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Crítica | Com terror e humor, Resident Evil se reinventa e se reencontra nos cinemas

Dirigido por Zach Cregger, novo filme acompanha uma noite de horror em Raccoon City e apresenta uma história original inspirada no universo dos games da Capcom.

Por mais que Resident Evil tenha uma longa trajetória nos cinemas, seus filmes nunca pareceram conhecer de verdade os jogos originais da Capcom. Agora, em sua terceira tentativa de reinvenção, a bola da vez é a produção dirigida por Zach Cregger, responsável por Noites Brutais e A Hora do Mal.

Sai Alice com seus poderes sobre-humanos, fica para trás a adaptação caricatural de 2022 e entra uma abordagem muito mais cult, quase com uma visão indie da franquia. Saem os personagens consagrados dos jogos e entra um protagonista comum, quase um NPC que acabou assumindo o papel principal da história.

Interpretado por Austin Abrams, Bryan é um entregador que se vê no meio de uma invasão zumbi, sem qualquer treinamento ou preparo para enfrentar os horrores que surgem pelo caminho.

Levando a história para os dias atuais, em meio a uma nevasca, Zach Cregger coloca seu protagonista diante do caos, quase no papel de um jogador que cai de paraquedas em um game que nunca experimentou.

E é justamente aqui que, depois de tantos erros, Resident Evil parece finalmente entrar nos trilhos pela primeira vez nos cinemas.

A história

Em outra cidade, acompanhamos o caos de um hospital repleto de pessoas feridas, enquanto Bryan (Austin Abrams), um entregador médico, tenta a todo custo realizar uma entrega de órgãos para transplante. Quando pensa que finalmente aquela noite havia acabado, uma médica pergunta se ele poderia fazer uma última entrega em um hospital de Raccoon City, oferecendo o dobro do pagamento.

Bryan reluta, mas, depois de ter brigado com a namorada naquele dia, a proposta parece uma oportunidade de ganhar um dinheiro fácil. O que ele não imagina é que aquela noite estava apenas começando.

O que parecia ser uma entrega tranquila se transforma em um pesadelo quando ele atropela uma mulher misteriosa em meio à nevasca. Tentando ajudá-la, Bryan a coloca no carro, sem perceber que ela já havia se transformado em um zumbi e que só não o atacava porque estava com o rosto congelado.

É nesse momento que surge um policial, que questiona a situação e tenta prestar socorro à mulher, mas acaba sendo atacado em um incidente que deixa claro que Bryan não terá uma noite fácil.

Tentando entender o que está acontecendo, enquanto a mulher insiste em persegui-lo, Bryan acaba entrando em uma propriedade particular, onde também passa a ser perseguido por um cachorro zumbi.

Definitivamente, Bryan não imaginava que aquela seria a entrega mais problemática de sua vida, transformando o que parecia um trabalho simples em uma corrida desesperada pela sobrevivência.

Raccoon City

Com roteiro de Cregger e Shay Hatten, o longa vai construindo sua história com figuras conhecidas dos jogos, mas coloca Bryan em uma situação bastante peculiar. Mesmo afirmando ser jogador, ele não consegue identificar que está no meio de uma invasão zumbi, sempre esperando o melhor das pessoas, mesmo quando tudo ao seu redor indica o contrário.

Isso fica evidente na fazenda onde procura abrigo, encontrando o proprietário transformado em zumbi, e em sua fuga desesperada para Raccoon City, onde finalmente se depara com uma equipe da Umbrella Corporation.

É justamente nesse ponto que Bryan começa a entender a gravidade da situação, descobrindo que não estava transportando órgãos, mas uma substância que poderia representar a cura para aquela noite maldita.

Mas a pergunta que fica é: será que ele conseguirá chegar vivo ao seu destino?

Uma nova perspectiva

Não vou negar que, se este é o Resident Evil que mais conversa com os jogos, também é o filme mais engraçado de toda a série. Afinal, Bryan é um entregador, e não Leon Kennedy, um personagem altamente treinado para enfrentar qualquer missão.

Então, colocar Bryan diante de armas, monstros e situações em que precisa fugir a todo custo se torna um desafio surreal, justamente por ele ser um completo novato naquele universo.

Austin Abrams entrega um Bryan que chega a dar dó, principalmente por não entender o que está acontecendo ao seu redor. Seu personagem tenta sobreviver a qualquer custo, concluir a entrega e voltar para a namorada, sem imaginar que cada decisão pode colocá-lo diante de um perigo ainda maior.

Ao trazer o caos de Raccoon City, o filme também acrescenta um elemento que faz muita diferença para a história: a neve. A nevasca não funciona apenas como cenário, mas como um obstáculo que dificulta ainda mais a chegada do protagonista à cidade, tornando sua jornada de sobrevivência ainda mais complicada.

Particularmente, não dá para aprofundar muito a história sem entregar spoilers, mas o novo filme não tem medo de ser nojento, com cenas viscerais que abraçam a temática dos jogos originais.

Seja com zumbis se jogando atrás de Bryan ou em uma maternidade repleta de mortos-vivos, Resident Evil abraça essa nojeira, lembrando obras como The Sadness, que também aposta no horror extremo e na violência gráfica.

Mas tudo isso acontece sem abrir mão das referências aos jogos. Estão lá a máquina de escrever, as plantas medicinais, inúmeras armas e, principalmente, monstros bastante conhecidos por quem acompanha a saga.

São elementos que não aparecem apenas para agradar aos fãs, mas ajudam a construir a identidade de um filme que finalmente parece compreender o universo do qual faz parte.

Uma adaptação que pode ter encontrado seu caminho

Não vou mentir: o excesso de humor, especialmente no começo do filme, não é exatamente o que se espera de Resident Evil. Mas Zach Cregger talvez tenha utilizado essa abordagem intencionalmente, como uma espécie de anestesia para os horrores que viriam depois.

E, mesmo trazendo um personagem novo, fora do foco dos protagonistas que conhecemos, como Leon, Jill, Claire ou Chris, o novo Resident Evil mostra um caminho que os filmes podem seguir daqui para a frente.

Seja apresentando novos personagens que explorem outras facetas desse universo ou trazendo de volta os protagonistas consagrados, a abordagem utilizada aqui mostra que existe espaço para contar novas histórias sem abandonar a essência dos jogos.

Ao se concentrar em produzir um filme de sobrevivência, o novo Resident Evil conseguiu ser mais Resident Evil do que qualquer uma das adaptações anteriores. E, depois de tantas tentativas, mostrou que é possível levar essa história para as telonas sem abrir mão de suas verdadeiras raízes.

Ficha técnica

Nota: 4,5 (de 5)

Título original: Resident Evil

Direção: Zach Cregger

Roteiro: Zach Cregger e Shay Hatten

Elenco: Austin Abrams, Zach Cherry, Kali Reis e Paul Walter Hauser

Fotografia: Dariusz Wolski

Trilha sonora: Ryan Holladay e Hays Holladay

Duração: 95 minutos

Gênero: Terror

Distribuição: Sony Pictures Releasing

Lançamento nos Estados Unidos: 18 de setembro de 2026

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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