Vinte anos depois da estreia de Maria Antonieta (2006), a cineasta Sofia Coppola revisita a realização de um de seus filmes mais conhecidos por meio de um olhar particularmente próximo: o de sua mãe, Eleanor Coppola. O documentário Making Marie Antoinette, disponível exclusivamente na MUBI desde 6 de novembro de 2026, recupera imagens inéditas das filmagens realizadas no Palácio de Versalhes e acompanha os desafios criativos enfrentados pela diretora durante a produção.
O material foi registrado por Eleanor em 2005, quando acompanhou a filha durante as gravações do longa estrelado por Kirsten Dunst e Jason Schwartzman. Ao longo daquele período, a documentarista reuniu aproximadamente 80 horas de imagens, concentrando sua atenção tanto no trabalho da equipe quanto na experiência de Sofia à frente de uma produção de grande escala.
O resultado vai além dos bastidores tradicionais de um filme, estabelecendo também um diálogo entre duas gerações de cineastas e apresentando uma perspectiva familiar sobre o processo de criação.
Documentário recupera 80 horas de gravações em Versalhes
Quando Sofia Coppola dirigiu Maria Antonieta, seu terceiro longa-metragem, a produção chamou a atenção pela maneira como reinterpretou a trajetória da rainha francesa, combinando cenários históricos, figurinos elaborados e referências à cultura contemporânea.
As filmagens no Palácio de Versalhes, realizadas com autorização especial, exigiram uma estrutura de produção que envolvia diferentes equipes responsáveis pela construção visual do filme. Eleanor Coppola acompanhou esse processo com sua câmera, registrando momentos de preparação, decisões criativas e interações entre os profissionais.
Entre os aspectos destacados por Making Marie Antoinette está o trabalho de Milena Canonero, figurinista responsável pelos trajes da produção original, que conquistou o Oscar de Melhor Figurino por Maria Antonieta.
As imagens também revelam como Sofia conduzia o projeto em uma etapa relativamente inicial de sua carreira como diretora, após os lançamentos de As Virgens Suicidas (1999) e Encontros e Desencontros (2003).
Ao apresentar o cotidiano das gravações, o documentário permite observar tanto o desenvolvimento de uma estética cinematográfica quanto os desafios práticos de transformar uma proposta artística em um longa-metragem.
Eleanor Coppola registra a filha como cineasta e como mãe
A dimensão mais pessoal do documentário surge da relação entre Eleanor e Sofia Coppola. Embora estivesse no set como documentarista, Eleanor também observava a filha em um momento decisivo de sua trajetória profissional, situação que acrescenta outra camada às imagens recuperadas.
O projeto começou a ganhar sua forma atual durante a pandemia, quando mãe e filha passaram a revisar o material registrado anos antes. Segundo Sofia, transformar aquelas filmagens em um documentário de longa-metragem era um desejo antigo de Eleanor.
“Ela estava no set como cineasta e também como minha mãe, então foi muito emocionante rever o material e enxergar nossas gravações pelos olhos dela”, declarou Sofia Coppola.
Eleanor, que morreu em 2024, também participa da narrativa por meio de trechos de seus diários pessoais. Os textos são interpretados pela atriz Diane Lane, indicada ao Oscar, e apresentam observações sobre as gravações e reflexões a respeito de sua relação com a filha.
A montagem ficou a cargo de Aaron Matthews, com contribuições de Davia Nelson e Liz Bird, amigas próximas de Eleanor. Sofia Coppola também participa como produtora, ao lado de Lorenzo Mieli, Mario Gianani, Rachel Dengiz e Youree Henley.
Maria Antonieta completa 20 anos com novo olhar sobre sua produção
Lançado em 2006, Maria Antonieta acompanha a jovem arquiduquesa austríaca que se torna rainha da França ao se casar com Luís XVI. Interpretada por Kirsten Dunst, a protagonista é apresentada em meio às exigências da corte e às pressões que acompanham sua posição política e social.
A abordagem de Sofia Coppola se distancia de uma reconstituição histórica convencional ao privilegiar a experiência subjetiva da personagem, utilizando elementos visuais e musicais que aproximam seus conflitos do público contemporâneo.
Duas décadas depois, Making Marie Antoinette oferece a oportunidade de observar a construção dessas escolhas diretamente no ambiente das filmagens, ao mesmo tempo em que preserva o registro de Eleanor Coppola sobre a trajetória profissional da filha.
O documentário teve uma exibição especial para convidados no Cine Tutu, em São Paulo, realizada em 3 de novembro. A sessão contou com a participação da crítica e pesquisadora Paula Jacob, que contextualizou o trabalho de Sofia Coppola e a importância dos registros realizados por Eleanor.
Making Marie Antoinette já está disponível exclusivamente na MUBI, com lançamento realizado em 6 de novembro de 2026.


