gaspar e Cabelo, que ainda agem como meninos, ou mesmo Tavinho, que trata Teresa de uma forma totalmente diferente de como Suzano a tratava, o filme apresenta diferentes perspectivas sobre os relacionamentos na adolescência.

Thalita Rebouças já é conhecida por esse tipo de abordagem com personagens adolescentes, e aqui não é diferente. O acerto está justamente no tom da adaptação, com um elenco muito entrosado e uma história que consegue se desenvolver de maneira natural, mesmo quando temas como a virgindade já não são novidade, pelo menos para o público mais velho.

Com uma linguagem atual, mas que não foge de produções como Confissões de Adolescente, Era Uma Vez Minha 1ª Vez agrada ao mostrar que, mesmo para as gerações mais novas, que podem ser até um pouco mais caretas do que imaginamos, a virgindade ainda pode representar um momento importante na vida de um jovem.

Mais do que cumprir um pacto, o filme mostra que crescer também significa aprender a respeitar o próprio tempo, lidar com as expectativas e entender que nem sempre as coisas acontecem como imaginamos. E, nessa jornada, a amizade pode ser tão importante quanto qualquer primeira vez.

Ficha técnica

Nota: 4,5 (de 5)

Era Uma Vez Minha 1ª Vez

Ano: 2026

País: Brasil

Gênero: Comédia dramática

Duração: 1h30

Classificação indicativa: 14 anos

Direção: Claudia Castro

Roteiro: Thalita Rebouças, João Paulo Horta e Carolina Minardi

Baseado na obra de: Thalita Rebouças

Elenco: Letícia Braga (Teresa), Castorine (Clara), Lívia Silva (Tuca), Duda Matte (Patty), Cauã Martins (Gaspar), Pedro Ogata (Tavinho), Caian Zattar (Suzano), Alessandra Colassanti (Eduarda), Duda Pimenta (Mirela), Cintia Rosa (Professora Beta) e JP Rufino (Cabelo).

Produção: Na Paralela Filmes

Distribuição: Na Paralela Filmes e A Fábrica

Estreia: 17 de setembro de 2026, nos cinemas.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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