O turismo brasileiro continua apresentando resultados positivos em 2026. Entre janeiro e julho, o setor movimentou R$ 168,8 bilhões, crescimento de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Somente em julho, o faturamento chegou a R$ 25,5 bilhões, alta de 2,6% na comparação anual. O resultado representa o maior valor registrado para o mês desde o início da série histórica, em 2012.
Diante desse desempenho, a FecomercioSP projeta que o turismo brasileiro poderá alcançar um faturamento próximo de R$ 300 bilhões até o encerramento de 2026.
O crescimento também amplia as discussões sobre os impactos econômicos da atividade nos destinos turísticos, especialmente em relação à geração de empregos, à valorização das comunidades e à preservação ambiental.
Pequenos negócios representam 97% das empresas do turismo
O turismo possui uma relação direta com pequenos empreendedores e trabalhadores locais.
Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), aproximadamente 97% das empresas que integram o setor turístico brasileiro são micro e pequenos negócios.
Esse grupo inclui pousadas, restaurantes, estabelecimentos comerciais, empresas de transporte, prestadores de serviços e outras atividades que participam da experiência dos visitantes.
Por isso, o crescimento do turismo pode representar uma oportunidade para ampliar a circulação de recursos nas economias locais.
Entretanto, o aumento do faturamento nacional não significa necessariamente que os benefícios sejam distribuídos de maneira uniforme entre os diferentes destinos.
A contratação de moradores, a valorização de fornecedores regionais e a conservação dos recursos naturais estão entre as estratégias adotadas por empreendimentos que buscam ampliar os impactos positivos da atividade.
Jericoacoara e Preá apostam no turismo sustentável
No litoral do Ceará, dois empreendimentos apresentam iniciativas voltadas à integração entre turismo, desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
Localizadas em destinos conhecidos pelas paisagens naturais e pelos esportes náuticos, as pousadas Vila Kalango, em Jericoacoara, e Rancho do Peixe, na Praia do Preá, adotam práticas que priorizam a contratação de profissionais da região e a valorização da cultura local.
No Rancho do Peixe, mais de 90% dos profissionais são contratados localmente.
A pousada também prioriza fornecedores da região, buscando manter parte dos recursos movimentados pelo turismo na economia do entorno.
Para Silmara Américo, CEO do Grupo e*, responsável pelos empreendimentos, o desenvolvimento turístico precisa considerar as comunidades que vivem nos destinos.
“Um destino turístico precisa prosperar junto com as pessoas que vivem nele. Quando valorizamos os profissionais, os fornecedores e a cultura local, fortalecemos uma cadeia econômica que beneficia toda a comunidade”, afirma.
A executiva também destaca que a conservação ambiental é importante para a continuidade das atividades turísticas.
Preservação ambiental faz parte da experiência turística
Além das iniciativas voltadas à economia local, as duas pousadas adotam medidas para reduzir os impactos ambientais de suas operações.
No Rancho do Peixe, as construções ocupam apenas 8% de uma propriedade com mais de 60 mil metros quadrados.
O projeto arquitetônico utiliza ventilação e iluminação naturais, buscando reduzir a necessidade de sistemas artificiais de climatização.
Já na Vila Kalango, os 59 coqueiros existentes no terreno foram preservados e incorporados à arquitetura do empreendimento.
As duas pousadas também desenvolvem ações relacionadas à gestão de resíduos, à utilização de materiais regionais e ao consumo responsável de recursos naturais.
Em setembro de 2026, os empreendimentos conquistaram a certificação internacional B Corp, concedida pelo B Lab a empresas avaliadas por critérios de desempenho social, ambiental, governança e transparência.
A Vila Kalango recebeu 93,7 pontos, enquanto o Rancho do Peixe alcançou 97 pontos. Ambas superaram a pontuação mínima de 80 exigida no processo de certificação.
As iniciativas também incluem atividades desenvolvidas por meio do Instituto S.E.R. Brasil, voltadas à formação profissional, à valorização dos conhecimentos regionais e ao incentivo ao turismo responsável.
Ceará registra crescimento de 23% no turismo internacional
O Ceará também apresenta resultados positivos na chegada de visitantes estrangeiros.
De acordo com a Secretaria do Turismo do Ceará, o estado recebeu 97.693 turistas internacionais entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 23% em relação ao mesmo período de 2025.
O resultado reforça a presença do estado no mercado internacional, especialmente em destinos associados ao turismo de natureza.
Jericoacoara e Preá estão entre as localidades que combinam paisagens litorâneas, gastronomia regional, atividades ao ar livre e esportes como o kitesurf.
O aumento do interesse por esses destinos também amplia os desafios relacionados à infraestrutura, à conservação ambiental e à participação das comunidades no desenvolvimento turístico.
Nesse contexto, iniciativas que associam hospedagem, geração de empregos e valorização cultural ganham relevância para a sustentabilidade econômica das regiões.
Turismo brasileiro pode se aproximar de R$ 300 bilhões em 2026
A projeção de faturamento próximo de R$ 300 bilhões indica a importância do turismo para a economia brasileira.
O setor movimenta diferentes atividades, desde hospedagem e alimentação até transporte, comércio e entretenimento, criando oportunidades para empresas de diversos portes.
Ao mesmo tempo, o crescimento da atividade coloca em evidência a necessidade de planejamento para que o aumento do fluxo de visitantes não comprometa os recursos naturais e culturais dos destinos.
O desafio para os próximos anos será conciliar expansão econômica, qualidade dos serviços, preservação ambiental e benefícios concretos para as comunidades que recebem os turistas.
Experiências como as desenvolvidas no litoral cearense mostram caminhos possíveis para essa integração, embora os resultados dependam das características e das necessidades de cada região.


