Na cerimônia de encerramento da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o destaque da noite foi para Virtuosas, longa catarinense dirigido por Cíntia Domit Bittar, vencedor da terceira edição do Prêmio Netflix. A conquista leva o filme para um novo patamar: ele será disponibilizado em mais de 190 países, com tradução em mais de 30 idiomas, expandindo o alcance do cinema independente brasileiro para o público global.
Um olhar feminino e provocador
Misturando humor ácido e uma atmosfera desconcertante, Virtuosas acompanha um grupo de mulheres cristãs convidadas para uma imersão voltada ao “fortalecimento da feminilidade”. No entanto, o que parece um retiro espiritual se transforma em uma reflexão afiada sobre fé, identidade e as tensões da geração Z.
O elenco traz Bruna Linzmeyer, Maria Galant e Juliana Lourenção, que dão vida a personagens multifacetadas em uma narrativa que questiona padrões e o papel da mulher na sociedade contemporânea.
Da serra catarinense para o mundo
“Esse prêmio vai levar o filme para lugares que a gente nunca imaginou. Sou uma menina do interior de Santa Catarina e estou chegando em lugares que nunca pensei que chegaria”, disse emocionada a diretora Cíntia Domit Bittar, que também assina o roteiro ao lado de Fernanda de Capua.
A produção é da Novelo Filmes, sediada em Florianópolis e comandada por Cíntia Domit Bittar, Ana Paula Mendes e Maria Augusta V. Nunes. O estúdio vem se consolidando como uma das vozes mais consistentes do cinema brasileiro contemporâneo, com foco em histórias protagonizadas por mulheres e em olhares autorais sobre temas atuais.
O impacto do Prêmio Netflix
O Prêmio Netflix nasceu com o objetivo de dar visibilidade a filmes brasileiros de ficção exibidos na Mostra que ainda não têm distribuição. Ao adquirir os direitos de exibição global, o prêmio cria uma ponte entre o cinema independente e o público internacional.
“O Virtuosas é um exemplo poderoso da vitalidade criativa do nosso cinema. Com o Prêmio Netflix, celebramos o talento e a diversidade do Brasil”, afirmou Barbara Adams, líder de Licenciamento da Netflix no país.
O júri deste ano contou com Higia Ikeda, Barbara Adams e Flávia Guerra, jornalista e documentarista especializada em cinema.
Pôster

Um legado que se fortalece
Nas edições anteriores, o prêmio destacou filmes que também expandiram fronteiras. O baiano Saudade Fez Morada Aqui Dentro, vencedor da primeira edição, foi exibido em diversos países, dublado em dez idiomas e legendado em trinta e dois. Já Serra das Almas, ganhador da segunda, apresentou ao público estrangeiro um retrato do sertão pernambucano, explorando uma face pouco conhecida do Brasil.
Assim, com Virtuosas, o prêmio reafirma seu papel de impulsionar o cinema nacional além das fronteiras — agora com um olhar feminino, crítico e contemporâneo.
O longa de Cíntia Domit Bittar não apenas representa uma conquista para o audiovisual catarinense, mas também reforça a presença das mulheres na direção e na produção cinematográfica brasileira. E, a partir da Mostra de São Paulo, segue para o mundo, levando consigo uma história que questiona, provoca e celebra o poder da narrativa independente.


