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Festival de Cinema Francês do Brasil segue até 11 de novembro com filmes premiados e clássicos

17ª edição reúne 21 produções, incluindo obras exibidas em Cannes e Veneza, além de filmes de Ryūsuke Hamaguchi, Roberto Rossellini e Paul Grimault

O Festival de Cinema Francês do Brasil entra em sua segunda semana com uma programação de 21 filmes, entre produções recentes e clássicos da cinematografia francesa. A 17ª edição acontece até 11 de novembro de 2026, com sessões em cerca de 50 cidades brasileiras, incluindo obras que passaram por festivais internacionais como Cannes, Veneza e Locarno.

Dos 21 títulos selecionados, 19 são produções recentes e dois integram a programação de clássicos. A seleção contempla dramas, comédias, romances, animação, documentário e suspense político, com histórias que abordam desde relações familiares até conflitos históricos e questões sociais contemporâneas.

Entre os filmes apresentados está O Sentido da Vida (Soudain), dirigido pelo japonês Ryūsuke Hamaguchi, conhecido por Drive My Car. O longa participou da competição pela Palma de Ouro em Cannes e conquistou o prêmio de interpretação feminina para Virginie Efira e Tao Okamoto.

A história acompanha Marie-Lou, diretora de uma instituição para idosos que procura desenvolver uma abordagem de cuidado baseada na escuta e no respeito aos residentes. Sua vida muda após conhecer Mari, uma diretora de teatro japonesa que enfrenta um câncer, dando início a uma relação de amizade marcada por experiências pessoais e novas perspectivas.

De Gaulle e Júpiter estão entre as produções recentes

Outro destaque é De Gaulle: A França Livre (La Bataille De Gaulle), produção histórica dirigida por Antonin Baudry que ultrapassou cinco milhões de espectadores na França, segundo a organização do festival. Ambientado em junho de 1940, o filme acompanha a decisão do general Charles de Gaulle de deixar o país durante a ocupação nazista e seguir para Londres, onde passa a organizar a resistência francesa.

O elenco reúne Simon Abkarian, Simon Russell Beale, Florian Lesieur e Benoît Magimel. O filme foi apresentado fora de competição no Festival de Cannes.

Já o thriller político Júpiter (Jupiter), de Alexandre Smia, apresenta um presidente francês recém-eleito diante de uma crise internacional com possibilidade de escalada nuclear. Estrelado por Denis Ménochet, André Dussollier e Reda Kateb, o longa tem parte de sua história ambientada no Posto de Comando Júpiter, instalação localizada sob o Palácio do Eliseu, em Paris.

Exibido fora de competição no Festival de Veneza de 2026, Júpiter integra o festival brasileiro antes de sua estreia comercial na França, prevista para 18 de novembro.

A programação também inclui O Beijo Elétrico (La Vénus électrique), de Pierre Salvadori, comédia romântica que abriu o Festival de Cannes deste ano. Ambientada em Paris, em 1928, a história acompanha um pintor que tenta entrar em contato com a esposa falecida por meio de uma vidente, sem perceber que está envolvido em uma farsa.

Com Pio Marmaï, Anaïs Demoustier e Gilles Lellouche no elenco, a produção ultrapassou 600 mil espectadores nos cinemas franceses.

Animação de Paul Grimault e comédia de Gérard Oury integram retrospectiva

A seleção de clássicos reúne duas produções de períodos distintos do cinema francês. Uma delas é A Grande Escapada (La Grande Vadrouille), comédia dirigida por Gérard Oury em 1966 que completa 60 anos.

Estrelado por Bourvil e Louis de Funès, o filme acompanha dois civis franceses que ajudam pilotos britânicos a escapar da ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo os organizadores, a produção alcançou mais de 17 milhões de espectadores na França.

O outro clássico é O Rei e o Pássaro (Le Roi et l’Oiseau), animação de Paul Grimault desenvolvida em parceria com o poeta Jacques Prévert. Inspirado no conto A Pastora e o Limpador de Chaminés, de Hans Christian Andersen, o projeto começou a ser desenvolvido em 1946 e passou por uma longa trajetória de produção.

A obra combina fantasia, humor e reflexões sobre poder e liberdade. No Festival de Cinema Francês do Brasil, também integra as atividades educativas destinadas a estudantes da rede pública.

Documentário premiado e comédias completam a programação

O documentário O Canto da Floresta (Le Chant des Forêts), de Vincent Munier, é outro título da seleção. Vencedor dos prêmios César de Melhor Documentário e Melhor Som em 2026, o longa acompanha o cineasta, seu pai e seu filho em uma viagem pelas florestas dos Vosges, região francesa ligada à infância e à formação de Munier como fotógrafo de vida selvagem.

Entre as comédias, A Ilustre Desconhecida (Ni vue ni connue), de Marc Fitoussi, reúne Isabelle Huppert e Sandrine Kiberlain em uma história sobre uma figurante que busca reconhecimento no cinema. A produção passou pelos festivais de Angoulême e Locarno.

Já O Que é o Amor? (C’est quoi l’amour?), de Fabien Gorgeart, acompanha uma família que viaja a Roma após um pedido de anulação de casamento religioso. Estrelado por Laure Calamy e Vincent Macaigne, o longa conquistou o Grande Prêmio do Festival Internacional de Cinema de Comédia de l’Alpe d’Huez.

Também fazem parte da programação A Casa das Mulheres, de Mélisa Godet, sobre uma equipe que acolhe mulheres vítimas de violência; Compostela, o Caminho da Terapia, de Yann Samuell; e O Fantasma da Ópera, de Alexandre Castagnetti, ambientado na Paris contemporânea.

A seleção inclui ainda o curta Duas Pessoas Trocando Saliva (Deux personnes échangeant de la salive), dirigido por Natalie Musteata e Alexandre Singh e vencedor do Oscar de Melhor Curta-Metragem em Live Action de 2026. A narrativa apresenta uma sociedade na qual beijar é proibido e punido com a morte.

Festival tem sessões em diferentes regiões do Brasil

Organizado pela Bonfilm, o Festival de Cinema Francês do Brasil realiza sessões simultâneas em cinemas de capitais e cidades do interior. A programação contempla municípios como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza, Belém, Manaus e Porto Alegre.

De acordo com a organização, o evento já reuniu aproximadamente 2,5 milhões de espectadores ao longo de suas edições. Em 2025, recebeu mais de 57 mil pessoas e promoveu cerca de 100 sessões voltadas à educação, acessibilidade e ampliação do acesso ao cinema.

A 17ª edição segue até 11 de novembro de 2026, com ingressos vendidos pelos valores habituais de cada cinema participante. Os horários e os filmes em exibição variam conforme a cidade.

A programação completa pode ser consultada no site oficial do Festival de Cinema Francês do Brasil.

Giuliano Peccilli
Giuliano Peccillihttp://www.jwave.com.br
Editor do JWave, Podcaster e Gamer nas horas vagas. Também trabalhou na Anime Do, Anime Pró, Neo Tokyo, Nintendo World e Jornal Nippon Já.

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