Os jogos de tabuleiro fazem parte da rotina semanal de 61,2% dos participantes do Radar Table Top Brasil, pesquisa divulgada pela asmodee em outubro de 2026. O levantamento ouviu 4.055 pessoas com 16 anos ou mais, das cinco regiões brasileiras, e identificou que 82,7% dos respondentes jogam pelo menos uma vez por mês. Além disso, 60,8% pretendem aumentar a frequência das partidas nos próximos seis meses.
O estudo investigou como os brasileiros entrevistados se relacionam com os jogos físicos, considerando desde títulos tradicionais, como xadrez e damas, até os chamados jogos de tabuleiro modernos. Os resultados também ajudam a identificar um público que vai além de crianças e adolescentes: 54,8% dos participantes têm entre 22 e 39 anos, enquanto 47,8% moram com companheiro ou companheira e filhos.
Para Ade Ferrari, diretor de Marketing e Estratégia da asmodee, a presença dos jogos de mesa no cotidiano está relacionada ao interesse por atividades que favorecem o contato presencial.
“Vivemos a era mais digital e conectada da história, e é justamente por isso que o jogo de tabuleiro ganhou tanto valor. Quando as pessoas se sentam à mesa, elas escolhem estar presentes e juntas de verdade”, afirma.
Partidas acontecem principalmente em casa
A residência dos próprios jogadores é o local mais citado para as partidas, mencionado por 71% dos entrevistados. Outros 54,1% afirmaram jogar na casa de amigos ou familiares. Como a pergunta permitia múltiplas respostas, os participantes podiam indicar mais de um ambiente.
Já luderias, lojas especializadas e eventos aparecem nas respostas de 11% do público pesquisado. Embora menos frequentados, esses espaços são importantes para apresentar jogos desconhecidos e permitir que as pessoas experimentem diferentes títulos antes de comprá-los.
O tempo dedicado às partidas também chama atenção. Segundo o levantamento, 63,2% dos participantes costumam reservar entre uma e quatro horas para uma sessão de jogos, o que indica encontros que podem ocupar boa parte de uma tarde ou noite.
A duração varia conforme o tipo de jogo escolhido. Enquanto alguns títulos possuem regras simples e partidas rápidas, outros envolvem estratégias mais elaboradas, diferentes etapas e sessões prolongadas, características que ajudam a explicar a diversidade de hábitos identificada na pesquisa.
Mercado reúne consumidores ocasionais e jogadores que investem mais de R$ 500 por mês
O Radar Table Top Brasil também analisou o comportamento de compra. Entre os participantes, 72% declararam ter adquirido algum jogo físico nos últimos 12 meses, para uso próprio ou como presente. Considerando apenas aqueles que afirmaram comprar jogos de tabuleiro, 54,9% realizam compras mensalmente.
Os valores gastos variam de acordo com o perfil do consumidor. Nesse grupo, 60,8% disseram desembolsar até R$ 200 em uma compra típica, enquanto 25,3% afirmaram investir mais de R$ 500 por mês em jogos.
Essa diferença reflete a variedade de produtos disponíveis no setor, desde jogos de cartas e títulos de entrada até produções com tabuleiros complexos, miniaturas, expansões e outros componentes que podem elevar o preço.
Em relação aos canais de venda, 33,9% dos entrevistados compraram jogos em lojas de brinquedos nos últimos 12 meses. Os comércios eletrônicos especializados aparecem com 32,2%, seguidos pelos marketplaces, com 32%.
Os resultados mostram que as lojas físicas continuam relevantes para o mercado, ao mesmo tempo que as plataformas digitais ampliam as possibilidades de compra e acesso a diferentes catálogos.
Xadrez, damas e baralho continuam entre os jogos mais lembrados
Apesar da presença de títulos modernos, os jogos tradicionais ainda dominam a memória dos participantes. Quando questionados espontaneamente sobre jogos de tabuleiro, 24,7% mencionaram o xadrez, 22,9% citaram damas e 19,5% lembraram do baralho.
A asmodee interpreta esse resultado como um indicativo de que existe espaço para ampliar o conhecimento do público sobre jogos com mecânicas mais recentes. A empresa possui em seu catálogo títulos como Dixit, Ticket to Ride, Azul, 7 Wonders, Dobble e Exploding Kittens, que exploram diferentes estilos de partidas, incluindo associação de imagens, estratégia, construção de rotas e desafios rápidos.
O interesse por novas experiências também aparece nas intenções de consumo. Para os próximos seis meses, 60,8% dos respondentes pretendem comprar algum jogo para si, 55,5% planejam adquirir jogos para presentear outras pessoas e 62,7% afirmaram que desejam recomendar títulos a amigos ou familiares.
Para Ade Ferrari, esses dados representam uma oportunidade para ampliar o contato dos consumidores com os jogos modernos, especialmente entre pessoas que já possuem o hábito de jogar títulos tradicionais.
“O público já tem o hábito de jogar, e isso aparece na lembrança dos clássicos que atravessam gerações. O nosso desafio, e a nossa grande oportunidade, é mostrar que existe um universo de jogos modernos para cada tipo de grupo e de ocasião”, afirma.
O Radar Table Top Brasil foi realizado pela asmodee, grupo francês que atua no mercado brasileiro desde 2018, quando a Galápagos passou a integrar a companhia. A pesquisa reúne respostas de participantes de diferentes regiões e classes sociais, mas o material divulgado não detalha o método de seleção da amostra nem apresenta margem de erro. Por isso, seus percentuais descrevem o público pesquisado e não devem ser interpretados automaticamente como representativos de toda a população brasileira.


