Review | Just Dance: Decades of Hits transforma nostalgia em uma aventura musical por seis décadas

Com sucessos de ABBA, Madonna, Britney Spears, TWICE e Sabrina Carpenter, novo jogo da Ubisoft revisita seis décadas da música e aposta em uma viagem pelo tempo para renovar a franquia.

DesenvolvedoraUbisoft

GêneroRitmo e dança

PlataformasPS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e Switch 2

Lançamento13/10/2026

Quando se fala em Just Dance, independentemente do console ou do controle utilizado, é difícil não lembrar das experiências que o jogo proporciona em eventos ou mesmo na sala de casa, reunindo amigos e familiares para dançar. O tempo passa, mas a franquia continua apostando em uma fórmula de sucesso que vai muito além das músicas lançadas no último ano, encontrando diferentes maneiras de fazer o jogador sair do sofá e entrar na brincadeira.

A bola da vez é Just Dance: Decades of Hits, novo jogo da Ubisoft que aposta na nostalgia para revisitar seis décadas da música, trazendo um Modo Aventura no qual o jogador precisa ajudar a restaurar a linha do tempo com seu gingado, além de opções já conhecidas da franquia, como Party Mode, playlists e diferentes maneiras de aproveitar as coreografias.

No Nintendo Switch, plataforma utilizada nesta análise, Just Dance encontra um ambiente especialmente favorável graças aos Joy-Con, que se transformam em controles bastante práticos para acompanhar os movimentos. E é justamente por isso que, mesmo chegando a outros consoles, a franquia acaba encontrando nos aparelhos da Nintendo uma combinação interessante entre acessibilidade e controles com sensores de movimento.

Uma aventura para salvar o tempo

Mas voltando ao novo jogo, Just Dance: Decades of Hits apresenta uma história na qual o tempo virou um verdadeiro caos, colocando Lyra em uma jornada para restaurar as diferentes décadas e resgatar seu pai, o Dr. Gigavolt. Enquanto a personagem atravessa diferentes períodos da história, o cientista também participa da aventura por meio de diálogos e perguntas que ajudam a dar ritmo à experiência, oferecendo pequenas pausas entre as coreografias.

Com personagens que aparecem para guiar o jogador por cada período, Lyra utiliza uma embarcação para navegar pelo mar do tempo, abrindo novas fases e descobrindo músicas que marcaram diferentes gerações. Durante essa jornada, também é possível conquistar acessórios, como chapéus e sapatos, que reforçam o clima descontraído de uma aventura na qual a protagonista depende do desempenho do jogador para continuar avançando.

E é justamente nessa estrutura que a Ubisoft consegue dar uma cara diferente à franquia, já que, em vez de simplesmente escolher uma música e começar a dançar, temos uma jornada que incentiva a conhecer novos personagens, explorar cenários e descobrir o que cada década reserva.

De Mamma Mia a Danza Kuduro

Giuliano Peccilli

Com um sistema de aprendizado bastante acessível para aqueles que não sabem dançar muito bem, como é o meu caso, o Modo Aventura permite que Lyra avance por diferentes períodos enquanto apresenta músicas como “Mamma Mia”, do ABBA, resgatando uma década que praticamente convida o jogador a chamar os pais ou avós para participar da brincadeira.

A experiência começa de maneira leve, com coreografias relativamente fáceis que vão tirando você do sofá aos poucos, permitindo acompanhar os movimentos sem grandes dificuldades enquanto novas fases são desbloqueadas. Mesmo quem não tem muita coordenação consegue aproveitar a proposta, principalmente porque o jogo não exige que todos os movimentos sejam reproduzidos com perfeição para continuar avançando.

Mas confesso que os quizzes do Dr. Gigavolt acabam trazendo um certo alívio entre uma música e outra, principalmente porque, prestando atenção às informações apresentadas durante a jornada, não é difícil acertar as respostas e conquistar recompensas para a próxima fase. Essas pequenas interrupções também ajudam a tornar a aventura menos repetitiva, fazendo com que a experiência não dependa exclusivamente das coreografias.

Seis décadas, diferentes gerações e uma mesma pista

Giuliano Peccilli

Se nos anos 1970 encontramos “Mamma Mia”, do ABBA, e “Crocodile Rock”, de Elton John, a chegada da década de 1980 traz Madonna com “Into the Groove”, enquanto Billy Joel aparece com “Uptown Girl”. Ainda nesse período, contamos com músicas como “It’s Tricky”, do Run-DMC, e uma versão de “Jump”, sucesso do Van Halen, mostrando como a seleção procura explorar diferentes estilos musicais dentro de uma mesma década.

Mas, se você cresceu nos anos 1990, não demora muito para encontrar músicas que marcaram aquela geração, principalmente sucessos pop que continuam bastante conhecidos até hoje, como “Wannabe”, das Spice Girls, “No Scrubs”, do TLC, e “Just a Girl”, do No Doubt. É uma seleção que consegue despertar lembranças de quem acompanhou aquele período, mas também apresentar essas músicas a um público que talvez não tenha vivido seu lançamento.

Já para quem cresceu nos anos 2000, a década está muito bem representada com “Stronger”, de Britney Spears, “Bye Bye Bye”, do *NSYNC, e “Feel Good Inc.”, do Gorillaz, reunindo artistas que marcaram diferentes momentos da música pop. Vale lembrar que “Bye Bye Bye” voltou a ganhar destaque nos cinemas com Deadpool & Wolverine, em 2024, tornando sua presença no jogo um acerto da Ubisoft, principalmente pelo reconhecimento que a música conquistou novamente entre o público.

Também não dá para deixar de citar as décadas seguintes, como os anos 2010, representados por “Danza Kuduro”, de Don Omar e Lucenzo, música que ganhou ainda mais popularidade no Brasil com Avenida Brasil e que continua sendo uma escolha certeira para colocar todo mundo para dançar. Já os anos 2020 trazem sucessos mais recentes de artistas como Sabrina Carpenter, Bad Bunny e Chappell Roan, além do grupo sul-coreano TWICE, mostrando que a proposta nostálgica não significa deixar de lado a música atual.

O interessante dessa seleção é justamente permitir que diferentes gerações compartilhem uma mesma experiência, seja reconhecendo músicas que fizeram parte de suas vidas ou descobrindo sucessos que talvez nunca tivessem entrado em suas playlists.

Jogabilidade

Giuliano Peccilli

Com uma verdadeira playlist dos sonhos que atravessa diferentes gerações, Just Dance: Decades of Hits aprimora uma fórmula bastante conhecida pelos fãs da franquia, mantendo uma jogabilidade simples, na qual basta segurar o controle em uma das mãos e acompanhar os movimentos apresentados na televisão.

No Nintendo Switch, os Joy-Con continuam sendo uma excelente opção, principalmente pela praticidade de utilizar os sensores de movimento sem a necessidade de equipamentos adicionais. A coordenação acaba sendo o principal desafio para conquistar boas pontuações, embora o jogo também permita que pessoas sem tanta habilidade consigam acompanhar as músicas sem grandes dificuldades.

É verdade que mesmo aqueles que não dançam praticamente nada conseguem enganar o sistema em determinados momentos, mas isso não funciona sempre, principalmente conforme as coreografias ficam mais exigentes. Para alcançar pontuações melhores, é necessário prestar atenção aos movimentos e tentar reproduzi-los da maneira mais próxima possível, respeitando o ritmo e a sequência apresentada na tela.

Por outro lado, essa precisão que nem sempre é tão rigorosa também acaba sendo positiva para o público casual, já que permite que pessoas com diferentes níveis de habilidade participem da brincadeira sem transformar cada música em uma competição excessivamente exigente.

O jogo também oferece reconhecimento corporal por câmera em determinadas músicas, utilizando um smartphone compatível para acompanhar os movimentos do jogador, o que amplia as possibilidades para aqueles que procuram desafios maiores e desejam uma experiência mais próxima da dança propriamente dita.

Localização em português

Giuliano Peccilli

Se existe algo que a Ubisoft acertou em cheio, foi na localização em português brasileiro, principalmente pela maneira como os diálogos procuram acompanhar as diferentes décadas visitadas durante a aventura.

Ao utilizar expressões antigas, como “broto”, sem ignorar palavras mais recentes, como “amigues”, o jogo apresenta uma diversidade de vocabulário que conversa diretamente com sua proposta de viajar pelo tempo, mostrando um cuidado que vai além de simplesmente traduzir as falas dos personagens.

Com diferentes personagens que aparecem para orientar Lyra durante a jornada, seus diálogos com o pai e com os demais participantes da aventura rendem momentos hilários, demonstrando um carinho da equipe de localização em adaptar o conteúdo para o público brasileiro.

É fato que Just Dance possui relevância mundial, mas também sabemos como os brasileiros gostam da franquia, principalmente pela possibilidade de reunir amigos e familiares em uma atividade descontraída. Nesse sentido, encontrar uma localização tão bem trabalhada acaba sendo um diferencial, tornando os diálogos e as recompensas conquistadas durante a aventura ainda mais interessantes de acompanhar.

Déjà-vu ou novidade?

Just Dance: Decades of Hits oferece uma experiência bastante divertida, mas é inevitável perceber que algumas músicas não representam exatamente uma novidade para quem acompanha a franquia há muitos anos, já que determinadas faixas fizeram parte de edições anteriores.

Porém, a proposta desta vez é diferente, principalmente porque a Ubisoft utiliza essas músicas como parte de uma verdadeira viagem pelo tempo, permitindo que o jogador conheça ou revisite diferentes períodos da história musical dentro de uma aventura.

Isso não elimina a sensação de repetição para quem já possui outras edições, mas ajuda a justificar a escolha de um repertório que procura representar cada década, mesmo que algumas músicas já sejam bastante familiares aos jogadores mais antigos.

E vamos combinar que dançar “Wannabe”, “Mamma Mia”, “It’s Tricky” ou “Crocodile Rock” nunca é demais, principalmente quando essas músicas aparecem dentro de uma proposta que valoriza a nostalgia e incentiva o jogador a explorar períodos que talvez não estejam entre seus favoritos.

Um jogo ou um ecossistema inteiro?

Giuliano Peccilli

Para aqueles que não estão acostumados com as edições mais recentes de Just Dance, a primeira impressão pode ser um pouco diferente, já que o novo jogo apresenta uma interface que lembra mais um serviço de streaming musical do que um menu tradicional de videogame.

É possível acessar o Modo Aventura, participar do Party Mode, escolher músicas individualmente ou criar playlists personalizadas, além de explorar listas sugeridas pela própria Ubisoft ou outras opções disponíveis no catálogo.

Essa estrutura acaba sendo bastante prática para quem deseja encontrar rapidamente uma música ou simplesmente começar a dançar sem precisar organizar uma sequência de faixas, mas também evidencia como Just Dance deixou de funcionar apenas como um lançamento anual para se tornar uma plataforma musical.

Com a loja integrada, também é possível adquirir conteúdos adicionais e acessar músicas de outras edições compatíveis, enquanto o serviço de assinatura Just Dance+ amplia o repertório disponível para quem deseja explorar um catálogo maior de sucessos da franquia.

Porém, é importante lembrar que esse conteúdo adicional não faz parte automaticamente da compra de Decades of Hits, o que significa que algumas músicas e funcionalidades dependem de aquisições ou assinaturas separadas.

Ainda assim, essa integração acaba prolongando a experiência para aqueles que gostam de explorar novas coreografias, já que permite continuar utilizando a plataforma mesmo depois de concluir a aventura principal ou conhecer todas as músicas incluídas nesta edição.

Vale a pena jogar Just Dance: Decades of Hits?

Giuliano Peccilli

Confesso que o Modo Aventura trouxe um frescor muito bem-vindo à franquia, principalmente porque consegue transformar uma experiência tradicionalmente baseada na escolha de músicas em uma jornada que incentiva o jogador a explorar diferentes períodos e conhecer sucessos que nem sempre estão entre seus favoritos.

Com uma história divertida, personagens carismáticos e uma trilha sonora muito bem escolhida, Just Dance: Decades of Hits mostra que a Ubisoft ainda consegue encontrar novidades para uma fórmula que, depois de tantos anos, parecia estar chegando ao seu limite de possibilidades.

No Nintendo Switch, a jogabilidade continua funcionando muito bem com os Joy-Con, principalmente pela praticidade dos controles e pela facilidade de reunir diferentes pessoas para participar da brincadeira, independentemente de suas habilidades com a dança.

Além disso, quando o assunto é Party Mode, a possibilidade de reunir até seis jogadores localmente continua sendo um dos grandes atrativos da franquia, garantindo momentos de diversão entre amigos e familiares que dificilmente dependem apenas de conseguir a melhor pontuação.

Mas se Just Dance sempre foi uma série associada às festas e reuniões, Decades of Hits consegue mostrar que também existe espaço para uma experiência individual, principalmente com o Modo Aventura, que oferece uma motivação para continuar jogando mesmo quando não temos companhia.

Com 35 músicas, uma apresentação fluida e diferentes maneiras de aproveitar as coreografias, o jogo também encontra alternativas para aqueles que procuram desafios maiores, como o reconhecimento corporal por câmera em músicas compatíveis. Por outro lado, a experiência tradicional com os Joy-Con continua sendo minha favorita, principalmente porque a precisão menos rigorosa acaba permitindo que quem não sabe dançar tão bem consiga se divertir tanto quanto aqueles que dominam a pista.

É verdade que a reutilização de algumas músicas pode incomodar jogadores veteranos e que a jogabilidade continua apresentando limitações conhecidas, mas a maneira como a Ubisoft organiza o repertório dentro de uma aventura ajuda a dar um novo significado a sucessos que já passaram pela franquia.

Se durante muito tempo Just Dance transmitia a sensação de apenas receber novas músicas a cada edição, Decades of Hits muda essa abordagem ao utilizar a nostalgia como parte de sua identidade, mostrando que existe espaço para explorar o passado sem abandonar os artistas e sucessos atuais.

Com o Modo Aventura assumindo o protagonismo, a Ubisoft conseguiu criar uma jornada que desperta a curiosidade de descobrir a próxima década, conhecer novos personagens e continuar dançando, mesmo depois de passar por músicas que já fazem parte da história da série.

Sem reinventar completamente sua fórmula, mas encontrando uma maneira interessante de renová-la, Just Dance: Decades of Hits mostra que a franquia continua firme e forte, oferecendo uma experiência que dá gosto de explorar e que consegue manter o jogador envolvido sem depender exclusivamente da expectativa pelo próximo lançamento anual.

Trailer

Ficha técnica

Just Dance: Decades of Hits

DesenvolvedoraUbisoft

PlataformasPS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e Switch 2

GêneroRitmo e dança

Lançamento13/10/2026

Músicas35 faixas

Mais informações

Just Dance: Decades of Hits

Jogadores: 1 a 6 (local)

Idioma: Português brasileiro

Avaliação
4,5/5
JWave

Agradecimentos a Ubisoft pela cópia de Nintendo Switch para produção deste conteúdo

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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