O projeto musical Nepabrite, do compositor e produtor Phillip Scott Grigalanz, lança em 6 de novembro de 2026 o single “Eien No Gaijin” (永遠の外国人), uma composição de rock alternativo cantada em japonês que aborda sentimentos de deslocamento, solidão e a dificuldade de encontrar pertencimento, mesmo em ambientes familiares.
Com o título que pode ser traduzido como “Estrangeiro Eterno”, a música utiliza a figura do gaijin, termo japonês associado à ideia de estrangeiro, como uma metáfora para alguém que não consegue se reconhecer plenamente na própria vida. A proposta não é retratar a experiência da comunidade nipo-brasileira, mas apresentar uma narrativa pessoal sobre relações familiares, identidade e a possibilidade de encontrar compreensão e empatia.
A composição combina piano e guitarras para acompanhar essa trajetória emocional, enquanto a letra recorre a imagens de fronteiras, documentos e barreiras invisíveis para representar a distância entre o protagonista e as pessoas ao seu redor.

Uma história sobre ser estrangeiro dentro da própria casa
Em “Eien No Gaijin”, o sentimento de não pertencimento aparece por meio de situações cotidianas que ganham significados simbólicos. O protagonista observa o ambiente à sua volta, revisita memórias e percebe que os papéis que deveria desempenhar parecem ter sido escritos por outras pessoas.
A letra apresenta a ideia de alguém que conhece os espaços e as relações de sua vida, mas continua se sentindo deslocado, como se precisasse de autorização para ocupar um lugar que deveria ser naturalmente seu.
Essa sensação é desenvolvida no refrão, que utiliza a imagem de um visto negado ao coração e de um mapa inexistente para expressar a dificuldade de estabelecer vínculos. A própria casa deixa de representar necessariamente um espaço de acolhimento, tornando-se um ambiente onde o personagem se percebe como visitante.
Ao longo da composição, referências a portas, chaves e fronteiras reforçam o conflito entre o desejo de aproximação e a impossibilidade de ultrapassar determinadas barreiras emocionais. Apesar do tom melancólico, a narrativa também preserva a expectativa de que essas distâncias possam ser superadas, ainda que tardiamente.
Voz japonesa utiliza tecnologia Synthesizer V
Um dos aspectos da produção é a utilização do Synthesizer V Studio Pro, software de síntese vocal empregado para interpretar a composição em japonês por meio do banco de voz Kohki.
Segundo Grigalanz, a interpretação foi desenvolvida sob sua direção, com um trabalho detalhado sobre a expressão vocal. Dessa maneira, a tecnologia participa do processo de produção musical como instrumento de interpretação, enquanto a letra, a composição e os arranjos permanecem sob responsabilidade do artista.
A escolha do japonês também integra a identidade da obra, aproximando sua sonoridade do universo da música japonesa contemporânea sem apresentar a narrativa como uma representação de uma experiência cultural coletiva.
O resultado é uma composição que procura utilizar os recursos do rock alternativo e da produção vocal digital para desenvolver uma história intimista, centrada na relação entre identidade, isolamento e busca por reconhecimento.
Nepabrite apresenta uma narrativa pessoal em japonês
Com “Eien No Gaijin”, Phillip Scott Grigalanz apresenta uma música que utiliza a figura do estrangeiro para discutir uma condição que não depende necessariamente de atravessar fronteiras geográficas.
A ideia de viver como alguém de fora, mesmo entre pessoas conhecidas, conduz a narrativa e transforma o conceito de pertencimento em seu principal elemento temático. A letra também sugere a possibilidade de reconstruir vínculos por meio da compreensão, ainda que não apresente respostas definitivas para os conflitos descritos.
“Eien No Gaijin” (永遠の外国人) tem lançamento previsto para 6 de novembro de 2026, como novo single do projeto Nepabrite.


