Como levar mais pessoas ao cinema em um cenário no qual TikTok, streaming e diferentes telas disputam a atenção do público? A transformação do mercado audiovisual continuou no centro das discussões da EXPOCINE 2026 durante o segundo dia do evento, realizado em 1º de outubro, em São Paulo.
Além da Feira de Negócios e das oficinas, a programação recebeu apresentações dos próximos lançamentos de Vitrine Filmes, Paramount, Downtown Filmes, Elo Studios, Diamond Films e Disney.
Nos painéis, as discussões passaram por acessibilidade, regulamentação do streaming e pelas mudanças no marketing dos filmes em uma época na qual um vídeo produzido por um fã pode ser o primeiro contato de alguém com uma estreia.
Cinema ainda precisa avançar na acessibilidade
O painel A Cadeira que Fica Vazia – Preço de Deixar o Público PCD de Fora discutiu não apenas os recursos necessários para tornar uma sessão acessível, mas também o impacto de ignorar esse público na própria formação de espectadores.
Participaram da conversa representantes da distribuição, exibição, regulação e acessibilidade, entre eles Cid Torquato, Lígia Zamaro, Marcella Fazzio, Marina Herrador e Renata Del Giudice.
Um dos pontos levantados foi que a acessibilidade precisa começar antes mesmo de o espectador chegar à sala.
Marina Herrador, da Paris Filmes, citou a necessidade de pensar também na comunicação, com trailers acessíveis e materiais capazes de orientar o público. A discussão apontou que acolher esse espectador pode contribuir para que ele retorne para outras sessões, transformando acessibilidade também em uma questão de formação e fidelização de público.
Regulamentação do streaming entra no debate
A relação entre cinema e streaming apareceu no painel Regulação do VOD – O que Muda para a Sala de Cinema Quando o Streaming For Regulado.
A conversa passou pela ausência de uma regulamentação definida para o vídeo sob demanda no Brasil e pelas diferentes questões envolvidas em uma futura legislação.
Entre os pontos apresentados por Luiza Favale, da Glaz Entretenimento, estiveram a cobrança da Condecine das plataformas, a titularidade de direitos dos produtores independentes e a possibilidade de cotas para produções nacionais.
Também participaram Celia Catunda, da Pinguim Content, e Vanessa de Araújo Souza, do Canal Curta, com mediação de Gabriel Portela.
TikTok muda a descoberta dos filmes
Se antes trailers e campanhas dos estúdios concentravam boa parte da comunicação de um lançamento, as redes sociais tornaram esse processo menos controlado.
Esse foi o ponto de partida do painel Marketing de Bilheteria na Era do TikTok, que reuniu representantes da plataforma, Cinemark e Cinépolis para discutir como o público passou a participar diretamente da divulgação e descoberta de filmes.
Segundo dados apresentados por Camila Ramires, do TikTok, 47% dos usuários da plataforma descobrem o que assistir por meio de vídeos publicados no serviço. Ainda de acordo com os números apresentados durante o painel, 42% procuram posteriormente o título no cinema ou streaming e 36% chegam a comprar ingressos ou contratar serviços.
Para Sabrina Salgado, diretora de marketing da Cinemark, essa mudança também reduziu a centralização da comunicação nas mãos dos estúdios e exibidores, criando um ambiente em que o próprio público participa da construção da conversa sobre um filme.
Já Luiz Angi, da Cinépolis, destacou a possibilidade de transformar essa descoberta diretamente em venda quando o conteúdo divulgado nas redes está relacionado a um título com ingressos disponíveis.
A EXPOCINE 2026 acontece no Espaço Center 3 de Eventos e no Cine Marquise, na Avenida Paulista, reunindo profissionais de distribuição, produção e exibição para discutir as mudanças do mercado audiovisual.


