O Halloween é uma oportunidade para revisitar os diferentes caminhos que o terror encontrou nos videogames, desde as experiências de sobrevivência que marcaram gerações até produções independentes que exploram novas maneiras de provocar tensão. Em 2026, o gênero continua apresentando histórias que vão além dos sustos tradicionais, utilizando ambientes isolados, acontecimentos sobrenaturais e conflitos psicológicos para envolver os jogadores.
Entre os títulos que merecem atenção estão Routine, Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake, NEVE, Subversive Memories, Bad House e Obscurium, jogos que apresentam propostas distintas e demonstram como o terror pode ser explorado por meio de diferentes estilos visuais e mecânicas.
A seleção também destaca a participação de desenvolvedores brasileiros, com projetos que utilizam desde a ficção científica até acontecimentos históricos e criaturas do folclore nacional para construir suas experiências.
Routine leva o terror para uma base lunar abandonada

Desenvolvido pela Lunar Software e publicado pela Raw Fury, Routine apresenta uma experiência de terror e ficção científica ambientada em uma base lunar aparentemente abandonada. Lançado em 2025, o jogo aposta na exploração de corredores escuros e instalações deterioradas, colocando o jogador diante de um ambiente em que a sensação de isolamento é tão importante quanto as ameaças que podem surgir durante a investigação.
A proposta utiliza o cenário espacial para construir uma atmosfera de tensão constante, enquanto o jogador procura compreender o que aconteceu na instalação e descobre que a ausência de pessoas não significa necessariamente que esteja sozinho.
O cuidado com a ambientação e a exploração dos espaços fechados aproxima Routine de uma vertente do terror que privilegia a vulnerabilidade do protagonista e o desconhecimento sobre os perigos que o cercam.
Desenvolvimento: Lunar Software
Publicação: Raw Fury
Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake revisita o terror japonês

Considerado um dos títulos mais conhecidos da franquia Fatal Frame, Fatal Frame II: Crimson Butterfly retorna em uma nova versão desenvolvida e publicada pela Koei Tecmo. O remake recupera uma das experiências mais lembradas do terror japonês nos videogames, agora adaptada às tecnologias modernas.
A franquia criada por Makoto Shibata se diferencia de outras séries de terror por utilizar a Câmera Obscura, equipamento que permite enfrentar aparições sobrenaturais por meio de fotografias. Essa mecânica transforma o ato de observar os fantasmas em parte fundamental da sobrevivência, já que o jogador precisa encarar diretamente as ameaças para combatê-las.
Em Crimson Butterfly, a presença de espíritos e as referências ao imaginário sobrenatural japonês contribuem para uma atmosfera que combina exploração, mistério e confrontos com entidades que permanecem ligadas ao passado.
Desenvolvimento: Koei Tecmo
Publicação: Koei Tecmo
NEVE mistura ficção científica e decisões em uma missão espacial

Produzido pelo estúdio brasileiro Ritus Studio, sediado em Goiás, NEVE acompanha Jasmina, capitã da espaçonave Argo, que desperta de um período de criogenia após uma aterrissagem desastrosa.
Confinada em sua cápsula, a protagonista precisa tomar decisões e confiar nas informações transmitidas por sua tripulação para tentar garantir que todos consigam retornar para casa. A situação transforma a comunicação e a administração das escolhas em elementos centrais da experiência, criando uma sensação de urgência diante de circunstâncias que fogem ao controle da personagem.
O projeto utiliza a ficção científica como ponto de partida para explorar o isolamento, a incerteza e a dificuldade de tomar decisões quando não é possível compreender completamente o que está acontecendo. A proposta também estabelece aproximações temáticas com produções cinematográficas como O Enigma de Outro Mundo, especialmente pela tensão construída em torno de uma equipe diante de uma ameaça desconhecida.
Fundada por Michelle Santos e Wadson Alvim, a Ritus Studio trabalha com narrativas lineares e interativas, tendo NEVE como seu primeiro projeto de videogame.
Desenvolvimento: Ritus Studio
Publicação: Ritus Studio
Subversive Memories utiliza o terror para abordar um passado de repressão

O terror psicológico também aparece em Subversive Memories, produção do estúdio brasileiro Southward Studio que utiliza as memórias de um período marcado pela repressão política como parte de sua narrativa.
A história acompanha Renata, personagem que precisa lidar com lembranças e acontecimentos perturbadores associados a um regime opressivo. A proposta combina elementos sobrenaturais com referências a experiências históricas traumáticas, utilizando espaços e memórias para construir uma atmosfera de desconforto.
Ao relacionar o horror a acontecimentos ligados à violência institucional e à repressão, o jogo procura explorar como experiências do passado podem continuar presentes na vida dos personagens, mesmo quando parecem ter sido deixadas para trás.
Desenvolvimento: Southward Studio
Publicação: Southward Studio
Bad House combina terror, pixel art e geração procedural

Com lançamento previsto para 2027, Bad House apresenta uma proposta que mistura elementos de terror com mecânicas de batalhas automáticas, geração procedural e gráficos em pixel art.
Desenvolvido por Andrew Morrish e publicado pela Dotemu, o jogo coloca o jogador diante de uma residência que esconde ameaças sobrenaturais, incluindo um porão que, apesar dos avisos para não ser explorado, guarda parte dos perigos da experiência.
A combinação de geração procedural e confrontos automáticos busca oferecer partidas com diferentes situações e encontros, enquanto a direção visual utiliza a estética dos jogos em pixel art para apresentar criaturas e ambientes assustadores.
Embora o lançamento completo esteja previsto para 2027, Bad House já possui uma demonstração disponível no Steam, permitindo conhecer antecipadamente sua proposta.
Desenvolvimento: Andrew Morrish
Publicação: Dotemu
Lançamento previsto: 2027
Demo: Disponível no Steam
Obscurium transforma criaturas do folclore brasileiro em desafios

O folclore brasileiro serve de inspiração para Obscurium, jogo independente desenvolvido e publicado pela Wild Pepper Games que combina elementos de terror com mecânicas de construção de baralhos e progressão roguelite.
Na experiência, o jogador assume o papel de um caçador de criaturas e espíritos, utilizando cartas e decisões estratégicas para enfrentar entidades inspiradas em histórias populares brasileiras. Entre as criaturas mencionadas pelo estúdio estão a Pisadeira, o Capelobo e o Caboclo d’Água, figuras que fazem parte de diferentes tradições e narrativas regionais.
A proposta utiliza essas referências para apresentar um universo de fantasia sombria, no qual os encontros com seres sobrenaturais são acompanhados por escolhas que influenciam o desenvolvimento das partidas.
Com Obscurium, a Wild Pepper Games procura transformar elementos do imaginário popular em mecânicas de jogo, explorando histórias que tradicionalmente circulam por meio de relatos orais e lendas transmitidas entre gerações.
Desenvolvimento: Wild Pepper Games
Publicação: Wild Pepper Games
Terror nos games vai além dos sustos
A diversidade desses seis projetos mostra como o terror nos videogames pode assumir diferentes formas, seja pela exploração de uma instalação espacial, pelo confronto com espíritos japoneses ou pela utilização de acontecimentos históricos e lendas brasileiras.
Enquanto Routine e Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake exploram propostas associadas à sobrevivência e ao terror sobrenatural, produções como NEVE e Subversive Memories procuram construir tensão por meio de decisões e conflitos psicológicos. Já Bad House e Obscurium incorporam elementos de outros gêneros, demonstrando como mecânicas estratégicas e sistemas de progressão também podem fazer parte de experiências de horror.
Para o Halloween de 2026, a seleção reúne tanto jogos lançados quanto projetos em desenvolvimento, oferecendo diferentes possibilidades para quem acompanha o gênero e deseja conhecer algumas das propostas que estão movimentando o cenário independente e as franquias tradicionais.
Via Masamune


