A trajetória de uma das principais porta-bandeiras do Carnaval brasileiro chega à 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O documentário Squel, Confissões de uma porta-bandeira, dirigido por Celina Torrealba e Zeca Brito, terá sua première paulista em 22 de outubro, às 21h30, no Espaço Petrobras de Cinema, dentro da seleção Mostra Brasil.
O longa acompanha Squel Jorgea, que decidiu retornar à avenida após anunciar sua aposentadoria em 2022. Com mais de duas décadas de carreira, a sambista fez história ao representar duas das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, Mangueira e Portela.
A produção teve sua primeira exibição no Festival do Rio e está prevista para chegar ao circuito comercial em 2027.
Documentário acompanha o retorno de Squel ao Carnaval
Após se afastar da avenida, Squel recebeu um convite para integrar a Portela, iniciando uma nova fase de sua carreira aos 40 anos.
O retorno aconteceu em meio aos desafios da maternidade solo, exigindo que a artista conciliasse a criação do filho com a preparação física e artística necessária para voltar a desfilar.
O documentário acompanha esse processo de reconstrução, mostrando os ensaios, os bastidores e a preparação para a apresentação na Marquês de Sapucaí.
Um dos momentos centrais da narrativa é o desfile de Um Defeito de Cor, enredo da Portela inspirado no romance de Ana Maria Gonçalves. A história estabelece uma ligação com a própria trajetória de Squel ao abordar maternidade, ancestralidade e resistência da população negra.
Além das apresentações, o filme discute as dificuldades enfrentadas por mulheres que dedicam suas vidas ao Carnaval, uma atividade que oferece visibilidade durante os desfiles, mas nem sempre garante estabilidade profissional ao longo do ano.
Produção acompanhou a sambista durante quatro anos
O projeto nasceu da admiração dos diretores pela trajetória de Squel. Inicialmente, as gravações começaram quando ela já estava aposentada da Mangueira, mas a história tomou outro rumo após o convite para retornar à avenida pela Portela.
Durante aproximadamente quatro anos, os cineastas acompanharam os preparativos e a rotina da artista, registrando o trabalho que acontece longe do público.
Para Celina Torrealba, a experiência revelou a dimensão do esforço necessário para cada apresentação.
“Entendi ali que o que emociona é resultado de um esforço enorme, que acontece longe dos olhos do público”, afirma a diretora.
Zeca Brito também destaca a importância de apresentar a trajetória da sambista para além dos desfiles.
“Apresentamos o processo de criação dessa artista, em uma narrativa muito direta, onde ela revisita sua história enquanto se prepara para um próximo grande desafio. É um filme de superação e autoconhecimento”, explica.
A própria Squel considera a participação no documentário um reconhecimento de sua trajetória, iniciada ainda na infância, na Baixada Fluminense, quando frequentava uma escola de mestre-sala e porta-bandeira para crianças.
Filme integra a Mostra Brasil
Squel, Confissões de uma porta-bandeira faz parte da programação da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, realizada entre 15 e 29 de outubro.
A produção é assinada pela Donna Features, em coprodução com a Anti Filmes, e reúne registros da preparação de Squel, além de reflexões sobre sua carreira e seu papel na cultura afro-brasileira.
Com 85 minutos de duração, o documentário tem montagem de Jardel Machado Hermes e música original de Fernando Aranha e Guga Bruno.
Serviço
Squel, Confissões de uma porta-bandeira (2026)
Exibição: 22 de outubro de 2026, quinta-feira, às 21h30
Evento: 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Mostra Brasil
Local: Espaço Petrobras de Cinema, Sala 1
Endereço: Rua Augusta, 1.475, São Paulo (SP)
Direção: Celina Torrealba e Zeca Brito
Gênero: Documentário
Duração: 85 minutos
Produção: Donna Features
Coprodução: Anti Filmes
Previsão de lançamento comercial: 2027
Squel, Confissões de uma porta-bandeira terá sua première paulista em 22 de outubro, durante a 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, após sua primeira exibição no Festival do Rio.


